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Especial

A Dupla Moralidade de “Reign”


Eu tenho uma paixão por séries históricas. Talvez a dita tenha começado com “The Tudors”, até hoje uma série que idolatro e da qual falo com bastante intensidade. Talvez tenha continuado esta paixão com “Cold Case” que, apesar de não ser uma série histórica, carrega consigo uma grande dose de antigo, de pequenos detalhes, que fazem dela um excelente produto televisivo. “Game of Thrones”, apesar de, também, não ser uma série histórica faz-nos lembrar os tempos sangrentos da Idade Média e as histórias e as traições por detrás daqueles que nos governam.

Reign

“Reign” começou assim mesmo: sem ninguém dar por ela, sem achar que tinha algum potencial. No entanto, 22 episódios depois, o seu potencial foi atingido e ainda há muito para explorar e entender. “Reign” conta-nos a história de Mary, Queen of Scots, e toda a sua vida nas cortes francesas e não esquece, nem por um segundo, quão cruel e, ao mesmo tempo, afável o ser humano consegue ser.

Talvez o que me tenha apaixonado mais nesta série tenha sido a intensidade com que as personagens se desafiam e se testam porque, se olharmos à grande panorâmica destes 22 episódios, não podemos dizer que temos um grande vilão. Temos sim, uma mão cheia de seres humanos que vagueiam entre o bom e o mau sem nunca serem algum destes dois extremos. Será que é esta dualidade de moralidades que chama o nosso instinto à sobrevivência? Que nos ajuda a prevalecer sobre tudo e sobre todos? Cruel ou não de se dizer, sobreviver sempre foi (e sempre será) para os seres humanos o objectivo máximo da nossa existência.

E quem fala de sobrevivência nas cortes do século XVI, fala da sobrevivência nos dias de hoje que, apesar de não ser tão explícita em termos de traições, de histórias de amor falhadas ou mesmo até de casamentos arranjados, conseguimos observar, ao longo de toda a temporada, a falibilidade da sociedade e do ser humano, que tanto tempo gastamos a encobrir mas sem nunca o conseguir realmente fazer, não para quem nos conhece tão bem, não para quem nós nunca conseguimos ser menos do que claros como água.

Desde Setembro passado, “Reign” cresceu. Cresceu enquanto série, fez crescer as suas personagens e a sua história, fez-nos apaixonar por elas. E o que resta desta primeira temporada? A esperança de que a segunda volte o mais depressa possível, com a história da Peste Negra. Quero ver mais de Reign, quero que a segunda temporada seja melhor que a primeira e que esta me apaixone tanto como fizeram os 22 episódios já exibidos. Até lá, fiquemos a marinar no que esta história nos contou e perguntemo-nos que tipo de pessoa queremos nós ser nesta sociedade; perguntemo-nos se seremos alguma vez capazes de vingar num mundo tão cruel, sendo quem somos; perguntemo-nos, no fim de contas, o que nós queremos, para nós e para os outros. E no momento em que soubermos a resposta (se a chegarmos a saber), um sorriso jamais poderá ser roubado dos nossos lábios.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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