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Azimute

Planeta Vivo #7 – “El Cambio Climático en España, un Desafío para Todos”


Azimute [Planeta Vivo]

Desde há muitos anos que as alterações climáticas se têm mostrado um dos grandes motores para uma mudança geral no comportamento humano desde um maior índice de lixo reciclado como um maior cuidado na produção de lixo, ainda que, aquilo que produzimos seja bastante para a capacidade deste planeta.

Não é novidade o facto de a temperatura global da Terra estar a aumentar de ano para ano; também não deixa de ser estranho o facto das calotes polares e muitas das reservas de gelo montanhosas espalhadas pelo mundo estarem a sofrer uma perda substancial deste seu tesouro de água doce; e tão pouca deixa de ser incomum o facto da biodiversidade do sul de Espanha estar a diminuir derivado de tudo isto e, principalmente, nas alterações estruturais, químicas e biológicas que o Mar Mediterrâneo tem vindo a sofrer ao longo destes anos. De facto, e por uma razão lógica de conhecimentos, o homem, visto que é o causador da mão cheia de problemas que o nosso planeta, todos os dias, nos parece querer alertar, deveria ser ele o que solucionaria tudo isto. Deveria. E, até certo ponto, o ser humano está a tentar corrigir estes seus erros mas está muito longe da sua solução… E, enquanto isso, começámos e continuamos a viver fenómenos atmosféricos cada vez mais bruscos e fortes (dos quais cito o furacão Yolanda que desolou as Filipinas), uma desertificação cada vez mais acentuada no Norte da Europa e 7% a menos de chuvas ao longo de todo o ano.

Desde a antiguidade que sempre se acreditou numa relação estável e equilibrada entre os quatro elementos primordiais: terra, água, fogo e ar. É o círculo da vida onde tudo se dá e de todos se recebe algo, ainda que pequenas coisas. No entanto, são as pequenas alterações que criamos ao longo de toda a nossa vivência, como seja o aumento progressivo da percentagem de dióxido de carbono na atmosfera, que provoca uma mudança terrível no ar que, por sua vez, acaba por alterar todos os outros elementos. Ainda que nos percamos a pensar que nada disto está interligado, basta que pensemos em nós próprios e na interessante capacidade que temos de, ao estarmos afectados por algo bom ou mau, temos a igual capacidade de afectar quem está próximo de nós a uma menor ou maior proporção. E ainda que tenhamos a consciência de tudo isto, o que nos continua a faltar é a ambição e a vontade de querer fazer diferente para que este mundo, já tão danificado, melhore um pouco mais. No fim de contas, é tudo aquilo que temos e não nos cansamos de o destruir. Seremos nós uma espécie parasita? Estaremos tão cegos pelo poder que não vejamos o que está à nossa frente? Ainda há consciência nestes corpos e nestas almas que por esta Terra nascem, vivem e morrem?

Em España, e esta perspectiva é, de facto, bastante diferente da do meu país de origem, 50% do consumo energético está ligado aos transportes de onde o petróleo é a sua principal matéria-prima, o que equivale, mais ou menos, a uma utilização de 260 mil litros por segundo deste combustível tão bom mas tão difícil de obter. É uma realidade preocupante e o facto de, de um momento para outro, ficarmos sem uma gota de combustível é, sem dúvida preocupante. Porque não, em vez de usarmos em demasia este recurso, virarmo-nos para outros que a Terra também oferece, como por exemplo, a energia cinética promovida pelos ventos? Ao que parece a consciência motivou ao seu uso, tanto que a Espanha é o segundo maior produtor de energia eólica depois da Alemanha.

Cambio Climático (1)

Outro dos factores de grande preocupação, especialmente porque é a nossa saúde que está em jogo, o documentário olha para a variação da temperatura, ao longo destes anos. E não será igualmente preocupante o facto de, no Verão de 2012, ter morrido um sem número de pessoas pois não suportaram as altas temperaturas dessa estação? E como temos nós a percepção de que as temperaturas se alteraram? Através das aves. Porque, ao contrário daquilo que muitos de nós pensam, os animais são os primeiros a sentirem todas estas alterações e, primeiro que nós, morrem eles com as alterações fisiológicas que os seus organismos sofrem, não só porque não estão habituados a este novo tempo mas também porque os seus padrões migratórios (e, consequentemente, toda a sua vida) é substancialmente alterada, deixando-os confusos e cada vez mais próximos da hora da morte. De facto, já não basta todas as atrocidades que cometemos contra os animais, num Mundo que deveria ser supostamente liderado pelo bom senso, senão ainda temos que os fazer sofrer mais alterando toda a sua biologia e os seus habitats naturais? E se ainda duvida disto, preste atenção aos animais que vivem nas calotes polares pois, a cada dia que passa, o seu mundo cai, pedaço a pedaço. E se ainda não é prova suficiente, pesquise por si próprio e observe a brusca alteração que sofreu a cordilheira dos Pirinéus, no que toca às suas reservas de gelo. Preocupante, não?

Tal como o documentário acaba por concluir, a Espanha acabará por ser uma das regiões mais afectadas por estas alterações. Alterações tão bruscas que acabarão, eventualmente, por afectar toda a dinâmica de vida da sua população mas que, dadas as suas rotinas extenuantes não têm tempo para se dar conta que, pouco a pouco, a Terra vai morrendo e nós acabamos por ir morrendo também.

E porquê esta alteração brusca na vida das pessoas? Porque com estas alterações bruscas na atmosfera, acabamos por favorecer a desertificação em certas zonas do país, como seja nas zonas banhadas pelo rio Ebro. E se há desertificação, não há flores, nem árvores, nem arbustos e, sendo eles a primeira linha de defesa contra o aumento progressivo de dióxido de carbono na atmosfera, que será de nós sem elas? E se assim é, porque é que ainda continuamos a atear fogos que consomem hectares de floresta? Porque continuamos nós a semear a nossa inexistência neste mundo? Por sorte ainda há quem desenhe campanhas de reflorestação e, ainda que sejam poucas, já é um pequeno passo para um mundo melhor.

Por mais atrocidades que cometamos para com a Mãe Natureza, ela parece saber recuperar a sua forma natural, a sua forma bela com a qual nos brinda aos pores-do-sol e, ainda mais, no fantástico jogo de cores que vivemos e experimentamos nas 24 horas que completam o nosso dia. Há almas conscientes, perdidas por esse mundo fora, e o seu esforço para continuar a lutar contra a decadência da Terra é de louvar. Mas enquanto forem uma pequena percentagem, nada se fará e em nada se investirá para revirar a balança a favor da Terra. Se o século XX foi o século das guerras e das tecnologias, porque não fazer do século XXI o século da Terra? Porque não juntarmo-nos todos e melhorar, pouco a pouco, cada tesouro que este planeta nos dá? Afinal, não foi isso que fizeram com a Ilha de Ons e as Islas Cies, que as recuperaram e são agora um maravilhoso paraíso? Não foi com esta mentalidade de protecção da nossa casa que se avançou com as leis de preservação da Natureza?

Ainda há tempo para actuar ou para continuar a fazê-lo. Dia a dia, se conseguimos poupar energia, se reciclarmos aquela caixa de papel que antes não reciclávamos e ainda se, aquando das compras, a maior parte dos nossos produtos estão pensados para reduir a percentagem de lixo que produzimos, já estamos a fazer muito por este planeta que nos acolheu, que nos deu tudo o que tinha para prosperarmos. Sejamos, a cada dia que passa, menos parasitas e menos esbanjadores porque, ao mudarmos o curso da nossa vida, estamos a mudar, igualmente, o curso da vida na Terra e, como tal, estamos a preservar-nos.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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