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Especial

“The Crazy Ones” e a Arte da Boa Comédia


O mundo das comédias é bastante complicado. Não digo que seja necessária uma enorme criatividade para criar algo do zero mas é preciso que o criador saiba até onde quer ir e como quer ir, ao longo dos episódios que o canal decidiu dar. Fazer comédia não se trata de gargalhadas fáceis e muito menos sorrisos falsos; trata-se, pois, de fazer o espectador apaixonar-se por aquelas personagens e quer fazer parte da vida louca que elas levam e rir-se e chorar e cantar e deprimir quando elas também o sentem.

The Crazy Ones

“The Crazy Ones” teve um interessante começo. Já antes da sua estreia eu sabia que a tinha de ver. Ou melhor, eu sabia que a queria ver. Havia qualquer coisa na série que me chamava e, obviamente, 22 episódios depois, ouso dizer que foi uma comédia que tive todo o gosto de conhecer e acompanhar. Não, não é por ser da CBS. E não, não é por ter a Sarah Michelle Gellar. É sim, por todo o arranjo, por todas as histórias, por todo o impacto que todas parecem querer fazer. E aliar o mundo da publicidade, já por si vasto, a uma comédia só poderia ser uma ideia de David E. Kelly, o mesmo homem que trouxe há uns bons anos “Ally McBeal” e cujo sucesso, ainda hoje, está bem marcado.

Ainda que já se saiba o futuro de algumas séries, “The Crazy Ones” parece ainda estar na corda bamba. Será renovada? Cancelada? Recuperada por outro canal? Renovada para uma temporada pequena? Não se sabe. De facto, é uma coisa que me preocupa porque se olharmos em retrospectiva estas 22 horas tão criativas, vemos que conseguimos atingir um certo potencial, potencial esse que já estava bastante demarcado no episódio piloto, que ainda hoje me recordo, me fez rir até já não ter fôlego. “The Crazy Ones”, apesar das suas audiências (baixas para o standard do canal), contou com uma audiência fiel e, acima de tudo, uma audiência que se preocupava em saber em que nova aventura publicitária se meteria a Lewis, Roberts & Roberts.

O final que nos foi mostrado é, em tudo, interessante e muito curioso. Quase que funciona como final da série. E, convenhamos, uma comédia não precisa de ter os finais do tipo “Grey’s Anatomy” onde algo, alguém ou muitos alguéns têm de morrer ou mesmo até ter uma intensa mitologia como tinha “Lost” ou mesmo até “Fringe” ou “The X-Files”. Apesar de ter deixado uma ou outra linha completamente em aberto, o que nos permite imaginar o “como seria se”, tudo aquilo a que a série se propôs, ela cumpriu, tenha sido bem ou menos bem cumprido.

Desde a sua estreia que me apaixonei por estas personagens e por estes actores e actrizes que, aquando de um novo episódio, me faziam saltar uma gargalhada sincera e um sorriso de orelha a orelha. Não consigo prever um futuro para a série mas sei que me despeço já dela contente e com um sentimento de dever cumprido. Seja um até já ou um até sempre, “The Crazy Ones” chegou, viu e venceu e não pode haver (nem há) audiência baixa que lhe retire o mérito.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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