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Especial, Hannibal

‘Hannibal’, uma Série Perturbadora


Nestes já tão intensos anos como viciado em séries, muitas vezes me questiono sobre o porquê de ver (e acompanhar) uma determinada história. Muitas são as razões para tal, desde os actores e actrizes até à intrincada trama que nos infecta o nosso estado cognitivo e deixa-nos completamente absorvidos naquele “novo” mundo. E é tão ou mais curioso quando, de tão absortos que estamos, que parece que vivemos e respiramos aquela história como se fôssemos parte integrante da mesma, como se tudo fosse nosso e nós fosse deles.

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Talvez não precisasse de uma motivação extra para ver ‘Hannibal’. Esta série já constava da minha lista desde que estreou na temporada passada. No entanto, parece que não tinha tido ainda a coragem de ver. Talvez por falta de tempo. Talvez por falta de cabeça/neurónios para a interpretar. Ou, então, simplesmente ainda não a queria ver. Mas, e tal como dizemos tantas vezes quanto possíveis para acreditarmos, nós não somos ilhas e estamos constantemente a ser influenciados por outros e, talvez porque quis ser influenciado, tive de consumir a primeira temporada de ‘Hannibal’, sem dó nem piedade, por influências tão grandes e importantes. E devo dizer que essas mesmas influências tinham razão na quão grandiosa e interessante é esta série.

De facto, ‘Hannibal’, e ainda que as suas audiências ditassem o contrário, conseguiu uma segunda temporada e, pelo menos para mim, o estatuto de série de culto. E não conseguiu isso só pela história mas também pelo que trouxe para a televisão esta personagem que faz parte do nosso imaginário: Bryan Fuller. Este homem, cujo trabalho me deixou curioso quando estreou ‘Pushing Daisies’ em 2008, na ABC, levou a personagem do Dr. Hannibal Lecter a um novo patamar, a um patamar em que o próprio espectador é levado a interpretar toda a mente humana e todas as motivações que estão na base das acções de cada um de nós. Já dos tempos de Daisies, conhecia a capacidade gráfica e a mente tão interessante que tem Bryan Fuller e, talvez porque ‘Hannibal’ assim o pedia, todos os episódios são de uma violência gráfica espectacular e, mais que isso, a base do caso e todo o arco estão envoltos numa inteligência detalhista tão grande que escapa aos nosso olhos porque, tão simplesmente, não estamos habituados a olhar aos detalhes.

‘Hannibal’ é, no fundo, uma série perturbadora. Deixa-nos inquietos, sem palavras, chocados e, sem dúvida, maravilhados. E para tudo isto contribui a excelente fotografia e o jogo de cores, que variam entre os cinzentos, os pretos, os vermelhos e os azuis mais escuros e só apenas as cores vivas aparecem nos pratos que Hannibal confecciona. Tudo o resto é uma questão de nunca estar no extremo… é estar naquela zona cinzenta onde não há um mal totalmente negro nem um bem totalmente branco.

Ainda que os primeiros episódios, e incluo o que não foi exibido nos Estados Unidos, tenham tido um carácter procedural mais forte que os restantes, havia sempre alguma coisa ou alguém que nos alertava no fim que havia algo mais ali que não estávamos a ver. E, chegados que estamos ao final de ‘Savoreux’, o final de uma temporada que começou razoavelmente bem e que terminou com cinco estrelas, vemos, finalmente, tudo o que havia sido orquestrado e preparado e que recusamos a ver ao longo destas 13 horas quase cinematográficas. Foram 13 horas de arte, de como fazer bem televisão, de como fazer um thriller tão intenso que é capaz de não nos deixar dormir à noite. ‘Hannibal’ é assim mesmo, uma explicação para o facto de que não é preciso bons valores para ter uma boa qualidade; infelizmente, ainda é ignorada por muita gente e duvido que passe da segunda temporada. Contudo, em todas as horas que a série viva, estou seguro de que não abandonará a essência que me fez apaixonar por ela desde que comecei a ver, decentemente, a sua primeira temporada. E asseguro que, quem a viu, a leva como um dos melhores produtos televisivos em exibição, actualmente. Eu levo-a, e o caro leitor?

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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