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Sinal Aberto

Sinal Aberto #1 – Festival das Manhãs


Está lançada a nova rubrica de televisão. Um espaço onde apenas entra a crítica, um olhar atento e rigoroso sobre o que se faz na televisão em Portugal. Um mundo que sofreu alterações nas últimas décadas. Explosões de conhecimento e de protagonismo. A vida mais privada tornou-se pública e se antes era o espetador a ir à televisão, hoje é a televisão a ir ao espetador. Ela entregou-se à audiência. A necessidade de afirmação é cada vez maior. Uma indústria que tem um peso bruto em democracia. A sua importância vai agora ser destacada e em Sinal Aberto.

A partir de agora, fala-se Televisão.

O primeiro tema em destaque não podia ser outro. Envolveu uma transferência, mudanças nos formatos e nos cenários. Uma aposta forte que promete dar frutos a seu tempo. Quem nunca viu um dos talk-shows das manhãs? Este horário passou a ser um festival de egos e de pouco interesse para um público que cada vez vê mais televisão. Mas vamos por partes.

Desde a ida de Júlia Pinheiro para a SIC que a TVI acordou e viu a necessidade de proteger as grandes estrelas do daytime, mas alguma coisa lhe escapou. A atual diretora de conteúdos e desenvolvimento do terceiro canal sempre mostrou interesse em contratar Manuel Luís Goucha ou Cristina Ferreira, no entanto, o elevado valor de ambos no mercado meteu um travão no processo. A aposta da apresentadora neste horário tem sido evidente e mostrou já que não está para brincadeiras. Sem que nada o fizesse prever apanhou uma das revelações da TVI nos últimos anos. João Paulo Rodrigues ganhou um novo contrato e um novo horizonte profissional. E que horizonte! Sou defensor, desde cedo, do seu talento e da sua grande capacidade comunicativa. Defendi, desde o inicio, que precisava de alguém que o ensinasse e o puxasse para cima. Estava, aos poucos, a cair na monotonia. O público não perdoa. Faltava-lhe um parceiro à altura. Um sábio que o orientasse nestas lides. Foi inteligente e teve sorte. Atrevo-me a dizer que caiu no sitio certo.

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Estreou ao lado de Júlia Pinheiro o novo programa das manhãs da SIC, no inicio deste mês. Queridas Manhãs quer ultrapassar a escala. A TVI, uma vez mais, deixou escapar aquele que podia ser um peso forte da sua antena. Tinha carisma, força de vontade, boa imagem e, acima de tudo, popularidade. Muita popularidade. As pessoas gostam da sua presença. Marisa Cruz não lhe fez bem. Os programas insossos que lhe eram atribuídos, a pouca aposta num talento nato. Atitude muito pouco inteligente, TVI! Nuno Eiró, atenção e cautela, não te vá acontecer o mesmo!

No outro lado do campo está Manuel Luís Goucha e Cristina Ferreira. Imbatíveis, são os reis das manhãs. Fã confesso de Cristina Ferreira admito que, mais ano menos ano, é inevitável o inicio do declínio dos números que os têm feito líderes até agora. Acho, ainda assim, que a dupla tem muito para dar. As suas capacidades são infinitas e provas não lhes são precisas. A SIC, a principal concorrente e candidata à liderança, não fica à espera e tem ido à luta. Todo este festival está para durar e promete mudanças. Acredito que a aposta da estação de Carnaxide não vai ficar esquecida. O público deste horário é muito difícil de mover, no entanto, vai acabar por ceder à naturalidade e à boa disposição de Júlia Pinheiro e João Paulo Rodrigues. São concorrentes à altura do desafio!

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Apesar da opinião sobre os dois formatos não nos podemos desgrudar de um fator a que estes programas têm de estar atentos. O espetador que vê televisão neste horário é muito mais exigente. Deixou de ser apenas destinado a público de uma faixa etária mais avançada. O inicio das dificuldades financeiras trouxe uma maior disponibilidade ao público para assistir a este tipo de programas. O aumento do desemprego é um exemplo sólido deste fenómeno. Nesse sentido, a audiência passou a ter mais conhecimentos e a ser mais exigente com as estações de televisão. Assumiu, por isso, uma posição mais crítica através da interatividade existente com o avanço da tecnologia e até com a grande oferta existente. Pode, facilmente, mudar de canal e isso significa uma perda de espetadores para qualquer um dos programas em questão. Há que ter a capacidade de agradar a um maior número de pessoas. A palhaçada, as anedotas e o “cor-de-rosa” não pode ser o dominante. Há que haver diversidade nos conteúdos. E já a há. A verdade é que estes formatos foram integrados com objetivos bem definidos e com o propósito de entreter, no entanto, constata-se que passaram a assumir um papel pedagógico muito importante. Os talk-shows abrangem hoje uma grande componente informativa e de serviço público que não é apenas feita pela estação do Estado.

A contratação de João Paulo Rodrigues foi inteligente e proveitosa para ambas as partes. O programa das manhãs da SIC tem pernas para andar e os números indicam já uma subida nas audiências o que reflete o inicio da recompensa. O público gosta mas exige mais das estações e das produtoras.

Serão elas capazes de acompanhar a vontade daqueles que têm o poder nas mãos?

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