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Especial, Modern Family

As Lições de Vida de “Modern Family”


“Modern Family” foi uma série que sempre me apaixonou. Talvez pelas suas personagens, talvez pelas histórias que conseguem criar, semana após semana, e cada uma mais interessante que a outra, ou talvez seja pelo ambiente descontraído com que tudo é feito e produzido e contado.

Há comédias em que se vê claramente quem são os bons e quem são os maus. Tenha-se em conta “Brooklyn Nine-Nine” cujos bons são os polícias e os maus, quem eles apanham e prendem. Mas também há comédias e muito provavelmente a maior parte delas, em que não temos uma definição de pessoas boas e pessoas más. Temos personagens que balançam entre a parte boa e má da moralidade mas nunca fazem algo tão mau que os torne vilões ou algo tão bom que os torne os melhores. Acontece que muitas vezes temos os heróis, esses grandes ícones da nossa vida nos quais nos revemos tão intensamente quer seja pela sua vontade em deixar o mundo melhor ou, simplesmente, em querer deixar uma marca boa nas pessoas que tocam ao longo de toda a sua vida. Pode ser um pai, uma mãe, uma irmã ou um irmão mas, para nós, o nosso herói não muda e tão pessoal e intransmissível como a nossa alma ou o nosso ser.

Modern Family 5x12 - Under Pressure

“Under Pressure”, o episódio 12 desta quinta temporada agora em exibição, pressupôs uma troca de papéis entre pais e filhos. Em vez de ser a Alex, o Luke e o Manny a irem às aulas eram, respectivamente, Claire, Phil e Jay e Gloria que tomavam os seus lugares e observavam o funcionamento das aulas e, acima de tudo, procuravam entender o mundo cada vez mais exigente das escolas.

De facto, e ainda que a escola seja actualmente considerada uma “fábrica de alunos” seja ela de que ensino for, a cada ano que passa e acima de tudo, a cada novo desenvolvimento que as ciências fazem sejam elas as exactas, as das artes, as do pensamento ou até das línguas, todas elas exigem cada vez mais dos alunos seja em capacidades mentais seja em trabalho tanto dentro como fora de casa. Assusta-me pensar no tempo que muitas vezes se perde a tentar chegar aos objectivos e expectativas que não só os nossos pais mas também professores (ou pelo menos os que nos conhecem e tem contacto mais próximo) e certos amigos nossos põem em nós próprios e, se por alguma razão, não chegamos ao sítio que eles próprios querem temos de levar com o olhar da desilusão e da perda como se tudo o que valesse no mundo fosse o facto de termos aquele objectivo conseguido. Há muitos que parecem não se preocupar com isto e vão contra todas estas concepções e fazem da sua vida a que eles sempre imaginaram ao passo que outros, que decidem pegar nessas expectativas e tentam, num maior ou menor grau, ser aquilo que foi pensado para eles sem nunca olharem para dentro, para o coração, e pensar “Mas o que é que eu quero ser?”.

A história de Alex, desta semana, e a que mais me marcou por ser a mais séria e com a qual me identifico mais resume-se a esta expressão, quando ela falava com o psicólogo acerca da sua família: “They don’t get me”. É preocupante quando pomos tanta pressão em nós próprios e depois, todos aqueles com quem vivemos não dão valor ao trabalho que fazemos e muito menos aos sacrifícios que fazemos para que cheguemos àquele objectivo. E ainda se perguntam porque é que pomos tanta responsabilidade e tanta pressão em nós próprios. Não, não é só a escola que nos la põe em cima mas, indirectamente, são também os outros que a põem em nós próprios e quase instantaneamente (ou não fôssemos nós pessoas cada vez mais atentas aos sinais que o mundo e os outros nos dão) acabamos por entender o que querem de nós. Em certa medida, esta dose de pressão é boa porque nos obriga a estar num bom caminho. Mas, a mesma pressão talvez não seja boa quando se puxa cada vez mais, e cada vez mais fortemente, por alguém que já está a dar o seu 100% e não consegue dar mais.

E o que me fez chorar no episódio foi o momento entre mãe e filha, aquele instante em que a mãe lhe diz, “I get it” que é o mesmo que dizer, indirectamente, “I get you”. Chorei pela intensidade, pela honestidade do momento e por saber que ainda é possível uma pessoa entender a pressão e a loucura que a escola é nos dias de hoje. O truque, quem sabe, é arranjar um pequeno mundo dentro de nós próprios onde nos podemos refugiar sempre que tivermos vontade de destruir o mundo ou de simplesmente não querermos saber de estudos ou de trabalhos. O truque é saber que ainda há tempo para aliviar a nossa cabeça das pressões do mundo porque se assim não fosse, a geração actual ainda estaria mais perdida do que está. Porque, de facto, é nos pequenos momentos onde acabamos por abandonar este mundo e refugiar-nos no nosso que acabamos por ganhar as forças necessárias para enfrentar mais uma batalha nesta guerra da vida.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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