//
you're reading...
Being Erica, Espelhos

Being Erica #16


Distância. Esta palavra que significa tantas coisas revela-se sempre um problema para nós, seres humanos. Ela é sinónimo de que algo vai ser deixado para trás, que há algo novo (bom ou mau) para vir, que é uma situação necessária enquanto seres que precisam de crescer para saber o que há de fora da nossa zona de conforto. Já fez um mês o facto de eu, pela primeira vez, sentir o que é a distância bem de perto. Já faz um mês que, apesar de todos os sorrisos, de todos os sentimentos de desilusão diluídos nas fotografias de passeios e festas e ainda que estes em pouco número, faz hoje um mês que sai da zona de conforto e me pus num mundo selvagem onde burocracias, preocupações e pequenos desgostos fazem parte do cardápio daquilo a que chamamos rotina. Não me arrependo de nem um minuto deste mês que passou. Estão para vir mais quatro e quem me dera que lhes pudesse juntar mais 5. Quando se quer esta vida tão fortemente e tão intensamente, somos capazes de virar o mundo do avesso só para continuarmos, não é verdade?

O que é certo é que, chegado a uma semana de trabalho das 9h às 21h e com mais umas extras até às 3h, foram 5 dias onde mal me vi ao espelho, mal vi a cama, mal senti o que é ter um bom sono. Mas, no entanto, parece que tudo compensou… O andar de uma sala para outra em 2 minutos, o ter uma mão cheia de aulas expositivas e adormecer em 80% delas, por pouco mais de 5 minutos, e o melhor? As aulas de laboratório, que me fascinam e trazem à tona, o meu eu curioso, o meu eu trabalhador que não descansa até estar tudo orientado. Defeito meu? Não sei. Faz parte do feitio. E gosto demasiado disto. Apetece-me chorar, apetece-me gritar, tenho saudades, tenho vontade de fazer qualquer coisa que não consigo nomear mas eu sei que amanhã vai tudo estar melhor. Eu apenas sei. Hoje é o corpo a dizer para parar um pouco e recarregar forças. Amanhã será a mente a dizer-me para ir com calma, que tudo se faz. E porquê? Porque não vale a pena apressar o que não deve ser apressado. Vamo-nos dar mal, vamos cair e sentirmo-nos frustrados e, sobretudo, vamos perder uma guerra que não era suposto existir. E tudo para morrermos mais um bocadinho. Portanto, deixemo-nos ir com a maré, deixemos o nosso corpo, por hoje, ditar as regras. E amanhã logo se vê. Amanhã a distância já se sentirá mais longe e com isso, o sentimento de que há algo reservado para nós e que só temos de recuperar o ritmo.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

Discussion

No comments yet.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Biblioteca

Calendário

%d bloggers like this: