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Análise de Temporadas, Fringe

Fringe S05


Há um dom que eu procuro agradecer, todas as noites, quando coloco a cabeça na minha almofada. É um dom que todos nós temos, uns mais desenvolvidos que outros, mas que nos permite fazer coisas nunca antes imaginadas se certas variáveis não se colocassem “em ordem”. O dom de que vos falo é o pensar. Pensar bem, mal, à frente, no passado, no nosso presente, no que temos para fazer, enfim, dá-nos a caacidade de, enquanto seres humanos, de chegar a qualquer sítio seja pelas nossas capacidades seja pelo esforço conjunto de um grupo de pessoas que procura o bem da Humanidade e a sua perpetuação durante muitos e muitos anos.

Fringe S05 (1)

Meio ano volvido e falta, em mim, uma série como “Fringe”. Falta uma série que durante os seus 5 anos de existência me obrigava a pensar além da ciência e daquilo que acreditamos hoje, e que me fazia sonhar a cada episódio que era produzido e exibido. Apesar de muitos capítulos serem considerados de fillers, eram esses capítulos que nos faziam imaginar o que é que ainda estava por descobrir ou o que é que ainda está por saber desta Ciência, esses horizontes que teimam em não querer ser descobertos, que teimam em querer permanecer encerrados no grande baú dos segredos do Universo.

Cada adicto em televisão tem as suas séries favoritas e as séries que menos gosta, da mesma forma que na nossa vida temos momentos bons e momentos maus e na gastronomia temos os pratos que mais nos deliciam e aqueles que nem se nos podem colocar à frente. “Fringe”, desde que comecei a acompanhar, subiu rapidamente nos termos das minhas preferências de tal forma que hoje (e no Futuro) é e será recordada com o maior carinho e apreço. Quando as notícias de renovação teimavam em chegar, estávamos nós pertíssimo do final da quarta temporada, um final que acabou por nos dar uma sensação de conclusão, apesar de muitas pontas ainda se encontrarem soltas. Talvez a cereja no topo do bolo tenha sido a notícia de renovação para uma pequena temporada de 13 episódios que permitiria encerrar este grande capítulo da história da televisão por mais erros de argumento que se tenham cometido ou mesmo até por mais fillers que ainda podiam estar por vir.

Esta quinta temporada acabou por funcionar toda ela como uma caça ao tesouro, onde a cada episódio se pretendia chegar a um item que, futuramente, seria fulcral para eliminar uma ameaça à existência da própria Humanidade: os Observers. Dificilmente, senão quase impossível, seria escolher um mau episódio para esta temporada até porque todos eles encerram uma chave para aquilo que seria o grande plano que salvaria a Humanidade.

De facto, à medida que os anos vão passando e a tecnologia se torna cada vez mais avançada, a raça humana vai-se tornando, a pouco e pouco, escrava da sua própria existência na medida em que sem A não faz B que, por sua vez, condiciona C, não existindo D. Jamais haverá algum inimigo tão tóxico para a Humanidade quanto a própria Humanidade e, basicamente, esta quinta temporada de Fringe mostra-nos um futuro tão próximo de nós que quase o podemos tocar, e naquilo em que nos tornámos derivado, sobretudo, da nossa ambição e da nossa capacidade em ultrapassar os limites da nossa existência.

Fringe S05 (2)

“Fringe” conseguiu, nestas 13 horas finais, explicar tudo aquilo a que se propôs desde o início. Cada episódio, mais vivo e intenso que o outro, procuravam os pontos-chave da grande mitologia da série e faziam-nos recordar da beleza dos detalhes e desta ciência que está cada vez mais próxima de nós. Independentemente de tudo, foi uma grande despedida para uma grande série que não teve o mérito que merecia mas teve os seguidores a torcer pela sua renovação, pelos actores que deram vida a uma grande história e, sobretudo, aos fãs que apesar de certos trambolhões não desistiram de acompanhar uma das grandes histórias de ficção científica da televisão do século XXI.

É com grande pesar que vejo “Fringe” ficar, eternamente, no esquecimento de muitos mas é com grande admiração que olho para aqueles que lhe deram vida porque soueram pegar nos pontos fortes de uma história aparentemente sem amor para a tornar numa bela história de reencontro entre um pai e um filho, de mundos diferentes, que se aceitaram mutuamente e fizeram das suas vidas algo bem melhor.

De 100 episódios distribuídos por 5 temporadas ficam as boas memórias, as personagens e os pequenos grandes detalhes que tornaram toda uma mitologia possível e que nos fizeram pensar nos limites do ser humano e da sua ciência. Até sempre, “Fringe”.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

Discussion

One thought on “Fringe S05

  1. I just finished a binge watching on Netflix of the series Fringe! It was awesome! Thx for sharing!

    Posted by blessedbrother | September 18, 2013, 1:14 AM

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