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Boletim de Análises, Covert Affairs, Suits

Boletim de Análises #3 – Terças Inesquecíveis!


(…)

On, and on, and on because we make each other strong
Life’s unshakable (oooh baby)
Times can change and things can break
But you and I know where our hearts belong
Cause We’re unbreakable

(…)

O excerto da música que acima vos coloco pertence a Anna Sahlene, cujo título é “We’re Unbreakable” numa clara nostalgia à segunda temporada de “morangos com Açúcar”, em 2004, altura em que eu vibrava com as histórias e as personagens de um pseudo-suspense, uns tantos ou quantos romances com os seus pseudo-altos e baixos.

Da mesma maneira que mudamos os nossos gostos a nível de música ao longo do tempo, também mudamos de gostos no que respeita àquilo que queremos ver. Tornamo-nos mais esquisitos (leia-se selectivos) mas não menos fervosos amantes das histórias que seguimos. Somos até capazes de marcar como favorito uma página em que descrevem, ao maior detalhe, toda a mitologia das personagens e da história e do passado de uma forma clara, objectiva com a finalidade de nos deixar ainda com mais vontade de ver (ou rever) a série (ou filme ou livro) em questão.

Esta semana, e tal como noticiei no texto d’A TV em Números, procurava dar um sentido ao facto de ter começado a crónica com uma referência a uma música (a que em cima referi). De facto, a letra desta melodia leva-nos a pensar em almas gémeas, em pessoas que quando se encontram se completam de tal forma que a sua dissociação é tão mais difícil quanto maior o número de anos que aqueles dois passam e vivem. Se deixarmos a parte sentimental de lado e focarmo-nos apenas na parte indestrutível, tal faz-me lembrar duas grandes referências da televisão de Verão, minhas favoritas: “Covert Affairs” e “Suits”. De tal forma minhas favoritas que não deixo de me sentir decepcionado pelos episódios de estreia das novas temporadas destas duas séries.

Antes de mais, louvo a atitude do canal USA em colocar estes dois pilares da sua programação numa noite só. Apesar disto ser uma faca de dois gumes, não deixo de ficar tremendamente contente por dois grandes produtos estarem na mesma noite e ainda se mostrarem tão vivos e intensos mesmo durante já 4 e 3 anos, respectivamente. E talvez tenha sido a atitude mais correcta dado que “White Collar” foi colocada na Fall Season e “Burn Notice” encontra-se na sua última temporada pelo que podia permitir o lançamento de uma nova série mas nem isso ajudou. E refiro-me a esta decisão das duas séries numa noite ser uma faca de dois gumes porque o USA podia ter optado por produzir mais uma série de Verão original e ocupar as segundas e as sextas e reforçar ainda mais a sua posição enquanto canal de Verão.

Ideias à parte, partamos para aquilo que realmente interessa: o desapontamento perante os episódios de estreia das novas temporadas deste bloco de séries. E nada melhor que começar com “Covert Affairs” que, curiosamente e já supracitado, é a primeira série do alinhamento do USA das terças-feiras.

Boletim de Análises #3a

Foi em Dezembro passado, nomeadamente na última semana de aulas polvilhada de frequências e relatórios para entregar, que corri o risco de perder uma tarde para ver os últimos 6 episódios da terceira temporada de “Covert Affairs” que entretanto já tinha acabado. A primeira parte da terceira temporada foi exímia, especialmente a dois episódios do fim, onde nos é mostrado um game changer e tudo aquilo que pensámos até essa altura é-nos tirado como se um tapete por debaixo dos nossos pés subitamente desaparecesse. Claro que todos os restantes episódios, com os seus devidos altos e baixos, acabaram por surpreender chegando a um final intenso, misterioso e sobretudo, com muito sumo para mais uma temporada fantástica. Acontece que, quando aumentamos bastante as expectativas sobre alguma coisa, eventualmente podemos sair defraudados se não são correspondidas e, por mais anos de prática que se tenha neste mundo das séries, não há maneira de contrariar isto. E foi o que aconteceu.

“Vamos”, assim chamado o episódio que dá início à nova temporada, não foi mais do que 45 minutos em que não estávamos quietos para absorver o que nos era contado. Parecia um episódio de “Game of Thrones” onde íamos daqui para ali, e de ali para acolá, como que teletransportados, sem nunca parar para respirar, para recarregar e voltar a seguir. Só que “Game of Thrones” faz as coisas com conta, peso e medida e os episódios não parecem (ou não são) tão atabalhoados como o de “Covert Affairs” foi. Quiseram contar tudo logo no primeiro episódio, quiseram mexer-se logo para resolver tudo no primeiro episódio, quando essa decisão não foi a mais acertada porque daí resultou um episódio com muito pouca fluidez. Se há 16 episódios numa temporada, porque não usar dois para explicar as coisas convenientemente? Porquê contar tudo em 45 minutos e mais tarde na temporada produzirem um episódio filler? À altura que vos escrevo, já vi o segundo episódio. E estes sim, são 45 minutos de boa televisão onde as peças vão calmamente sendo colocadas nas suas casas respectivas e as jogadas vão sendo pensadas sem pressas.

Boletim de Análises #3b

E algo semelhante aconteceu com “Suits”. Não digo que não foi um bom episódio mas achei que boa parte dos 45 minutos tinham sido desperdiçados com um pseudo-drama entre Mike e Rachel que, sendo a série tão poderosda, não se pode dar ao luxo de perder tempo com isto. No início, tudo o que envolvia estes dois era interessante na medida em que se via um jogo entre a verdade e a mentira, entre um desejo carnal e algo mais mas não passava daí. Deste episódio, a única coisa que se aproveitou foi o final que mostrou a proposta de arco para estes primeiros 10 episódios (quiçá 16) e um jogo de xadrez entre Harvey e os seus clientes, de que tantas saudades sentíamos. E, da mesma forma que o segundo episódio de “Covert Affairs” me deixou mais contente, também “Suits” assim o fez mostrando-nos a estratégia e os jogos que fazem desta série algo grande.

De facto, juntar dois grandes pilares indestrutíveis da televisão veraniana parece, à primeira vista, um encontro de almas gémeas, algo que se sabe que vai funcionar. Apesar de os episódios de estreia não terem sido os melhores, ainda estão para vir mais 14 episódios e, portanto, a terça mágica ainda pode estar por vir. Por agora, teremos de nos contentar com as terças meramente inesquecíveis. Por agora.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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