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Projecção Jornalística

Projecção Jornalística #4 – O Regresso ao Passado dos Centros Comerciais


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É raro o país desenvolvido no mundo que não tem uma loja à semelhança do El Corte Inglés. Nós, em Portugal, somos uns afortunados por ter um desses exemplares que já é tão raro nos dias de hoje que se torna até difícil encontrar alguém que goste do conceito. Mas não era assim no século passado quando tudo começou com o Mr. Selfridge.

O feito conseguido por esta pessoa foi tão grande que houve alguém que decidiu criar uma série só sobre a vida dele e sobre tudo o que o rodeia. Essa série, claro está, chama-se “Mr. Selfridge”. E quem foi este senhor?

O Mr. Selfridge foi a pessoa que inventou o conceito de uma grande loja com todas as secções que uma pessoa visita quando vai a um centro comercial: desde roupa a perfumes, passando por acessórios de beleza até às bugigangas para a casa. Para o leitor comum do século XXI, esta é uma realidade normal, mas para o habitante em Inglaterra dos inícios do século XX, esta era uma novidade que, para além de criar estranheza, criava expectativas e euforia.

Quando o Mr. Selfridge abriu a loja, – note-se que era americano e queria introduzir esse conceito em Inglaterra – sonhava com um negócio de milhões, que todas as pessoas quisessem visitar e que ficasse para a história. E assim o conseguiu. Apesar de todas as críticas por parte dos “influentes” da sociedade, Mr. Selfridge conseguiu criar um negócio lucrativo e com sucesso. Os jornalistas eram os mais curiosos, porque, sendo o conceito da loja uma novidade em Inglaterra, era do interesse público mostrar tudo o que acontecia: se o negócio corria mal, se corria bem, se era bem ou mal frequentado ou até se as janelas estavam minimamente manchadas pela chuva. Mas Mr. Selfridge foi mais inteligente do que os jornalistas e rapidamente se tornou num influente na sociedade inglesa, apesar de ser americano.

A série com o nome homónimo retrata a vida deste magnata e fala sobre todos os ups and downs a que sobreviveu. Desde um motim de um movimento feminista, que por pouco não destruiu a loja, a uma visita do rei, silenciada pelos empregados e fora do horário de trabalho por questões de segurança.

“Mr. Selfridge” é uma série tipicamente inglesa como estamos habituados a, por exemplo, “Downtown Abbey”: os adereços na roupa, as decorações nas janelas e até mesmo os romances escondidos dos olhares do público para não criarem um buzz indesejado.

Esta é uma daquelas séries das quais não se pode esperar muito, mas que com o passar do tempo nos vamos deixando envolver pela magia inglesa e por todas as “brilhantezas” que nos dá. Aqui não há truques de magia: há apenas o romantismo do início do século XX, com a vida de um americano em Inglaterra a subir em flecha e com os clubes do burlesco no auge.

About Pedro Nunes Rodrigues

Assessor de imprensa/consultor de comunicação. Membro do LIVRE. Odeio erros ortográficos. Ex-estagiário do PÚBLICO. Consumidor ávido de séries. Cinéfilo quando o tempo o permite. Leitor semi-compulsivo.

Discussion

5 thoughts on “Projecção Jornalística #4 – O Regresso ao Passado dos Centros Comerciais

  1. Texto muito bem escrito que me deu vontade de ver a série, até porque sou fã de “Downtown Abbey”.

    Posted by helena frontini | July 10, 2013, 12:27 AM
  2. Parabéns pelo texto, está excelente e deu-me vontade de ver a série, que decerto tem a qualidade que os ingleses já nos habituaram. Mas por favor, não chame “Centro Comercial” a um “Department Store”, são conceitos completamente distintos e, se este assunto lhe interessar, estou disponível para falarmos sobre isto.

    Posted by Pedro Teixeira | July 10, 2013, 9:32 AM
    • Muito obrigado! Compreendo perfeitamente o ponto de vista, até porque não podia discordar de que uma “Department Store” não é um Centro Comercial. Mas o conceito que o Mr. Selfridge quis introduzir era exactamente uma “espécie de centro comercial diferente”, conceito este que entretanto arranjou a designação de “Department Store”. Também a mim me faz espécie que se chame ao El Corte Inglés de “Centro Comercial”, mas em português (bem falado) não há nenhuma expressão que seja completamente fidedigna à língua inglesa.

      Posted by Pedro Nunes Rodrigues | July 10, 2013, 6:59 PM
  3. A minissérie de 9 episódios, Mr. Selfridge, é uma adaptação de Andrew Davis (Razão e Sensibilidade) da obra de Lindy Woodhead. A história narra a vida de Harry Gordon Selfridge (Jeremy Piven, de Entourage), empresário americano que decidiu transformar o hábito de comprar em um prazer tão grande quanto o sexo. Assim, abriu a primeira loja de departamentos de Londres, conhecida como Selfridges. Situada em 1909, período em que as mulheres inglesas com poder aquisitivo começavam a se modernizar e a aproveitar mais a liberdade social, a produção acompanha a vida de Selfridge, um homem que, apesar de se dizer feliz no casamento, não deixava de aproveitar a companhia de mulheres da sociedade e estrelas de cinema.

    Posted by Courtney Hanson | July 19, 2013, 1:07 PM

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