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Espaço, Projecção Jornalística

Projecção Jornalística #3 – O caroço da laranja chamada Scandal


minha-proposta-PROJECÇÃO-JORNALÍSTICA3Todos nós gostávamos de ter alguém que nos resolvesse os problemas. Alguém que nos dissesse exactamente o que fazer quando estamos mais enrascados. Alguém que nos impeça de cometer loucuras quando a cabeça se começa a virar para aí. Esse alguém existe e tem nome: Olivia Pope.

Bem, a Olivia Pope não existe na vida real, mas como elas (com certeza que) há muitas. A Olivia era a directora de comunicação da Casa Branca, mas decidiu desistir do emprego que tinha para começar a própria empresa de advogados. Uma fixer é o que ela diz ser. E não são advogados; são gladiators in suits, como fica bem provado logo no primeiro episódio de Scandal.

O mais interessante é que não são mesmo advogados, de forma alguma. A Olivia (e a equipa que lidera) trata de arranjar soluções para os problemas dos outros (sendo que os outros são senadores e companhia). Problemas como homicídios ou escândalos sexuais. Mais uma série destas, dizem vocês, mas não é assim. Pelo menos não quando do que se trata aqui é de alguém que desistiu do emprego na Casa Branca (um emprego de sonho para muitos) por qualquer coisa que aconteceu. Mas essa “qualquer coisa” parece não querer desaparecer da vida da Olivia.

Para um jornalista, não há ninguém pior que (um)a Olivia. Todos nós gostamos que os grandes líderes deste mundo se enganem numa letra para poder fazer disso notícia. Todos nós gostamos de ver que eles não são tão perfeitos como dizem ser e como querem fazer crer ao mundo. Mas por isso mesmo é que a evolução nos trouxe as Olivias Pope (sim, não foi um deus, foi a evolução). A evolução trouxe-nos pessoas capazes de gerir uma crise sob grande stress e pessoas capazes de utilizar as palavras certas nas situações erradas.

A série torna-se interessante a partir do quarto/quinto episódio da primeira temporada. Até lá, é só contexto (que vos vai fazer falta para os episódios mais lá para a frente). Em termos técnicos, nada a apontar. Em termos de argumento, igualmente nada a apontar. Scandal tem história, tem uma linha de pensamento. Em poucas palavras, é uma laranja com bastante sumo.

Mas nem todas as laranjas têm um sumo doce e esta, para os jornalistas, pode ser bem azeda.

About Pedro Nunes Rodrigues

Assessor de imprensa/consultor de comunicação. Membro do LIVRE. Odeio erros ortográficos. Ex-estagiário do PÚBLICO. Consumidor ávido de séries. Cinéfilo quando o tempo o permite. Leitor semi-compulsivo.

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