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A TV em Números, Game of Thrones, Go On, Nikita, Warehouse 13

A TV em Números #1 – Números Verdes!


A TV em Números #1

Um baralho de cartas de cartas de jogar normal é constituído por 52 cartas, divididas em grupos de 13 que simbolizam os quatro naipes que tanto eu como o caríssimo leitor conhecemos muito bem. Cada carta de per si tem um significado diferente de jogo para jogo e cada jogo é, no seu todo, algo muito específico, cheio de regras e artimanhas que os jogadores aplicam para ou ganharem ou simplesmente para passarem um bom bocado na melhor companhia. A televisão não é, certamente, um baralho de cartas mas adquire uma profunidade muito grande dada, muitas vezes, pela miríade de histórias que nos são contadas e, por outro lado, das diversas personagens escolhidas para contar essa mesma história. Invariavelmente, a intensidade dada a cada uma das diferentes histórias e a cada uma das diferentes personagens é diferente e, por isso, toda a televisão é um meio bastante rico e interessante de todos os pontos de vista.

A nova rubrica do Laboratório de Séries, “A TV em Números”, procura explorar um pouco do mundo das audiências, o grande motor que faz girar e acontecer todo uma indústria de actores, de cenários, de deslocações. Muitas vezes há quem me pergunte porque é que dita série disse adeus tão cedo ou, noutras vezes, me dizem solenemente não entender porque é que uma história tão boa não é vista por muito mais gente. A resposta é muito simples: da mesma forma que a televisão é rica em histórias e personagens, também nós somos diferentes e, portanto, temos opiniões diferentes e não é por o leitor gostar da série “90210” que eu vou gostar.

A propósito do título que abre esta rubrica, “Números Verdes”, há muito para falar porque, se olharmos a toda a publicidade que se faz para se fazer vingar um produto, tal ultrapassa a nossa imaginação. E tudo, claro, em nome do dinheiro.

InGameofThrones2

“Game of Thrones” é, indiscutivelmente, a série que mais rende, actualmente. Se por um lado rende com os livros e toda a comunidade de fãs cresce (ainda mais) por esse mundo fora, os resultados que a série tem obtido desde a sua estreia são de invejar. Em apenas 3 anos, a série conseguiu superar-se em mais que uma vez chegando, ao episódio 6 da corrente temporada, aos 5.5 milhões de espectadores e aos 2.9 pontos percentuais de rating na demo dos adultos entre os 18 e os 49 anos (A18-39), a chamada classe comercial.

E se por um lado a qualidade muitas vezes equipara-se aos resultados obtidos pelo programa, por outro lado há séries que ficam muito longe daquilo que era esperado e nem mesmo a intensidade e a qualidade da história que é contada não chega para a salvar da guilhotina. E isto mesmo aconteceu com “Go On”, uma comédia da NBC sobre um homem que perdeu a sua mulher e se vê num grupo de pessoas que estão juntas para ultrapassar as suas perdas. A série até começou bastante bem mas, chegados que estamos à mid-season (de janeiro até maio), os seus valores decresceram para cerca de um quarto dos iniciais; para o leitor ter uma ideia, a série começou com uma média de 8 milhões de espectadores ao passo que o penúltimo episódio registou um mínimo de 2.45 milhões.

Slideshow Warehouse 13

De forma análoga, “Warehouse 13”, exibida pelo canal SyFy, e que se encontra actualmente a exibir a segunda parte da sua segunda temporada, já foi renovada e cancelada ao mesmo tempo porque, voltamos a concluir, os resultados não têm sido nada favoráveis: se a terceira temporada, em Julho de 2011 era visto por cerca de 2.2 milhões de espectadores, a primeira parte da temporada, exibida no Verão passado, perdeu 600 milhões de espectadores, e os 4 episódios exibidos actualmente, não vão além dos 1.3 milhões de espectadores. 

Ao mesmo destino de “Warehouse 13” não escapou “Nikita, no canal The CW. Tendo estreado, há três anos, com “The Vampire Diaries” como seu lead-in, rapidamente sofreu uma grande quebra aquando da sua segunda temporada, mantendo-se a descer mesmo na corrente temporada que teve o seu término na passada sexta-feira, dia 17. Resultado: renovação para uma pequeníssima temporada 4 apenas para dar possibilidade de terminar a história convenientemente.

Como o leitor pôde reparar, quando uma história começa a tornar-se desinteressante, não há nada que contrarie a queda abrupta nas audiências e o destino será, invariavelmente, o cancelamento ou a renovação para uma temporada bastante curta para que a história termine conveniente e isto, convenhamos, se o canal tiver amor aos seus fãs (e se tiver dinheiro para isso).

O mundo tem, de facto, mudado bastante porque se fosse há uns anos atrás, resultados como os obtidos por “Game of Thrones” na televisão aberta (ABC, CBS, FOX e NBC) não eram aceitados e, portanto, a série em questão não mais constava no horário do canal no Outono do ano seguinte. As estações televisivas têm-se adaptado e têm tentado fazer vingar as suas histórias num mundo cada vez cinzento e sem tempo para o entretenimento (ou, digamos, para séries complexas que mereçam um acompanhamento semanal). É certo que para nós não faz muita diferença mas, muitas vezes, é a diferença de uma ou duas décimas que define o cancelamento ou a renovação de uma série e, muitas vezes, por mais que nos custe admitir que uma foi cancelada, apercebemo-nos que talvez não tenha sido má ideia porque não haverá margem de manobra para cansar uma história e esta perder o brilho e, muitas vezes, mais vale sair no topo do que no fundo, não é verdade, caríssimo leitor?

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

Discussion

3 thoughts on “A TV em Números #1 – Números Verdes!

  1. Numa primeira instância, diria que a série está bem como está e não precisa de qualquer upgrade. No entanto, o canal tende a produzir episódios do tipo “caso da semana” e muitas vezes sem qualquer impacto para a linha principal que tendem a baixar muito a dinâmica da mitologia e do arco da temporada. Podem ser necessários mas, tal como vi na primeira temporada, há casos perfeitamente dispensáveis (embora sejam bastante imaginativos) o que acaba por a prejudicar sem qualquer necessidade.

    Posted by silver price | July 3, 2013, 11:25 AM
  2. O piloto da série é realmente de tirar o fôlego e logo de cara conhecemos o assassino que embala a temporada, Hoyt. A temporada tem um pouco de tudo, drama, ação, romance e muitas vezes comédia que fica por conta de todos os personagens, principalmente por Angela Rizzoli.

    Posted by Wesley Long | July 6, 2013, 1:43 AM
  3. O legal é notar que a piada não termina aí. Muitas séries hoje consideradas “nerd” jogam uma grande quantidade de piadas do tipo na cara do telespectador, muitas vezes soando forçadas, porque nem fazem sentido dentro da narrativa ou do episódio específico. Aqui isto não ocorre. Aquela piada lá do começo é utilizada para finalizar o episódio. Grayson compara a vida com o final do próprio filme, e como se não bastasse Jules retira o abridor de garrafa de vinho e gira, e ele fica ali girando e girando, fazendo referência ao peão. Genial.

    Posted by Kathie D. Burks | July 17, 2013, 2:40 AM

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