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Análise de Episódios, Fringe

Sobre Fringe 5×13 – An Enemy of Fate


Fringe 5x13

Na crítica anterior falei de Liberdade. Falei nesta espécie de humanos que se julga detentora do saber e da vida tal como nós a conhecemos. Talvez um dos factos mais curiosos de todo este desenrolar da história, foi o facto de os senhores nos mais altos postos (atente no homem à direita, na imagem) achar que esta era a época onde tudo aquilo que eles pensaram fazer da espécie, teria uma percentagem elevadíssima de sucesso. Uma época onde não haveria espaço para erros e onde tudo seria submisso e não seriam levantadas quaisquer questões. E tão convencidos que estavam destas suas probabilidades que não se lembraram de olhar ao Futuro… talvez porque não o tinham ou, simplesmente, porque estavam, claramente, a contar com a previsibilidade dos humanos.

Mas se há coisa que nós não somos é, exactamente isso: ser previsíveis. Podemos ter uma rotina definida, podemos ter horários para tudo e mais alguma coisa, mas não somos capazes de ter todas as variáveis sob controlo porque não nos cabe a nós tê-las. Porque, ao controlar tudo, o que nos garante que iríamos viver sempre com alguma expectativa? Quem é que nos garantia a felicidade? Quem é que nos garantia a surpresa, a expectativa, a ansiedade muito antes de algo acontecer?

Para esta espécie avançada, os sentimentos tiram a mística de uma grande inteligência. Para eles, estas duas coisas são como água e azeite, não se misturam. E, para eles, não tendo com quem se preocupar, preocupam-se apenas com as variáveis não fugirem do seu controlo para tudo se mantenha no caminho certo e possam extrair, de nós, o máximo de conhecimento possível. Uma vida previsível, portanto.

No entanto, desde que a equipa Fringe original saiu do âmbar, esta variável provocou alterações sérias ao seu Futuro, apesar de não quererem admitir. A sua imprevisibilidade, a sua capacidade de pensar muito além da inteligência racional, levou-os a repensar em todo o plano quando se viram sem saída, quando se viram se a peça fundamental para o funcionamento da máquina que Donald havia estado a construir desde o episódio passado.

Por entre tiros e mortes, abre-se um portal com a ajuda do equipamento que os Observers utilizavam para receber encomendas do Futuro, chuta-se lá para dentro um dos cilindros que estabilizaria o portal no ano desejado e tudo aquilo que bastava era o miúdo e quem o transportasse. E onde estava ele? Nas mãos de Windmark.

Olivia, prevendo a desgraça que iria ocorrer, corre a lutar contra este Observer e, na altura em que a batalha parecia perdida, faz uso dos seus poderes e apaga todas as luzes da cidade, ao mesmo tempo que deixa os alarmes dos carros ao redor completamente loucos. Windmark, curioso por tal feito, nem se lembrou de desaparecer e leva com um carro que o esborracha sem dó nem piedade, tal e qual da mesma maneira que este homem matou Etta.

Sem qualquer obstáculo na sua frente, Donald e Michael correm para o portal. Mas não é o seu pai que acaba por ir consigo para 2167. Donald sucumbe após ter apanhado com um tiro vindo sabe-se lá de onde… Não sendo o seu pai a levá-lo, Walter assume essa mesma tarefa com o mesmo sangue frio que assumiu os seus erros em 1985. Agarrou na mão do miúdo, transmitindo todos os seus sentimentos, e seguiram para o ano da mudança com as lágrimas na cara, de abandonar o seu filho Peter. E, de um momento para outro, o tempo e o espaço mudam… e vemo-nos em 2015, no dia da invasão, já sem esta, e com uma família feliz, no parque, a aproveitar as boas coisas da vida. E, numa sentida despedida, não nos poderíamos esquecer da túlipa branca, a flor que simboliza a fé e a vontade de acreditar que um dia, ajudou Walter a ultrapassar uma fase não muito boa da sua vida. 

“Fringe” volta a terminar com um final feliz. Termina sabendo todo o caminho que trilhou, sabendo todas as histórias que contou e sabendo todos os erros que cometeu. Não foi, sem dúvida, uma das melhores temporadas que a série já nos mostrou tão pouco teve uma história que nos agarrasse desde o início do episódio mas a quinta temporada fecha um ciclo, fecha uma mitologia que sempre quisémos ver resolvida, de uma maneira ou de outra. E termina-o de forma satisfatória e mostrou-nos, ao longo destes 13 episódios, todos os pequenos detalhes que fizeram da série aquilo que ela é hoje: uma série de culto.

Não me arrependo, nem por um bocadinho, das 100 horas que passei com esta história, com estas personagens, com estas teorias da conspiração e com os casos (muitos deles, sofríveis) que colocaram a minha imaginação e percepção num campo superior. “Fringe” mostrou-se capaz e à altura de muitos dramas inteligentes desta época e da época pré-2004. Inovadora e vanguardista, é uma série que guardarei no meu coração como a minha série. Não há espaço para mais nenhuma até porque “Fringe” preenche tudo. Talvez este seja um adeus curto porque, num futuro próximo, perder-me-ei a ver um ou outro episódio que me marcaram, verdadeiramente, e porque olharei àqueles belíssimos cartazes que tenho aqui guardados e lembrar-me-ei de tudo o que vi e o que deixei por viver com esta série. Até um dia, “Fringe” e espero encontrar-me contigo, novamente, e encontrar o brilho que sempre te caracterizou. 

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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