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A Ficção de Língua Inglesa Mais Bem Cotada do IMDb, Game of Thrones

2ºLugar: “Game of Thrones” (HBO, 2011)


InFLIMBQI

Por Jorge Pontes

Quando, hoje em dia, se houve o nome desta série que vos trago aqui hoje, “Game of Thrones”, muitas pessoas estremecem. Estremecem por inquietação porque falta muito pouco tempo para a nova temporada estrear, estremecem de loucura por ser a sua série favorita de todos os tempos, e até podem estremecer porque vêem a série e leram os livros e iniciam um discurso de comparação entre as duas linhas narrativas e parecem querer explicar algumas lacunas que, ao comum dos mortais que não leu os livros (tipo eu), porque é que aquela personagem agiu daquela forma ou até mesmo porque é que essa mesma personificação (ou outra completamente diferente) disse uma coisa que, muito provavelmente, devia ter ficado trancada no seu imaginário.

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O que eu tenho a certeza absoluta é que, quando a HBO decidiu avançar com esta ideia de tornar realidade um dos mundos mais fantásticos de todos os tempos, mal sabia ela que estaria a desenterrar um dos maiores tesouros da televisão mundial. E, de facto, não é por acaso que hoje se encontra num lugar de elevada importância no TOP de séries do IMDb. Porque se lá está, é porque é uma série mesmo boa. E pergunta-me o caro leitor, mas porque raio é esta série assim tão boa?

Em primeiro lugar, o mundo, as personagens e a história que nos é contada é puro drama, um género que tem vindo a desaparecer em toda a televisão americana para dar lugar aos procedurals ou até às híbridas que são, no fundo, procedurals mas que dizem ter drama só para fugir ao rótulo.

Em segundo lugar, todos os mesmo factores que determinam a categoria de drama, também determinam uma categoria que, em muitas séries, se parece diluir na megalomania de que tudo é atingível com um simples estalar de dedos: a realidade. A história de “Game of Thrones” é intemporal; mesmo que vivamos no período Contemporâneo e a acção decorra naquilo a que se assemelha a uma Idade Média, os problemas sociais e políticos, as motivações das personagens, que não são mais do que personagens-tipo, pretende mostrar uma realidade crua e sem qualquer dó nem piedade que, mesmo com as mudanças de regime ao longo da História, nunca conseguiram resolver o problema da desigualdade social e económica que cada vez mais parece assolar o nosso país. E mais, podemos não ter setas nem facas nem qualquer arma que nos ajudaria a sobreviver numa floresta, mas temos as palavras e essas, meu caro leitor, fere muito mais que qualquer arma branca porque é com uma simples palavra que se consegue destruir toda uma pessoa.

Em terceiro lugar, o guarda-roupa e os cenários são de uma beleza sem igual. Apesar de toda a equipa gravar em locais diferentes deste grande mundo, tudo se encontra conjugado de uma maneira tão real que parece que o espectador entra pelo ecrã da televisão ou computador e experiencia toda uma nova maneira de viver, toda uma “nova” sociedade.

Game of Thrones 2x10 - Valar Morghulis

Em quarto lugar, a mística dos dragões e da magia. Num mundo absolutamente normal, nada disto existe mas que seria da história de “Game of Thrones” se não tivesse uns dragões à mistura? Afinal, não temos a Daenerys que é descendente da Filha do Dragão?

E em quinto lugar, a capacidade de a história, seja em qualquer ponto da mesma, nos conseguir cativar com os seus diálogos, com as alterações das mentalidades das personagens, com um mudar sucessivo do poder deste para outro, etc. E nem a propósito, Tyrion Lannister surge como uma das minhas personagens favoritas; apesar da sua pequenez, este homem não se reduz em nada à sua insignificância… muito pelo contrário, ele pega na sua inteligência e remexe para de lá extrair os planos mais complexos e, ainda assim, expectaculares e perfeitamente executáveis ou até mesmo aquelas one liners que nos deixam de queixo caído. E é com esta personagem com a qual mais me identifico; talvez porque queria ter uma personalidade mais incisiva como a dele, talvez pela sua capacidade de olhar além do momento presente, talvez porque, apesar de pequeno, ele não se deixa intimidar pelos grandes. E, por outro lado, Daenerys surge como a minha personagem feminina favorita porque, apesar de a sua importância não ter sido elevada no decorrer da temporada dois, a sua pessoa consegue tocar e cativar os outros, mesmo quando não lhe dão o devido crédito. Podia aqui chamar-lhe de ingénua mas se há evolução mais notória nesta personagem foi a sua capacidade de o deixar de o ser ou sê-lo quando tem algum objectivo escondido na sua manga. Ouso dizer que são duas personagens que, na minha perspectiva, se completam como o yin e o yang: um pela sua atitude racional, pela sua capacidade em não se deixar pisar pelos outros; e a outra, pela sua capacidade emocional, e de direccionar as suas emoções para um objectivo único, o de se completar totalmente até se conseguir sentar no grande trono de ferro.

Se há coisa que a série de “Game of Thrones” conseguiu criar foi esta antecipação, esta expectativa aumentada numa série de vezes que parece não querer saciar, mesmo quando o episódio se encontra a correr à minha frente. É, de facto, uma ansiedade estranha que me deixa totalmente alterado mas que, ainda assim, semana após semana, durante dois meses e meio, me deixa ainda mais feliz, ainda mais maluco e, sem dúvida, com uma enorme vontade de começar a ler a longa saga.

“Game of Thrones” é uma série especial. O caro leitor bem sabe do carinho que nutro por “Fringe” mas, nada se compara a este grande monstro da televisão. Por todas as razões que eferi acima, e se calhar por outras que o caro leitor se lembrará, “Game of Thrones”, desde a sua estreia em 2011, criou e aumentou a sua legião de fãs, e não duvido que, hoje em dia, essa continue a aumentar exponencialmente. A sua história é viciante, as personagens ainda mais viciantes, e tudo se conjuga numa hora de grandes ânsias e desejos de ver qual é o próximo a morrer ou a ficar mais perto da morte, ou mesmo até o próximo a recomeçar uma guerra pelo trono de ferro. Faltam pouco mais de dois dias para o regresso desta grande série que, não duvido, manterá uma qualidade exímia nas próximas dez horas que compõem a terceira temporada. Estamos nós prontos a regressar a Westeros? Peguemos, então, na nossa mochila com os devidos mantimentos e esperemos, pacientemente, pelo portal que nos leva directamente ao mundo mais fantástico alguma vez criado na literatura e que, posteriormente, deu origem a uma série que já se encontra no culto de muita gente espalhada por esse mundo fora.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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