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A Ficção de Língua Inglesa Mais Bem Cotada do IMDb, Breaking Bad

3ºLugar: “Breaking Bad” (AMC, 2008)


InFLIMBQI

Por António Guerra

No meu primeiro ano de faculdade um professor meu, de Química Orgânica, para demonstrar o poder das reacções (falando da cena que se passou no 2º episódio, com o ácido a corroer a banheira), resolveu falar de “Breaking Bad”…Só que, por acaso, enganou-se. Chamou-lhe Broken Bad. Claro que foi o único a rir-me que nem um parvo de tal, mas cada vez que me recordo dessa referência mais razão dou ao meu professor…

InBreakingBad

Porque, no início, “Breaking Bad” não é mais que um homem sem dinheiro que escolhe o “mal” (ou um caminho traiçoeiro…) para tentar subsistir-se contra a doença que assola inúmeros seres humanos: cancro. Walter White é um homem íntegro, que viveu sempre a vida abaixo das suas possibilidades, devido a um erro parvo cometido quando, de novo, precisava de dinheiro desesperadamente: vender por trocos a participação numa das empresas que, na altura em que entramos na vida deste homem, vale milhões. É um génio preso numa sala de secundário, a tentar fazer da isomeria algo interessante para alunos onde o que interessa é as belas diferenças entre os sexos. Um homem que já desistiu de sonhar (ao contrário do que vemos nuns episódios, em que na altura em que compra a casa, os sonhos florescem pela mente do jovem WW) e que se conformou com aquilo que tem: um filho com dificuldades e uma mulher que passa a maioria do tempo fechada em casa. Um casamento americano, no fundo…

Até que, certo dia na pacata vida de Walter, surge o cancro. Se não sonhava, Walter White começa a ter pesadelos: numa família onde ele é a única fonte de rendimento, um filho que terá dificuldades no mundo e o risco de deixar Skyler, a sua mulher, sozinha contra estas todas dificuldades e até mais uma: a chegada de um novo elemento à família White. O desespero apodera-se do homem, e um homem desesperado é um animal preso entre a espada e a parede: os actos também se tornam tais. Assim, e com a mente presa naquele corpo, surge a solução: metanfetamina.

Para tal, é preciso introduzir-se Jesse Pinkman, o homem que ajuda Walter a introduzir-se neste mundo. Tem a particularidade de ser antigo aluno de Walter, o que faz com que este tenha alguma confiança nas suas capacidades…algo que se revela rapidamente errado. Jesse é um miúdo, com tendências drogadas (que leva a situações bem extremas…), pelo qual, para quem vê a série, surge sempre a pergunta: Como é que ele se tem safado? (Para quem não sabe, Jesse estava para morrer no 8º/9º episódio da 1ª temporada…acabou de se salvar devido à greve dos argumentistas (a 1ª temporada de Breaking Bad tem apenas 7 episódios)) Vive ao sabor do momento, com o contacto perdido com os pais devido às suas escolhas de vida…talvez, e procurando bem no Jesse que encontramos a sair pela janela de um quarto logo no início, o melhor elogio que se encontre é que é apaixonado, leal e nunca desiste.

É esta parceria que comanda a narrativa da série. A conquista de um professor de química e de um seu ex-aluno nos mundos da droga. E é aqui, neste pequeno ponto, que “Breaking Bad” se torna a melhor série que, na minha opinião, tive privilégio de ver: para além de toda a envolvência que a série tem, sentindo que as personagens têm sempre um perigo à porta e como se verão livres de tal, com os seus momentos de acção e perigo (ajuda Walter ter um cunhado que trabalha para a DEA), a série consegue ter interesse no acompanhar da transformação de todas personagens que a protagonizam, principalmente Walter White e Jesse Pinkman.

Talvez a melhor forma de ver isso é quando se revê a série, tal como tenho feito, e se vê um Walter totalmente diferente aquele que agora comanda as operações. A mudança de Walter é de um homem que tinha pesadelos para os provocar a quem rodeia, um homem sem dó nem piedade, para o qual tem cada vez mais importância os fins e não as consequências. Mas, e ao rever a série, e se a transformação de Walter para Heisenberg é absolutamente fenomenal, a de Jesse não fica atrás.

Porque Walter é uma transformação. As qualidades e defeitos sempre lá estiveram, apenas se vincaram mais uns que outros. E todos os aspectos da personagem, como a inteligência, só para dar um exemplo, é uma constante. Existe uma transformação moral. Jesse tem essa, mas tem um crescimento. Não é uma linha recta sem declive, que atravessa um caminho para um homem diferente mas com a mesma “ordenada”, mas sim uma recta com declive, onde cresce tanto intelectualmente como muda pessoalmente. Uma das cenas onde se nota isso claramente é quando tem de enfrentar o cartel sozinho, sem companhia de Walter, e faz o seu trabalho, sem precisar da mínima ajuda.

Mas, o que também é interessante, é ver que as personagens influenciaram-se tanto que inverteram os papéis. Jesse era uma criança, e agora está um adulto responsável, a pesar bem todos os passos que dá não só para o bem pessoal mas também com uma atitude de sociedade e consciente. Walter mudou um pouco para Jesse aqui, uma criança que, apesar de perceber (e Walter percebe bem) que os actos que por vezes toma poderá destruir mais que uma vida, faz na mesma devido ao proveito pessoal que traz…é uma criança sobredotada, se assim quiserem.

Claro que nem tudo é perfeito: “Breaking Bad” tem um problema enorme…para quem tenta escrever sobre a mesma, a série é tão complexa e com tantos modos de ver que se torna quase impossível sentir-se satisfeito quando se termina um texto sobre a mesma. Talvez seja o melhor elogio que se possa fazer à série: é quase impossível descrevê-la completamente, mesmo que a amemos e a conheçamos imensamente bem. Porque há sempre aquele lado que nos esquecemos.

Por isso, e para todos vocês que por aqui lêem estas letras, o melhor conselho que vos tenho a dar é que vejam. Para quem ainda não partiu nesta jornada, façam já…Para quem já o fez, e que sente que ainda falta imenso para Junho/Julho, revejam. Vejam o que se passou, apreciem ainda melhor a série (revendo tal nota-se claramente a jornada que foi feita, e ainda se aprecia melhor tudo…) e encontrem outro lado a “Breaking Bad”.

Porque, se o meu professor de Química Orgânica uma vez a chamou de Broken Bad, não se referia à série mas sim ao protagonista que a conduz…porque, de falido, tanto de ideias, brilhantismo ou algo que fazem das séries memoráveis, “Breaking Bad” não está nada. É imensamente rica nisso…como já disse, é a melhor série que alguma vez estes olhos deverás míopes tiveram o prazer de ver e rever. Resumir melhor a série que isso torna-se complicado e inglório.

About Convidado

Porque eu também tenho algo a dizer.

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