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Face Maker, The Drama Lab

The Drama Lab – Face Maker


Face Maker

Como o caro leitor já pôde muitas vezes acompanhar aqui no blogue, muitas vezes deparo-me com diversos pensamentos sobre querer ser outra pessoa e viver uma outra vida. Não deixa de ser curioso esta sensação de insatisfação que nós, seres humanos, muitas vezes sentimos. Talvez porque nos aconteceu algo que queremos, com toda a força, esquecer. Talvez porque temos uma vida demasiado rotineira e queremos sair dela ao ponto de mudar radicalmente. Ou, simplesmente, porque queremos saber o que é ter uma personalidade totalmente diferente da nossa e sentir uma outra mente, uma outra box de memórias.

No longíquo Verão de 2012, dou por mim a consumir, avidamente, um dorama do qual a Vanda já me tinha feito a respectiva promoção usando as palavras “óptimo”, “espectacular” e o usual “tens de ver”. Foram, em duas tardes, os 13 episódios que compõem este dorama que nos fala de mudança. O seu nome é “Face Maker”.

A uma primeira instância, para o leitor que gosta de fugir aos típicos casos da semana, “Face Maker” parece não ser o dorama ideal porque 12 dos 13 episódios retratam a vida de 12 pessoas completamente diferentes cujas vivências as obrigaram a recorrer a um antigo cirurgião plástico da marinha dos Estados Unidos da América (EUA) que lhes mudou toda a aparência física. O único preço a pagar seria o rosto antigo da pessoa que se submete a este tipo de cirurgia.

No entanto, o facto de ser um caso da semana, não lhe tira o mérito de ser uma boa série. Apesar de uns serem menos dinâmicos que outros, as histórias que nos são contadas pertecem a pessoas reais que podem muito bem pertencer ao nosso vizinho da frente que, em épocas festivas, no oferece sempre um doce para nos adoçar a alma. Quem sabe, um dia, não fôssemos nós recorrer a uma medida tão radical como mudar o nosso rosto para fugirmos de nós próprios.

Face Maker (1)

Mudança é a palavra de ordem em todos os episódios. De facto, por mais que queiramos mudar a nossa aparência física, não podemos mudar quem nós somos porque esse trabalho de construir a nossa personalidade, a nossa alma, não pode ser trocado por uma simples mudança de rosto. O core da pessoa continua lá apesar daquilo que tem vestido ser completamente diferente. E é isto que a série nos ensina. Faz-nos ver que a aparência física não é mais do que um adereço que serve, unicamente, para mostrarmos às pessoas que estamos presentes, que somos pessoas reais, palpáveis. Faz-nos ver que, depois de mudarmos a aparência, nos tornamos pessoas completamente diferentes do que éramos antes e, por isso, perdemos a essência que nos caracteriza ao ponto de haver uma despersonalização total, levando, quase, a uma perda da nossa sanidade mental. Até porque, sem que nós queiramos, o rosto antigo que lá ficou vai sendo vendido e, com ele, toda uma pessoa ganha uma vida que não era a dela e pode ser acusada de algo que nunca fez ou mesmo até perder-se na vida antiga da outra pessoa através de reencontros estranhos e de situações muito embaraçosas.

Face Maker (2)

E é no último episódio, depois de termos conhecido casos pontuais de mudança, que ficamos a entender a história deste cirurgião que tantas vidas mudou. Até porque é a sua história, a grande mitologia da série e a que lhe dá o brilho sem parar à medida que vamos avançando em direcção à conclusão desta história.

“Face Maker”, no fim de tudo, apaixonou-me. Foi o primeiro J-Drama que acompanhei fielmente e não deixei de ficar surpreendido pela crueldade com que muitos casos eram mostrados e falados e pela fantástica caracterização das personagens e as mudanças que elas sofriam ao longo do tempo. A história e a mitologia que lhe é inerente mostraram-se fortes ao longo de todos os episódios deixando-me, sempre, com vontade de ver muito mais e querer respostas às questões que, a pouco e pouco, iam surgindo na minha cabeça.

Com uma grande carga emocional e temas que pedem a nossa reflexão, “Face Maker” entrou directamente para os meus favoritos porque a série, em apenas 13 episódios, conseguiu muito mais que muitas americanas de 22 ou mesmo de temporadas pequenas: surpreender-me, salivar por mais, reflectir e no fim, concluir a história, não esquecendo aquele pequeno detalhe que nos faz imaginar como se desenvolveria a história numa segunda temporada. Foi, em dúvida alguma, uma aposta ganha e uma aposta inteligente e espero, num futuro próximo, poder encontrar uma nova história que me envolva tanto e me agarre e me faça correr lágrimas como “Face Maker” o fez.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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