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Análise de Episódios, Mockingbird Lane

Fall Season 2012: “Mockingbird Lane”


Desde o aparecimento da televisão e da criação de programas de entretenimento, muitas foram as famílias e as histórias que preencheram as nossas noites. Com bons ou maus desenvolvimentos das personagens, o espectador desenvolveu um espírito crítico e hoje, mais do que nunca, todos nós somos esquisitos no que toca àquilo que queremos ver. Se, no passado, mais propriamente em 1964, “The Munsters” chegava à CBS tentando contar a história de uma família de monstros, “Mockingbird Lane” tenta ser o grande reboot desta série de culto mas falha redondamente. Podia até ter o melhor elenco da actualidade, podia até ter o melhor director e produtor e podia até ter o melhor escritor por detrás mas nada disso chegaria para cativar. Mas, antes de entrarmos no episódio, passemos um olho àquilo que se passou com a série desde que a ideia foi posta na mesa.

“The Munsters” é, tal como referi acima, uma série de culto. Faz parte de uma geração onde a televisão dava os seus primeiros passos e as histórias de outras pessoas preenchiam o horário nobre da sociedade de então. E porque não criar uma comédia sobre uma família de monstros? Aliás, nessa altura, todas estas personagens faziam parte do nosso imaginário e medo tínhamos nós delas, se alguma nos aparecesse à frente. Apesar de ter apenas durado duas temporadas, foram exibidos todos os seus 72 episódios e criou-se um carinho especial por esta família.

Numa altura onde o espectador é bastante selectivo naquilo que pretende ver, Bryan Fuller propôs desenvolver um remake desta interessante série pegando na mesma família e adaptando-a a uma situação mais…moderna. Tendo já visto algum do seu trabalho em “Pushing Daisies”, Bryan Fuller iria, certamente, deixar uma marca irónica e dar um tom mais cómico (e infantil) a um assunto que ainda hoje nos faz tremer: a morte. Em “Mockingbird Lane” nota-se esta brincadeira com a morte num tom mais infantil mas parece não funcionar dada a história principal e o facto de estarmos a falar de uma família.

Mockingbird Lane

Quando falamos de uma família de monstros, não pensamos que teremos uma enorme variedade até porque nos questionaríamos sobre a maneira como se reproduziam. Neste caso temos um avô vampiro, uma filha fantasma, um genro frankstein, uma filha normal e um miúdo lobisomem que não sabe (ainda) das suas verdadeiras capacidades… apenas que, em noites de lua cheia, de nada se lembra. E durante todo o episódio, a história gira em torno do “conto/não conto” ao miúdo que não quer ser um assassino ou um sugador de sangue como a sua família; e, também, não quererá ser como o seu pai que em certas alturas precisa de mudar o seu coração e colocar mais uns quantos agrafos porque as emoções que sente dão cabo dele. Pergunto-me, pois, se terá sido este o caminho certo para um piloto. A meu ver, não foi porque Bryan Fuller quis recuperar o core da série original, que naquela altura pegava. Actualmente, pedimos muito menos das personagens e das suas histórias… Afinal, apenas de já termos passado a era dos “CSI”, ainda procuramos aquele procedural que não exija muito das nossas cabeças nem dos nossos olhos. E depois de terminado o episódio, contentes vamos para algum sítio sabendo que não teremos de ver na semana seguinte porque a história não é contínua.

No fundo, “Mockingbird Lane” procurava ser um drama familiar diferente, procurava recuperar o diamante da década de 60 e falhou redondamente. Falhou porque a história que mostrou era pouco dinâmica, porque aquilo que mostrou não se adequa aos tempos de hoje e falhou porque não foi tão imaginativa quanto se pensava que ia ser. E pesando tudo isto, a decisão da NBC em não continuar com a série foi, a meu ver, sensata. Quem sabe quanto mais dinheiro teria de ser gasto para produzir uma temporada de 13 episódios… De que vale, pois, ter um elenco de luxo com Jerry O’Connell ou Portia de Rossi ou até Eddie Izzard se a história não se adequa aos dias de hoje? Quem sabe o paradigma da televisão americana mude daqui a uns anos e os dramas familiares voltem à ribalta. Quem sabe se, daqui a uns anos, com melhores efeitos especiais, as coisas não serão melhores para fazer um remake desta série que apaixonou uma geração. 2012 não foi, ainda, “o” ano para esta série renascer das cinzas. 

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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