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Análise de Episódios, Futurama

Sobre Futurama 7×13 – Naturama


Desde o nascimento até à maturação sexual, todos os animais são levados a conhecer as alegrias e tristezas da vida. Quer sejamos homens ou mulheres, os nossos caminhos são, necessariamente, diferentes apesar de muitos dos nossos objectivos serem idênticos. No fundo, todos nós nascemos para dar, no Futuro, continuidade à nossa espécie. No fundo, todos os animais, dependendo do seu habitat, vivem e crescem para dar continuidade à sua própria família porque é assim a lei da vida.

“Futurama”, como é óbvio, não podia despedir-se sem antes nos dar o melhor episódio desta sétima temporada. Fazendo lembrar o mítico Reincarnation, o episódio que findou a sexta temporada, a série volta a partilhar três interessantes histórias onde os animais são os principais protagonistas. E, claro está que esses animais não poderiam fugir das personagens que sempre conhecemos até porque aquilo que vimos no episódio não é mais do que o instinto e a personalidade cada um levada ao extremo.

FRY, LEELA e ZAPP

A relação de Fry e de Leela tem sido, desde os primórdios da série, algo interessante de se acompanhar. De facto, a conjugação dos seus defeitos e qualidades mostra o quão cómico este casal é, além de nos mostrar, igualmente, um lado mais reflexivo ao obrigá-lo a crescer e a tornar-se mais homenzinho. E, não haveria história melhor para falar desta relação, que colocá-los como salmões e “analisar” todo um ciclo de vida que não pode ser tomado com leviandade.

De facto, são os salmões um dos grandes símbolos da sobrevivência e onde os fins justificam os meios. Eles que são capazes de morrer a subir o rio onde nasceram, denota, logo, um grande sentimento de ligação para com as suas raízes e, nesta história, tudo vale.

Fry que, ao sair do seu rio, encontra a “peixa” dos seus seus sonhos, Leela, matura-se, sexualmente, sempre a seu lado até ao dia em que têm de voltar ao lugar onde nasceram. Contudo, e como o amor precisa sempre de um incentivo, este casal é separado porque cada um nasceu em sítios diferentes. Como não pdoeria deixar de ser Zapp, também na forma de peixe, surge no meio do cardume e assume Leela como sua porque nasceram no mesmo local. Leela, completamente amargurada, é obrigada a acasalar com ele.

E quando tudo parecia perdido, Fry pega na raiva que tem pelo peixe que roubou a sua amada e, num espectacular salto digno de Jogos Olímpicos, salta além da barreira de pedra que separa os dois rios…para cair na areia! Com a ajuda de um urso, que havia comido Zapp, ele volta à água e rapidamente se junta à sua amada não só para fertilizar os ovos que ela deixou no fundo do rio, como para morrerem os dois…felizes.

PROFESSOR HUBERT

Como que numa referência científica à recente extinção das tartarugas das Galápagos, o professor Hubert Farnsworth é levado até este arquipélago e é transformado… numa tartaruga! Lento e maluco, características da personagem que sempre conhecemos, é impulsionado por alguns pássaros e um texugo (??) a subir uma colina e encontrar a sua mada há muito perdida para que haja um acasalamento e a esta espécie milenar possa continuar viva.

No exacto momento que Hubert estava a tentar procriar com uma pedra (!) aparece a fêmea que ele sempre procurou lançando a “traidora” para o abismo. Por entre gemidos e comentários pouco apropriados quanto aos genitais de Hubert (!), lá se conseguem arranjar uns três ovos.

Depois de o respectivo tempo de incubação para que as crias nascessem, inadvertidamente, caem pelo abismo por onde, em tempos, se lançou uma pedra gigante. As pequenas crias vão cair, exactamente, ao pé da pedra que, por acção do vento (?), da gravidade (?) ou simplesmente porque lhe apeteceu, cai e mata as crias dando por extinta esta espécie de tartarugas gigantes.

BENDER

Numa distante colónia de leões marinhos, Bender dá por si a ser o alpha male daquela comunidade. Ele, que possui um dos maiores hárens que este planeta já viu, domina a procriação e a perpetução daquela espécie e facilmente afasta os outros machos com os seus gritos de poder.

Perdido no meio dos machos perdedores, Kif decide ir à luta pela bela Amy (Lauren Tom) oferecendo um Zoidberg como presente. É claro que Bender ao saber desta acção não ficou nada contente e expulsa-o daquele local. Mas Kif, como que movido pelo amor àquela leoa, é levado a desafiar o líder e a lutar pela liderança mas, infelizmente, perde a batalha e é dado de comer às gaivotas que por ali voavam.

E o curioso de tudo isto é que os machos perdedores, por o líder estar a lutar avidamente pelo poder, conseguiram procriar e dar continuidade à sua própria linhagem conseguindo, por entre as sombras, colocar as suas amadas grávidas.

Com três histórias de fazer amolecer o coração e mostrando que o instinto animal está sempre aceso na hora de lutarmos pela nossa sobrevivência, “Futurama” volta a colocar as personagens em ambientes que nós julgávamos impossíveis fazendo uso das suas características peculiares para nos dar as três melhores histórias desta terceira temporada. Continuando fresca, irreverente e com uma crítica social bastante subtil, “Futurama” promete voltar para o ano e surpreender, de novo. O leitor promete voltar quando a série regressar? Eu, de certeza, por aqui estarei e quero, claramente, a sua companhia.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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