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Análise de Episódios, Fringe

Sobre Fringe 5×04 – The Bullet that Saved the World


Captain Windmark: You never know when to give up.

Estando numa guerra aberta, todos os envolvidos sabem que, em algum ponto na sua vida, terão de desistir e fechar os olhos. Qualquer que seja a razão, nós não somos infinitos e não duramos sempre e, por vezes, vemo-nos entre a espada e a parede, cientes de que não há volta a dar e que a única maneira de seguir em frente é enfrentar aquilo que nos deixa completamente petrificados: o medo.

Ao quarto episódio da quinta temporada, “Fringe” ensina-nos uma lição muito importante que tão depressa não esqueceremos: o nosso círculo de aliados será, sempre, a nossa família. E à medida que o tempo passa, não conseguimos esquecer aquelas pessoas com quem lutámos e com vivemos aquele tempo de guerra… afinal, todos passaram pelo mesmo mas todos interpretam de uma maneira distinta todos os acontecimentos e, claro, todos têm uma opinião sobre a guerra onde foram colocados.

E até um certo ponto, quando parece que está tudo a correr bem, há um factor que nos lembra que descansar está fora de questão. É preciso estar com os sentidos todos em alerta caso aconteça o inevitável: o ataque pelo inimigo. E, neste episódio, tudo ficou um pouco mais claro: a guerra acabou de se tornar numa vingança pessoal.

Em primeiro lugar temos uma nova cassete que é retirada do âmbar. Fica-se a saber que existem uns planos misteriosos escondidos por Walter numa estação de metro de Manhattan e todo um plano começa a ser traçado para os conseguir reaver. Descemos até uma cave, abaixo do laboratório, que esconde os segredos dos quatro anos de casos Fringe que vivemos e experienciámos e temos a sensação de que tudo aquilo que experienciámos, nas temporadas anteriores, não foi uma perda de tempo.

E, sabendo que lutaram contra estes eventos estranhos, está na hora de esta equipa riar um evento massivo que revele aos superiores que este plano terá sucesso. Já perto da estação, começam a ser lançadas bombas que aceleram o tecido de cicatrização e tanto Observers como Loyalists, que se encontram ali perto, sucumbem a este grande poder biológico.

Sem saberem são seguidos pelos Observers até a um descampado onde estavam reunidos com Broyles. A ele são lhe passados os planos cheios de equações matemáticas complicadíssimas e cabe-lhe a ele guardá-los com a sua vida. A equipa ainda consegue fugir mas Windmark, que viaja mais depressa que o vento, deixa Etta sem qualquer saída num barracão onde a luz pouco ilumina e o pó domina.

Sem conseguir impedir que Windmark lhe leia, Etta começa a ver a sua vida a passar-lhe à frente dos olhos e lembra-se do seu pai, Peter, a querer agarrá-la e protegê-la. E lembra-se, também, do fio que este lhe comprou para que colocasse, ao pescoço, a bala que esteve, no final da quarta temporada, dentro da cabeça de Olivia. Diz-se que foi esta a bala que salvou o mundo.

E, num dos momentos mais emocionantes e, sem dúvida, mais chocantes, Windmark dispara sobre o seu abdomén e escapa por entre o espaço-tempo, vitorioso. Etta, deixada ao abandono, ainda consegue olhar os seus pais e avô nos olhos e com um sorriso na cara. Parecia ela que tinha cumprido a sua função neste mundo. Mas não se despediu deles sem antes activar uma bomba de anti-matéria porque, no seu coração, sabia que o inimigo viria ter com ela. Com lágrimas a correr pela cara de Olivia e um sentimento de raiva que pulsa nas veias de Peter, são obrigados a deixá-la depois de dar o seu último suspiro.

E cumprindo os Observers aquilo que havia pensado, Windmark e os seus chegam ao pé dela apenas para ver que está morta e que o fio havia desaparecido. E a dois segundos do fim, nem sei muito bem como, Windmark escapa apenas para ver aqueles armazéns e os seus súbtidos sucumbirem.

E só somos autorizados a parar quando a palavra do episódio se revela: WOUND. Uma ferida tão grande e tão fresca que não cicatrizará tão depressa. Uma dor excruciante de nunca mais poder ver a sua filha. E no fim, aquela tímida lágrima que estava no canto do nosso olho, acaba por cair para sermos deixamos a pensar sobre todas as acções que a equipa terá perante esta guerra. Afinal, quando os melhores sucumbem, onde vamos nós buscar a esperança por um dia melhor? Porque vamos nós querer continuar se não temos ninguém por quem o fazer? E acaba por restar a vingança, um sentido de justiça pessoal que nos torna negros, vazios e sem escrúpulos. E ouso dizer que não haverá água alguma, naquela cidade, que num futuro próximo não esteja tingida de um vermelho escarlate… 

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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