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Análise de Episódios, Fringe

Sobre Fringe 5×03 – The Recordist


Numa guerra, o sacrifício é algo a que estamos sempre a assistir. Sacríficio por um bem maior, sacrifícios injustos, sacrifícios (talvez) justos… E no meio de todas estas mortes, acabamos por nos questionar se aquilo faz sentido, se aquelas mortes, se aquela guerra tem algum objectivo senão a ostentação de um poder e o querer se afirmar perante um mundo que teima em dar reconhecimento.

No universo de “Fringe”, há uma guerra aberta entre a equipa por nós conhecida e uma espécie bastante mais avançada, os Observers. Uns, de uma maneira ou de outra, conseguem-se mexer sem que sejam descobertos e os outros teimam em querer caçar esta ameaça à sua ostentação do poder. E, no meio disto tudo, quem perde são os inocentes que caem como folhas mortas aos pés desta espécie que só por ter o “dom” de viajar no tempo se acham os melhores sem olhar a meios para atingir os fins.

Ao episódio três desta temporada final, visitamos um pequeno acampamento onde as pessoas parecem estar afectadas de uma doença que, ao longo do tempo, faz aparecer crostas na pele até ao momento em que já não existe tecido vivo e a pessoa sucumbe. Mas o mais importante deste episódio nem é isso… naquele acampamento, numa primeira instância, guarda-se a história da actualidade: as pessoas mais importantes, os eventos mais marcantes e, sobretudo, os heróis da humanidade e, numa segunda instânica, guarda-se uma pedra com uma estrutura muito característica capaz de se tornar numa fonte de energia muito potente.

Por entre os cubos que simbolizam todos e cada um cuja importância nesta guerra deve ser assinalada, é descoberto que aquela pedra é, realmente, algo muito importante para se destruírem os Observers porque eles, algures no tempo, impediram que alguém as levasse para fora daquele lugar. Mas, hoje, é diferente. Hoje aquelas pedras são precisas, mais que tudo o resto! E num acto de puro altruísmo para com a Humanidade, o chefe daquele acampamento desce até ao fundo do poço onde estava aquele mineral tão importante, enche um balde e deixa-se lá ficar, sem forças sequer para subir, porque aquelas crostas chegaram ao core do seu sistema biológico.

Quem ficou para trás foi o seu filho que, agora, se comprometeu a seguir o trabalho do seu pai: continuar a relatar os eventos e as pessoas que marcaram a história numa guerra tão sangreta.

E, no fim, a equipa Fringe, que parecia condenada a sofrer da mesma patologia, e a ser capturado pelos Loyalists, arranja uma manobra de diversão que os despista e seguem, felizes, para as ruínas de uma cidade outrora viva.

De facto, aquele homem sacrificou-se por um bem maior. Deu a sua vida por aquela equipa que ele sabe que vai vencer esta guerra. Deu-se para o mundo e será, sem dúvida, recordado. Quantos de nós, apesar de tudo, não gostariam de ficar recordados na história de alguém? Quantos de nós não gostariam de ter influenciado uma vida e serem recordados por isso, depois? As memórias continuam a ser uma fonte não muito confiável dos acontecimentos porque nós humanos tendemos sempre a florear um pouco a coisa… mas, acontecimentos tão importantes, não conseguem ser esquecidos e muito menos exacerbados pela nossa imaginação. Afinal, o que nos marca e faz crescer são os grandes acontecimentos que mudam a nossa vida a 180º e é no turning point que muitas vezes nos perguntamos se vale a pena continuar… E é exactamente nesse ponto que nos devemos aperceber que continuar só nos fará bem e recomeçaremos algo ainda melhor do que aquilo que ficou para trás.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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