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Análise de Episódios, Futurama

Sobre Futurama 7×10 – Near-Death Wish


Se pedir ao caro leitor que feche os olhos por um momento e pense no maior tesouro que alguma vez ousou ter ou possuir, qual me indicaria? Os pais? A namorada? A herança? Os seus melhores amigos? O telemóvel? A televisão? A arte de escrever? Ou a capacidade de guardar um segredo? Sorte, talvez? Qualquer um destes é digno da sua importância… De uma maneira ou de outra, crescemos com algum destes tesouros (ou até outros que nem mencionei) e fomos como que ensinados a guardá-los, por carinho ou egoísmo, e a tratá-los bem como se nada mais houvesse no mundo para nos preocuparmos.

No entanto, há um pequeno grande tesouro que, propositadamente, não referi. Um tesouro que está sempre lá para nos dar uma palavra de carinho, para cuidar de nós. Um tesouro que brilha sempre que nos vê. Algo tão especial e importante quanto o sol ou mesmo a água que bebemos: os nossos avós.

Com uma existência tão diferente da nossa, os nosso avós são um pequeno livro de histórias onde, cada ano, é um capítulo de uma vida de sofrimento, e alegrias, de tristezas e de fortalezas. Anos que passaram, uma história mundial que se criou e que eles viveram para contar as maravilhas e as obscenidades de um Mundo cada vez mais negro.

Quando pensava que “Futurama” não me podia surpreender, eis que nos dá o melhor episódio da temporada até à data não só pela história como pela profundidade dada às personagens, neste caso de Fry, do Professor Hubert e dos seus pais.

O espectador que acompanha a série sempre viu Fry como um rapaz sem qualquer ambição, parvo e sem ponta por onde se lhe pegue. Ouso dizer que muitas situações cómicas ocorreram por causa da sua…ingenuidade. No entanto, é um rapaz de família e pelo facto de não ter visto o seu tetra-tetra-….-avô numa cerimónia de entrega de prémios, apertou-lhe o coração de tal forma que o fez ir em busca dos seus avós. Foi descobri-los num planeta metálico (?) que alberga um enorme edifício (em altura e em largura!) onde os idosos são colocados numa espécie de realidade virtual ligados a cabos e cabinhos cuja função é a produção de energia eléctrica (numa fantástica referência ao Matrix).

De uma maneira ou de outra, Fry consegue trazer os pais de Hubert até à “sede” e isso desperta sentimentos muito negativos por parte do seu filho não só pela aparente problemática adolescência de Hubert como a inveja de Fry se estar a dar tão bem com os seus avós.

Numa jornada de introspecção, somos levados a descobrir a versão dos pais de Hubert e as complicações que a inteligência do filho lhes deu aquando da sua educação. Apesar de tudo, os pais sempre estiveram lá para o abraçar, para o beijar, para tratar dele e o amar… Apesar da explicação já vir tarde na sua vida, ela volta a acalentar o coração de Hubert de maneira a que os voltou a amar como um filho que ama os seus pais e reconhece os sacrifícios que eles fizeram por si. E apesar de terem de voltar para aquele sítio horroroso, isso não impede Hubert de fazer umas modificações e de trazer à tona os melhores anos da vida desta pequena família.

Não posso dizer que não fiquei um pouco triste pelos avós de Fry terem de regressar àquele edifício… Como actualmente, são locais onde o tédio se atinge facilmente e onde, apesar do elevado número de almas que lá se encontra, a solidão está bem presente. De uma forma muito subtil, “Futurama” criticou, mais uma vez, a sociedade de hoje mostrando-nos o outro lado dos avós, um lado que muitas vezes esquecemos e desprezamos, como que um tesouro que ganha pó e desaparece sem darmos conta… E no fim, quando o queremos de volta ou sentimos falta dele, só encontramos o nada, o vazio, por ser tarde de mais.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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