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Análise de Episódios, Futurama

Sobre Futurama 7×09 – Free Will Hunting


Se eu perguntasse ao leitor quem nasceu primeiro, se o ovo se a galinha, provavelmente entraríamos num loop infinito e não chegaríamos a uma conclusão. Tal como esta pequena pergunta, o livre arbítrio é, igualmente, alvo de muita “contestação”. Se por um lado temos a livre escolha de praticar uma acção, então somos imprevisíveis e o futuro não poderia ser lido por pessoas competentes. Mas, se o Futuro é lido, é porque algo está pré-determinado, logo não há livre arbítrio. Portanto, em que é que ficamos?

Esta não será, claramente, a visão que “Futurama” nos dá neste nono episódio. E muito menos nos deixa a pensar se temos livre arbítrio… No início do episódio, dizem que temos. Será que em 3012 esta questão já foi respondida?

Pois bem, depois de 8 episódios ricos em mensagens e piadas e parvoíces, chegamos a um ponto onde é necessário reflectir e é Bender que toma essa atitude porque, depois de ter sido levado a tribunal e ter sido ilibado de um crime porque estava assim programado no seu chip, ele não tolera não ter sido culpado e, portanto, levado para a prisão. Poderíamos aqui achar que a sua atitude era parva e sem qualquer sentido mas, para alguém que sempre viveu pré-determinado por um conjunto de zeros e uns, ansiar algo que nós humanos temos, e que é precioso, levou-o numa grande jornada.

Perguntará o leitor se ele a descobriu… Na minha sincera opinião, creio que só o facto de ele ter iniciado tal busca revela um pouco deste livre arbítrio porque, de facto, ninguém o programou para tal. Mas por outro pergunto, estava esta busca escrita no seu destino?

Tal busca leva-o a descobrir que o velho Farnsworth, aquando da produção massiva de robôs, havia construído um pequeno dispositivo que era inserido na cabeça das máquinas e que lhes conferia este livre arbítrio. Claro que o velho Farnsworth não continua com a sua produção porque ter robôs com liberdade de escolha só levaria o mundo à destruição e como é muito bem exemplificado na saga do “Terminator” e na respectiva série que continuou a história de Sarah Connor após o fim do segundo filme.

No fim, Bender acaba por ser considerado culpado do crime contra o velho Farnsworth após ter disparado, contra ele, um número considerável de raios e o ter deixado numa cadeira de rodas. Velho como está, nem sei como aguentou…

Apesar de não ter sido o melhor episódio da temporada, o nono episódio levou-nos a explorar um pouco mais do nosso ser e daquilo que nos determina: o livre arbítrio. Apesar de muita contestação que este conceito possa trazer à tona, que faríamos sem ele? E, mais ainda, teríamos chegado onde chegámos hoje?

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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