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Análise de Episódios, Futurama

Sobre Futurama 7×07 – The Six Million Dollar Mon


Continuando na mesma linha de superação de limites, o episódio 7, “The Six Million Dollar Mon”, volta a fazer jus à mensagem que passa ao espectador.

De facto, ouso dizer que raro é o leitor que, em algum ponto da sua vida, não ficou frustrado com o facto de não ter ido mais além das suas capacidades, de ter ultrapassado um limite, digamos, sobre-humano. Sermos inferiores a alguém e termos a consciência disso é uma sensação tão má quanto aquela que temos quando não estamos bem de saúde: um desconforto, uma inquietação que não nos esquece nem larga por mais que a queiramos deixar de parte.

Neste caso, “Futurama” mostra-nos uma dicotomia entre o que é ser humano e o que é ser robô tanto que leva ao extremo o aficionado da burocracia, Hermes, ao ponto de este se demitir da “empresa” de entrega de encomendas. E como se isso não bastasse, o sentimento de não ter conseguido proteger a sua amada num roubo realizado por um robô assassino deixou-o não só mais depressivo como também com uma enorme vontade de se começar a desmembrar e dar lugar a próteses que o elevassem enquanto ser no planeta Terra.

Apesar de todas as modificações e de todos os stresses enquanto se encontrava na fase de transição, Hermes chega a um ponto onde apenas lhe falta retirar o seu cérebro, o centro de todas as suas emoções e da pessoa que sempre foi. A sua amada, LaBarbara, claro, não quer deixar que isso aconteça e chega a ameaçar com o divórcio. Mas nada o impede de ir em frente e de se tornar, ele próprio, num assassino a “sangue” frio.

E quando pensávamos que não haveria salvação para o bom velho Hermes, eis que nos dão um pequeno twist. Se o leitor esteve com atenção ao longo de todo o episódio, Zoidberg, que assume algum protagonismo neste episódio, começa a coleccionar as partes do corpo de Hermes. Com um primeiro objectivo de as comer, Zoidberg é impedido devido ao “fogo” que a sua pele aparenta ter por causa do curry de cabra feito por LaBarbara e que Hermes come com todo o prazer. Decide, pois, reorganizá-las e cosê-las para, no fim, aquando da extracção do cérebro, se pudesse incorporar no “novo” corpo que daria lugar ao Hermes que sempre conhecemos. E, entretanto, o robô assassino que havia ficado por extinguir, acaba por ficar em cinzas após comer um pouco da pele da personagem reconstituída.

Seja de que maneira for, todos os dias somos puxados ao limite e cabe, a cada um de nós, saber se o queremos transpor. Dar-nos-á isso mais rendimento? Dar-nos-á mais satisfação? Poderíamos, eventualmente, tomar como garantidas as nossas capacidades e ficar aquém daquilo que somos capazes… Mas o truque dos vencedores está na determinação, na capacidade de queremos avançar, na capacidade de nos ultrapassarmos e de ultrapassar os outros que teimam em pisar-nos. E não haverá, certamente, maior satisfação do que aquela que experimentamos quando, contra tudo e contra todos, surpreendemos e calamos todos aqueles Velhos do Restelo que teimam em deitar-nos abaixo.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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