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Fall Season

Fall Season 2012: “Elementary”


Sherlock Holmes é, para todos nós, uma referência no mundo da investigação. O caro leitor que me acompanha pode estrebuchar à vontade, pode até fazer uma manifestação pacífica ou até um movimento no facebook que este facto não mudará nunca. E será um facto imutável que o seu fiel companheiro, John Watson, é uma representação da amizade, do cuidado, do verdadeiro amigo que, apesar dos defeitos do outro, estará sempre lá e nunca o abandonará.

E é neste conceito de amizade (ou, se quisermos, um amor-ódio) entre estas duas personagens tão peculiares, que este duo funciona: enquanto um teve uma experiência de guerra que o fez crescer e tornar-se mais maduro, o outro continua a mesma criança de sempre com as suas loucuras e divagações sem nunca perder a sua excelente capacidade dedutiva. E a prova disso, além dos filmes “Sherlock Holmes” e “Sherlock Holmes: A Game of Shadows” protagonizados pelos fantásticos Robert Downey Jr. e Jude Law, temos a série “Sherlock”, na BBC, que teve a sua estreia há dois anos e que se encontra, actualmente, a prepar mais 3 episódios de hora e meia.

Perguntar-me-á o caro leitor porque é que a CBS decidiu fazer uma versão americana desta personagem. Bem, eu, infelizmente, não lhe posso responder a essa pergunta. O facebook (ou o 9gag ou os memes) lá dizem que a CBS criou a série para não nos sentirmos tão desesperados pela terceira temporada da série da BBC. Eu digo que a CBS queria mais um procedural que permitisse continuar como a estação aberta mais vista.

Qualquer que seja a razão, o piloto desta nova série vazou e eu, por incrível que pareça, não estou nada insatisfeito com ele. É certo que adormeci, por uns segundos, ali aos 30 minutos mas foi por causa do calor e por ter ficado quase até às 6 da manhã sem dormir.

Ora, tal como era esperado, “Elementary” vai ser um procedural. Temos um duo que, com os seus problemas e personalidades particulares, nos leva até aos mais recônditos cantos de Nova Iorque para nos mostrar alguns casos que vão pôr à prova a capacidade de dedução de Sherlock depois de ele ter tido um problema grave com drogas.

E poderíamos igualmente pensar que os americanos manteriam aquele que é o estereótipo do Sherlock Holmes: o John Watson. Mas não. A CBS puxou o tapete por debaixo dos nossos pés e revelou que o Watson seria uma mulher: Joan Watson interpretada pela belíssima Lucy Liu.

Eu lembro-me que, em Maio, quando vi o trailer desta série exclui-a logo. Na minha cabeça pensei que isto era um atentado àquilo que se conhece desta personagem. Apesar de se achar estranho, ao início, não vejo entraves ao funcionamento deste duo. Quem sabe além das mamocas, uma mulher não poderá ser uma mais valia a este novo conceito de Sherlock Holmes.

Quanto ao caso, nada poderia ter sido mais simples. Ou facilmente deduzível. Numa excelente sequência inicial, vemos uma mulher a ser assassinada. Claro que poderíamos pensar que teria sido um ex-namorado que, num ataque de raiva, a mandou matar. Ou mesmo algum membro da Máfia com quem ela se tinha enrolado e agora estava a pagar a dívida com a vida. Ou mesmo até uma “amiga” da escola que se viu gozada e maltratada e quis vingança.

Mas não. O marido, um psiquiatra, é, de facto, a mastermind por detrás de todo este jogo para conseuir deitar mão à riqueza da sua mulher claramente inacessível devido ao acordo pré-nupcial. Fez mudá-la de imagem, usou um dos seus pacientes cujos acessos de raiva eram comuns para o levar a matar a sua mulher e, no fim, matar esse mesmo paciente para que não houvessem pontas soltas e tornar-se rico, como sempre quis. Parecia o plano perfeito se não fosse pelos pormenores do saco de arroz e de um telemóvel que ligava o paciente ao doutor para tudo fazer sentido e o verdadeiro assassino ser capturado pela polícia.

Apesar do caso não ter sido nada de especial, todo o piloto esteve muito bem construído e algo fluído. O que me irritou solenemente foi a importância súbita dada a Joan para deslindar, finalmente, o caso. A senhora andou, durante todo o piloto de um lado para outro, a observar o comportamento de Sherlock e a tentar evitar reencontrar-se com o seu passado médico. E, de súbito, olha para um papel e uma fotografia e faz clique. Pronto, é uma supervisora e não tem nada a ver com a polícia mas ela merecia bem mais do que isto, não? Parece o enredo da Carly (Rosie Huntington-Whiteley) em “Transformers 3: Dark of the Moon” que com uma simples line consegue mudar o jogo todo, mesmo no final do filme.

Não parto com muitas expectativas para a série porque, se bem conheço a CBS, vai levantar o véu do Moriarty (se o levantar) daqui a mais um ou dois episódios e depois só volta a falar dele a meio da temporada durante 5 minutos num final de um episódio para depois aparecer tipo bomba no final da temporada, isto claro, se a série fizer bons valores e lhe derem os 22 episódios a que tem direito. Mas, quem sabe… vai na volta e surpreende como aconteceu no ano passado com “Person of Interest”. Lá dizem os críticos que, nesta temporada, os pilotos não são nada conclusivos e pode sair deles uma grande série ou uma série muito má. Teremos de esperar para ver.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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