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Análise de Episódios, Futurama

Sobre Futurama 7×04 – The Thief of Baghead


Continuando esta jornada pela sétima temporada de “Futurama”, focamo-nos, neste episódio, naquilo que mais nos caracteriza enquanto espécie: o nosso ego.

Decerto que o leitor já se perguntou muitas vezes como é que muitas celebridades conseguem sobreviver com tanta atenção e tanta fotografia e segredos revelados nas revistas por nós tão bem conhecidas. E decerto pensou que gostaria de ser como elas, alguma vez na sua vida, mais não seja quando ainda era uma criança e achava piada à fama. Mas, se por um lado, toda esta fama é boa para a nossa imagem, também ela nos consome até ao ponto de, um dia, ou já não conseguirmos aguentar toda aquela atenção dos papparazzi ou mesmo até quando não há, sequer, um minuto de privacidade.

“Futurama” leva-nos, pois, à mais crua crítica que alguma vez pude ver numa série. Ora, por um lado tempo um robô, Calculon, que é capaz de morrer para destronar o seu arqui-inimigo de toda a fama e de toda a atenção que recebe dado que o seu papel em “All My Circuits” não lhe dá visibilidade suficiente. Por outro lado, temos um ser, Langdon Cobb, que vive numa relação simbiótica com um ser, por quantum entanglement, e quanto maior é a atenção que recebe, mais o fungo cresce e mais egocêntrico ele fica. E, não podemos deixar passar o pormenor de que ele vive com um saco da cabeça (!) porque qualquer foto que seja tirada da sua verdadeira face, quando mostrada a humanos, suga-lhes a sua força vital (aka alma) para dentro do seu fungo de estimação.

Não posso dizer que ao olharmos para uma foto de uma celebridade fiquemos sem alma. Há quem viva com os seus ídolos mas não faça big deal com isso, há quem viva em busca dos seus ídolos sejam eles quais forem e há quem viva com muitas coisas do seu grande ídolo. Mas o pior talvez seja quando se passa para o outro lado e se esquece do que ficou para trás… Olhar a fama de frente e tê-la aos nossos pés torna-nos vazios mas com o poder de pedir mais e mais. E quando esse ego é destruído? O que nos resta? O que ficou para trás não volta, e se voltar, não é da mesma forma.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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