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Análise de Episódios, Warehouse 13

Sobre Warehouse 13 4×03 – Personal Effects


Poder. Nós humanos, em qualquer momento da nossa vida, já sonhámos em ter o poder sobre algo ou sobre alguém… O poder da sugestão, o poder de mudar um evento, o poder de alterar o nosso passado até a um ponto que nos alteraria a nós próprios enquanto pessoas. Dependendo da pessoa (ou das suas intenções) o poder é usado para algo bom ou para algo mau, algo que corrói a nossa mais pequena bondade e simpatia. E foi o que aconteceu a Walter Sykes, da primeira vez que encontrou a pulseira de Collodi. Vazio de qualquer coisa boa, a semente do mal, plantada na sua infância, levou-o a utilizar a bomba que, no fim, nos levaria ao ponto onde nos encontramos actualmente.

E quando o espectador pensava que esta história estava, finalmente, concluída eis que se lembram que, naquele armazém abandonado onde Jinks foi deixado morto, havia umas caixas e, dentro, alguns artefactos que, nas mãos erradas, causariam danos bastante sérios. E, sem pensar, entramos na trama principal deste episódio.

Por um lado, temos um caso principal derivado do “roubo” de um cachimbo que permitia ao utilizador controlar o tempo. Claro que a história aqui mostrada poderia ser a de qualquer um de nós… Afinal, as séries levam as histórias reais a um nível tal que há solução para um problema que, na vida real, não tem resolução. E por mais boas intenções que aquele pequeno rapaz tivesse, as suas acções foram grandes demais para aquilo que ele podia aguentar. É certo que ele se sacrificou em prol do irmão mas isso apagará todo o rasto de destruição que ele deixou na cidade porque, naquele dia e àquela hora, ele experimentou o poder? A resposta está bem escondida dentro (ou fora) dos nossos limites morais e só nós, de acordo com a nossa vivência e princípios, poderemos responder. E mais sabem o martírio e a dor desta situação quem passa por ela sem qualquer apoio.

A dor é, realmente, um sofrimento. Todos nós sabemos o que ela é porque já a experienciámos. Mas sabemos mesmo a inquietação e a loucura pela qual Artie está a passar? Afinal, ele salvou toda a gente. Afinal, o Astrolábio de Magalhães lançou, realmente, um monstro: a paranóia. Da paranóia resulta o medo. Medo de que se descubra o que ele fez, medo de ter de regressar atrás na sua decisão, medo de ter de matar todos, outra vez, e de ficar sem o seu armazém e, no fim, viver uma vida vazia e sem qualquer objectivo. E se Mrs. Frederic já o tinha topado, por causa da sua trança cinzenta, desta vez é Leena que, apesar de já ter sentido que há algo estranho no ar, nunca mais esqueceu as palavras de Artie:

Artie: I do all the work! And nobody knows! I’m the one who risked everything, who was asked to sacrifice everything that he loves! And I can’t even tell anyone that I saved them!

E se há coisa que não poderia ficar sem resolução são as repercussões da utilização do Metrónomo para ressuscitar Jinks. Afinal, tudo aquilo que ele sente, Claudia sente, igualmente. Toda a dor e toda a agressão física feita a Jinks, Claudia sente de igual forma. Uma espécie de validação da terceira lei de Newton dos pares acção-reacção. No fim de tudo, quem acaba por sair magoado são aqueles que mais amamos… Resta saber se eles têm o poder de avançar, o poder de perdoar e, sobretudo, o poder de viver com algo tão mau.

O poder é, realmente, uma faca de dois gumes. E entre estes dois gumes existe um véu tão fino quanto o que separa o amor do ódio. E é através de um balançar daquele Metrónomo que faz Jinks viver que passamos, facilmente, do lado bom para o lado mau, do lado altruísta para o lado egoísta. Acabamos perdidos e vencidos pelas nossas próprias necessidades e procuramos, incessantemente, cortar todas as vazas para que nada, no Futuro, possa regressar a nós com uma força ainda maior. E se o Mal se protege a ele próprio, como se protege o Bem de se corromper?

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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