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Azimute

Planeta Vivo #4 – Eaten Alive (BBC)


“Eaten Alive” foi, para muitos dos meus colegas, um documentário nada bonito. Alguns até o consideraram nojento. É um facto que, todos nós, somos matéria orgânica e que somos, evidentemente, susceptíveis a todo o tipo de doenças e a todo o tipo de pequenos seres vivos que invadam 0 nosso sistema biológico. E também é certo que não é nada agradável aquilo que podem fazer ao nosso corpo e as sequelas que podem deixar.

Os parasitas, foco principal deste documentário que foi exibido, cá em Portugal, no canal Odisseia, são pequenos seres que adquirem um modo de vida parasitário, dentro do sistema biológico do seu hospedeiro, ingerindo nutrientes e certas substâncias químicas essenciais ao seu desenvolvimento na forma adulta. Como o leitor já pode reparar, o seu modo de vida nem é sequer favorável ao hospedeiro de tal forma que, ao se aumentar a carga parasitária, isto é, o número de indivíduos, pode-se chegar a um estado crítico denominado de patologia.

Ora, em apenas 45 minutos, fomos levados a explorar o universo de seis pacientes que haviam sido “atacados” por parasitas e que, consequentemente, desenvolveram a doença respectiva. E talvez aquele que mais me marcou foi, sem dúvida, o da malária.

Poderá o leitor achar que é uma doença comum e que não há nada para surpreender. Mas quando se tem um caso na família, a coisa muda de figura. Mais ainda, quando sabemos que a espécie infectante produz algo chamado hipnozoíta, que é um estado latente do parasita, e que, quando as condições favoráveis desenvolve, novamente, os sintomas da patologia, denominados de paroxismos.

Outros dois casos mencionados no programa tinham como protagonista a taenia: uma que se havia ingerido ovos e, posteriormente, haviam-se instalado larvas no seu cérebro, desenvolvendo uma patologia denominada de cisticercose e outra onde a taenia se tinha alojado no intestino e que foi notada, apenas, quando já tinha um tamanho considerável e se encontrava a sair do ânus do paciente.

O leitor, certamente, já tem uma ideia do porquê de alguns dos meus colegas terem achado o documentário não muito agradável. De facto, é um programa que nos coloca a pensar na frágil condição humana e naquilo de que somos feitos… afinal, somos matéria orgânica, comida para muitos outros seres vivos que procuram perpetuar a sua espécie neste grande planeta Terra.  E quem somos nós para impedir a Vida?

Alguns de nós pensam, efectivamente, que somos os maiores e somos imortais. Mas seremos mesmo? Apesar de já muito termos conquistado, não teremos as consequências de muitos dos nossos actos contra a Mãe Natureza? A retribuição assusta e tal como nós não podemos impedir a Vida, não podemos controlar a Mãe Natureza que já nos deu provas da sua força, da sua mestria, da sua realeza. E no dia em que ela parar, toda a Terra pára, todas as espécies inspiram e expiram uma última vez para se assistir ao fim de um planeta que nos deu a Vida e, acima de tudo, um lugar para viver.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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