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Análise de Episódios, Futurama

Sobre Futurama 7×01 – The Bots and the Bees


Dos tempos em que ainda tinha, cá por casa, uma caixa de televisão que me permitia gravar tudo e mais alguma coisa, lembro-me de gravar todos os episódios das primeiras quatro temporadas de “Futurama” e de os ver em praticamente três dias. Chegado a domingo já nem me lembrava do que tinha visto na sexta mas, para mim, estavam vistos. E, no meio deste chinfrim todo, acabo por me esquecer que existiu uma quinta temporada. Não sei quanto tempo passou desde aí mas, no dia 24 de Junho de 2010, a comédia animada volta a estar “disponível” e eu volto a ficar interessado naquilo que ela me pode dar. Não me desiludiu, claro está, e o final da sexta temporada foi, sem dúvida alguma, um dos melhores episódios que alguma vez vi em qualquer série animada deste grande mundo das séries. E não posso dizer que as expectativas não estavam elevadas para este novo “The Bots and the Bees”.

Além de estarmos, constantemente, a ser bombardeados com o facto da tecnologia, no Futuro, nos poder vir a mudar e a nos ultrapassar, temos um robô, de nome Bender tão habituado a uma vida boémia, que se vê obrigado a cuidar de um bebé depois de uma noite fugaz de amor com Bev, a máquina de refrigerantes, trazida pelo Professor Farnsworth. Apesar de, em 20 minutos, a história ter sido contada a correr, a mesma colocou alguns pontos interessantes sobre o jogo entre os pais que se querem ver livres dos filhos mas que, uns anos depois, voltam para os conhecer e os levar de um pai que sempre os criou e que sempre estiveram lá para eles.

E à medida que o episódio decorre, vemos um filho cada vez mais preocupado com Bender, aquele que realmente o criou e que o tem como herói. Como tal, quer ser capaz de dobrar como o pai mas para isso, precisa de dizer adeus ao único cartão de memória onde guarda aquilo que lhe é mais querido: a sua família. Por entre lágrimas e momentos de fazer doer o coração, mesmo em comédias animadas, a separação dramática entre um pai e um filho é custosa e esta não foi excepção. E apesar de doer bem cá dentro, no seu coração de metal, Bender sabe que se não fosse capaz de deixar o seu filho ir, ele nunca seria feliz. Afinal, tendo uma vida boémia como a que estamos acostumados a ver, Bender soube o que é ser um pai e soube comportar-se como tal deixando ir o seu filho para a escola, nunca lhe revelando a sua verdadeira identidade, porque assim ele seria feliz.

Numa estreia que preencheu um buraco na televisão de Verão, “Futurama” regressa com um episódio ternurento mas que, ao mesmo tempo, faz uma crítica à nossa condição, enquanto humanos, de futilidade e despreocupação, em muitas situações, daquilo que o outro pode estar a sentir com as nossas acções.

“Futurama” voltou, para mais 26 episódios, com aquilo que caracterizou a sexta temporada (e a série no geral): a irreverência, a crítica crua e a intensidade das histórias. Não posso dizer que já não tinha saudades disto.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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