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Especial, Web Therapy

“Web Therapy”, uma Série Nada Convencional


Quer queiramos quer não, o mundo da televisão muda a cada dia que passa. Por entre histórias que parecem cativar e outras que parecem querer fazer-nos rir e outras, ainda, que não nos saem da cabeça, o mundo das séries tem crescido e apesar de muitas apresentarem, entre si, inúmeras semelhanças, há outras que teimam em ser diferentes e em não arredar pé daquilo que as caracteriza: a irreverência.

Lisa Kudrow, na pele de Fiona Wallice, leva-nos, através da sua “Web Therapy” a explorar os inúmeros problemas de pessoas como eu ou o leitor. E poderia isto ser uma premissa nada cativante se Fiona fosse terapeuta. Mais ainda, se o seu percurso fosse de excelência. Ou mesmo até se fosse inteligente.

“Web Therapy”, que já teve uma exibição exclusiva via Internet, passou para a televisão no verão passado e, tendo uma ex-“Friends” ao barulho não poderia deixar escapar um produto que teria, porventura, todo o potencial para ser uma grande comédia mesmo sem o ser. Com uma segunda temporada actualmente em exibição e com uma qualidade exímia no que toca ao tratamento das histórias e das personagens, “Web Therapy” leva até ao extremo o conceito de ridículo sem nunca ultrapassar o limite do real e, quando menos se espera, está-se envolto numa teia de mentiras e omissões e danos colaterais que quer ver até onde tudo isto vai e em quem a bomba vai explodir.

Apesar do sexo ser ainda um tema algo tabu na sociedade do século XXI, “Web Therapy” tem uma forte conotação sexual na maior parte dos diálogos que apresenta mostrando um equilíbrio entre as piadas e as one-liners bem mais explícitas (e mais fortes) e as mais subtis.

Com uma história que aumenta de qualidade à medida que os episódios passam e à medida que o espectador vai tendo uma noção mais abrangente da história desta comédia, vai-se descobrindo, a pouco e pouco, as potencialidades das personagens e os pormenores que enaltecem uma comédia esquecida. Apesar de ser uma série que reúne o antigo pessoal da série Friends, várias foram as celebridades que já passaram pelas mãos de Fiona e pela sua implacável mente e sentido crítico.

“Web Therapy” conquistou um pequeno lugar na minha lista de favoritos. Talvez porque tem Lisa Kudrow como um dos grandes pilares da série. Talvez por causa do seu humor sóbrio. Talvez por causa do pseudo-drama que parece ter associado à sua história. E é nesta mistura comédia/drama que a série ganha muitos pontos; já é, por si só, um trabalho saber conjugar estes dois grandes conceitos que regem a indústria do entretenimento quanto mais misturá-los de forma a que o espectador não perceba quando está um a ser mais importante que o outro. Tudo faz parte da história, tudo faz parte das personagens. De facto, a série é una e, apesar de me entristecer que a mesma seja desconhecida de muitos de vós, reconheço o seu potencial e recomendo ao caro leitor que me acompanha. Eu não me desiludi. Está pronto a aceitar este desafio e entrar na terapia mais louca da sua vida?

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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