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Azimute, Jogos Olímpicos

Luxos #1 – Summer Olympic Games


Os anos pares são, para mim, motivo de alegria. E o leitor, estando na época em que estamos, facilmente deduz porquê. Seja Euro ou Mundial ou os Jogos Olímpicos de Verão ou de Inverno, há sempre qualquer programa que, apesar de não ver todos os dias, me faz tremer e sofrer e sentir e viver, ainda que a uma taxa menor, a força que têm estas competições de alto nível.

Esta paixão  pelos jogos já é bastante antiga. De facto, no início da década passada, em Atenas, realizavam-se, em pleno Agosto, a XXVIII edição dos Jogos Olímpicos e eu, talvez por meio da minha mãe, apanhava-me na RTP2 (na altura 2:) a ver Judo e Atletismo e Natação e Saltos para a Água. Além disso, apanhava ainda as páginas do meio do defundo 24 Horas e folheava por entre as notícias da nossa comitiva e as medalhas que os outros ganhavam. A paixão continuou em 2008, em Beijing, e permanece, actualmente, em Londres.

ICTIUS. ALTIUS. FORTIUS.

Mais rápido. Mais alto. Mais forte. É este o lema dos Jogos. São estas pequenas 3 palavras que, em qualquer que seja a modalidade, estão subjacentes e não perdem, nunca, o seu valor. Quem vence será mesmo o mais rápido, o mais alto e o mais forte. Porventura, em algum ponto, tratar-se-á de sorte. Porventura, em algum outro ponto, tratar-se-á de inteligência. Mas, olhando ao panorama geral, os melhores do mundo estão ali reunidos e a lutar por um sonho, por algo porque lutaram toda a sua vida.

E talvez a beleza não esteja propriamente nas modalidades mas sim no que os atletas estão dispostos a fazer para fazerem parte deste grupo de melhores (e excluo, desde já, aqueles que se doparam). A ambição, o suor, as consequentes falhas em chegar a um determinado tempo/valor… tuo isto determina se se chega à meta. Claro que o factor psicológico tem aqui um enorme peso… Sem ele, não há ambição, não há vontade de chegar mais longe. Sem ele, perdemos  nossa essência por mais puros e sinceros e verdadeiros que sejamos. Sem ele, não vamos a lado nenhum. Porque aqui também entra o factor “respeito”: respeito pelo outro, respeito pela vitória pessoal, pela vitória do país, pela vitória do outro, pela própria falha em chegar a um lugar mais alto, pela falha do outro em chegar a algum sítio.

Os Jogos Olímpicos, desde que tinha idade suficiente para os compreender e até ver, sempre fizeram parte de mim. Por mais simples que seja a cerimónia de abertura, ainda me vêm as lágrimas aos olhos e o comum arrepio na espinha quando a chama é acesa, quando o símbolo máximo do respeito pelo desporto é colocado à vista de todos. A força e imponência do fogo mostra, perfeitamente, o “fogo” que vai dentro de cada atleta, aquela vontade tão grande de fazer a melhor prestação e a melhor figura perante todos os outros. Foram 4 anos de trabalho (e mais todos aqueles que estão para trás) para se chegar até este ponto, para se qualificarem e encherem de sorrisos todos aqueles que ficaram nos seus países à espera da sua vez. E quer se tragam medalhas ou não, o sonho de lá estar, o sonho de fazer parte daquele grupo, dos melhores, não se apaga nunca, tal como a Chama Olímpica que nunca se apaga nas nossas almas.

Falta pouco mais de 9 dias para que os Jogos cheguem ao fim, para que digamos um adeus por mais 4 anos. É de apertar o coração, só de pensar nesse dia. Uma preparação de tanto de tempo para culminar nuns escassos minutos de protagonismo saudável. Fica o desejo e a vontade que, em 2016, tudo seja ainda mais fantástico e ainda mais belo. Fica o desejo de que, daqui a 4 anos, o Mundo esteja já um pouco mais mudado, para melhor, claro. E que o respeito não se tenha perdido no meio de altura tão negra pela qual passamos.

Será preciso que não se apague a Chama Olímpica das nossas almas. Será preciso que nos enchamos de vontade para fazer algo. Será preciso que abracemos a ambição e o esforço para, daqui a 4 anos, estarmos renovados, rejuvenescidos e mais velozes, mais altos e mais fortes.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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