//
you're reading...
Being Erica, Espelhos

Being Erica #14


A nossa infância é feita de vivências, de locais, de pessoas, de pequenas acções que nos marcam positiva ou negativamente. Ouso dizer que é a partir destes estímulos sensoriais que crescemos porque temos, inadvertidamente, de lidar com eles… Nasce, por isso, o espírito crítico.

Ainda hoje de manhã, aproveitei para dar um pulinho à única praia que conheci na minha infância. E não posso dizer que não fiquei com vontade de lá regressar. O que é certo é que até cerca dos meus 17 anos, desde o final das minhas aulas em Junho até ao princípio de Setembro, aproveitava e visitava esta praia, cerca de 3 a 4 vezes por semana na parte da manhã. Entre o barulho das ondas até aos putos que berram e choram e falam e passando pelas conversas entre os mais velhos entre as diversas sombrinhas da concessão, fui crescendo e adaptando a um mundo muito além da cidade onde vivo: um mundo de escape, de relaxamento, onde, a cada nova quinzena, há uma renovação de pessoas, uma renovação de histórias e de mundos que eu jamais ousara pensar que existiam.

Chegado que estou aos 17, e com as responsabilidades a aumentarem a cada dia que passava, toda esta vontade de relaxar foi-se perdendo. Todo aquele caminho até à praia tornou-se monótono e chato e a pouco e pouco fui-me afastando daquele que fora, outrora, um mundo de felicidade, de boa praia.

Agora com 20, tornei a visitar esta praia, bastante mudada, actualmente. Apesar de estar cheia de pessoas, porque a temporada assim o exige, consegui descobrir não só porque a abandonei há 3 anos atrás como redescobrir as belezas de poder relaxar num espaço que já foi meu e que agora o quero reconquistar.

De facto, quando não temos algo que desejamos por algum tempo, apercebemo-nos do bem que nos fazia e do escape a uma rotina chata que proporciona. E é nessas alturas que começamos a pensar no quão bom era se conseguíssemos voltar atrás no tempo e viver tudo de novo, sem pensar no que estava para a frente. Viver por viver. Viver sem nada que nos impedisse de o fazer. E é neste momento que a cabeça fervilha, sem conseguir relaxar e damos por nós a adormecer nos braços de um local tão bom, tão refrescante e, ao mesmo tempo, tão cheio de história que só o mar poderá lembrar.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

Discussion

One thought on “Being Erica #14

  1. Senti-me de certa forma familiarizada com este post que não resisti em deixar um comentário. Também eu tinha aqueles sítios e aquela routina quase definida para os domingos à tarde, que a certa altura me parecia monótono. Era sempre aquela sensação e sentimento idêntico todas as vezes que lá ía ou que vivia ou momento. Até que chega aquela altura em que nos julgamos senhores ou senhoras do mundo e achamos que queremos fazer outras coisas, porque são melhores ou porque estamos sempre num ciclo vicioso de “vira o disco e toca o mesmo”. Mas depois, quando nos apercebemos ou voltamos àqueles sítios onde antes tínhamos passados tão bons momentos, vemos toda a beleza e esplendor que aquele sítio tinha e tem para nos oferecer e é ali que nos sentimos bem, seguros, calmos. É aquele sítio que tanta vez visitámos e só passado muito tempo lhe soubemos dar o devido valor que nos conhece e compreende. É ali que nos sentimos em casa.

    Posted by Diana Leal | October 23, 2012, 10:06 PM

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Biblioteca

Calendário

July 2012
S M T W T F S
« Jun   Aug »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  
%d bloggers like this: