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Análise de Temporadas, Fringe

Fringe S04


William Bell: God made us in His image. If that is so, if we are capable of being gods, then it is our destiny to do so.

“Fringe” é um pequeno bebé que eu vi crescer desde a sua primeira temporada. Rotulando-a como os “The X-Files” da minha geração, a série, de episódio para episódio, conseguiu superar os limtes da sua própria existência mostrando-nos mundos completamente diferentes e teorias que jamais passariam pela nossa mente. Desde o final da primeira temporada, tem sido desenvolvido o tema dos mundos paralelos e não posso dizer que não fiquei entusiasmado (e, ao mesmo tempo, abismado) com o trabalho que foi dado ao tema e ao “carinho” com que foi tratado mostrando cada passo, cada reacção, quando fosse realmente necessário.

A terceira temporada e, de longe, a melhor de todas tanto a nível criativo como a nível de desenvolvimento de personagens, findou um capítulo com uma imagem que ditaria o Futuro, já só por si incerto, de uma série que apaixonou e fez vibrar muitos fãs em redor do mundo. E, apesar de a temporada ter sido exímia naquilo que mostrou, os 30 segundos do episódio final, The Day We Died, levaram Fringe por caminhos proibidos e cujo objectivo, que vinha a ser explicado no episódio 14 da temporada 4, The End of All Things, não sortiu o efeito desejado.

E apesar do começo algo sofrível, apesar do significado que os episódios tinham subjacente, “Fringe” limitou-se a encostar-se à sombra da bananeira até ao momento em que um inimigo por nós muito bem conhecido decide, finalmente, aparecer. A história, de facto, mudou e com ela muitas variáveis alteraram-se de tal forma que vimos ressurgir alguém tão desprezível e tão vil que a sua própria presença arrepia. Como que oonstruindo uma casa, “Fringe” foi, ao longo dos restantes episódios, movimentando as peças de xadrez a seu bel prazer até que, sem darmos conta, estamos no fim da temporada e a levar com os estonteantes 45 minutos onde a acção e a intensidade estão presentes e onde aquele “amigo” que sempre conhecemos vestiu o negro e quer destruir um mundo para formar outro cujo Deus é ele e mais ninguém.

Leonard Nimoy e John Noble foram, sem dúvida alguma, os destaques desta quarta temporada: o primeiro porque a sua participação especial deu um outro fulgor à história, um outro sentido de realidade; o segundo porque encarnou, brilhantemente, dois homens com personalidades totalmente diferentes e que, por força do destino, se viram sentados a conversar e a deixar tudo aquilo que se passou para trás para viverem numa paz de espírito, cada um no seu mundo, cada um com aquilo que lhe pertence.

Além das duas partes de Brave New World, também Letters of Transit mostrou-nos um Futuro que realmente acontecerá dado o panorama actual da história. É na quinta temporada que esta linha narrativa será, finalmente, desenvolvida e será dada uma conclusão a uma série que já fez apaixonar muitos e maravilhar outros e que, ainda assim, não desiste de os querer surpreender.

Faltam apenas mais 13 episódios para que “Fringe” se despeça dos fãs e que feche mais uma janela da ficção científica televisiva. É com “Fringe” que todo este furor científico terminará porque, futuramente, não encontraremos série que tenha, ao mesmo tempo, um pé na realidade e outro no imaginário e que faça, taão eficientemente, a ponte entre estes dois.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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