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Azimute

Tecnologias #2 – BBC Horizon: Playing God


William Bell: God made us in His image. If that is so, if we are capable of being Gods, then it is our destiny to do so.

Desde que o último episódio de “Fringe” foi exibido, a frase com a qual abro esta nova edição do Azimute ficou de tal forma vincada na minha cabeça que, após ver o documentário da BBC, mais sentido me fez. Mas, ao mesmo tempo, mais aterrorizado me deixa.

De facto, como seres humanos, nunca estamos satisfeitos com o medíocre, com o fazer só por fazer. Para nós, bem lá no fundo do nosso ser, isso não faz sentido e lutamos, todos os dias, para que tal não aconteça. Quando falamos do medíocre, na Ciência, na minha opinião falamos de falta de ideias, de questões, de objectivos que nos façam entrar por uma linha de investigação e quem sabe poderemos mudar o nosso país e até o nosso mundo.

O que nos foi mostrado neste documentário preza por aquilo que eu, no mais íntimo ser, chamo de sensacional porque, de facto, se não fossem todos estes avanços da Ciência, não teríamos chegado ao ponto em que estamos actualmente onde, todos os dias, chovem novos iPhones, novos computadores, nos tablets e até novos processadores que integrarão os computadores de última geração. De todos eles esperamos o maior sucesso e, claro, que cheguem às nossas mãos.

Mas, todos estes computadores e todas estas tecnologias são, muitas vezes, canalizadas para um bem maior. E é aqui que entramos num lado bastante controverso da Ciência, lado esse que ficou bastante bem documentado e que me assustou porque, apesar de contactar com ela todos os dias, nada me garante que, no minuto seguinte, algo não corra mal e aquilo que estava a fazer, à primeira vista inócuo, se torne em algo mortal.

Desde os mais avanços na Engenharia Genética, ao ponto de criarmos cabras que produzam a seda da aranha até aos mais simples testes de desenvolvimento de diesel a partir de leveduras e da incorporação de proteínas sensíveis à luz nos neurónios de ratos, a Ciência é, hoje, praticamente capaz de fazer… tudo. Brincamos aos Deuses, portanto. E este brincar é algo sério, ao mesmo tempo.

O que me leva a interpretar a citação com a qual abro o espaço de hoje. Deus fez-nos à sua imagem e, portanto, é nosso destino ser como ele. Ser algo que, aos nossos olhos, significa ter um poder último sobre o outro, “controlar” os seus pensamentos, a sua vontade e, acima de tudo, ignorar as suas necessidades. Porque ter poder (e abusar dele) é esquecer aquilo que faz de nós espécie autónoma: a possibilidade de escolha.

Não posso dizer que o “projecto” de incorporação de proteínas sensíveis ao estímulo da luz nos neurónios de um rato me tenha fascinado mas a sensação que provocou em mim não foi mais do que medo do que o Futuro me espera. O que é certo é que a ficção científica nunca esteve tão perto de nós quanto agora… Ela está a tomar dimensões cada vez maiores na nossa realidade e isso leva-me a pensar se a Ética e os valores morais chegarão para nos parar. É certo que somos seres insatisfeitos por Natureza mas, ainda assim, brincamos num parque muito volátil, muito como a anti-matéria que ao mínimo contacto com a matéria explode.

“Playing God” faz jus ao seu nome e de uma maneira incrível, quase didáctica, levamos a passear pela vanguarda da Ciência e por aquilo que nos espera daqui a alguns anos. O Futuro parece estar cada vez mais próximo e parece querer reveçar-se como uma das melhores coisas que podem existir. Mas que preço teremos de pagar para o ter? Do que é que teremos de abdicar para chegarmos àquele Futuro que vemos em séries de ficção científica futurista? Somos peças de um grande jogo de xadrez que ainda há pouco principiou. O xeque-mate está ainda longe mas, nesta guerra, quem perderá: nós ou a tecnologia? Manteremo-nos iguais a nós mesmos depois de tantas decobertas e de tantos limites que excedemos?

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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One thought on “Tecnologias #2 – BBC Horizon: Playing God

  1. Raças adaptadas da ‘lagarta-do-cartucho’ (ordem: Lepidoptera; espécie: Spodoptera frugiperda) compõem uma das mais importantes pragas que afetam genótipos tropicais de milho, chegando a causar até 34% de redução na produção dessa cultura no Brasil (Cruz, 1995). Tradicionalmente (pós-‘Revolução Verde’), o controle de tal praga é realizado com base em inseticidas químicos, que, intrinsicamente, podem trazer conseqüências colaterais negativas em termos de toxicidade ao homem dos animais e ao meio-ambiente em geral. Historicamente, o uso abusivo e impróprio desses produtos sintéticos nos últimos 40 anos causaram vários problemas ambientais e de saúde, ameaçando sobremaneira a sustentabilidade do sistema de produção agrícola convencional. Como alternativa a essa sistemática de controle, há o chamado ‘Manejo Integrado de Pragas’ (MIP), que consiste na utilização inteligente das várias medidas de controle disponíveis, visando atingir a eficiência econômica com consciência ecológica e social. Dentre essas medidas, o ‘controle biológico’ (CB) figura como importante sistema que aproveita os ‘inimigos naturais’ das pragas – insetos predadores e parasitóides, fungos e bactérias parasitas, e as substâncias e produtos deles derivados –, compreendendo sua biologia e utilizando adequadamente os mecanismos ecológicos de interação entre eles. Dessa forma, ganha-se na redução dos custos de produção, na não-intoxicação do aplicador de produtos químicos, na não-poluição e degradação das áreas agrícolas e relacionadas, e, portanto, na preservação da saúde pública e ambiental. Apesar de todos esses benefícios, contudo, apenas 1% das pragas e doenças da agricultura, infelizmente, tem sido controlado por CB. Nesse contexto, a ação da pesquisa torna-se fundamental para a reversão do quadro.

    Posted by Panama | July 13, 2012, 3:36 PM

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