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Análise de Episódios, Fringe

Sobre Fringe 4x21x22 – Brave New World


Depois de termos visto mãos a saírem de computadores e frequências capazes de liquefazer cérebros, depois de termos visto as maiores aberrações genéticas e vírus hiper-contagiosos e, sobretudo, termos vivido em dois mundos completamente distintos, chegamos, hoje, a este ponto onde a ponte foi fechada e tudo aquilo que conhecíamos além dos dirigíveis foi afastado de nós como um avião que descola e nunca mais retorna.

Hoje acordámos ao som de um mundo novo, de algo curado, de pecados absolvidos e, mais que tudo, um amor tão forte quanto o Sol ou o Universo consumado por duas almas destinadas a juntar-se por um bem maior. Duas almas com poderes tão singulares que só eles detém a chave para curar um mundo que um homem quer destruir, que um homem quer recriar para ele próprio ser dono e senhor e limpar tudo e todos da corrupção, das más práticas, das más intenções.

Brave New World começa escaldante e termina com um final feliz. Ou, pelo menos, assim aparenta. Desde logo somos levados a conhecer os nanites, pequenos pedaços de tecnologia, implantados numa escada rolante por David Robert Jones, com um único fim: activar Olivia. Activá-la para algo tão grande quanto eu, ou o leitor ou mesmo este planeta Terra. E é, mais ou menos a meio desta activação que conhecemos Jessica, a peça fundamental deste puzzle que leva Olivia a usar dos seus poderes e a salvá-la da morte certa. Ou assim pensávamos.

E quando Peter e Olivia precisam de ir desligar um dos raios mais mortais que alguma vez existiu na ficção científica, tudo montado por David Robert Jones, ela é obrigada a fazer uso dos seus poderes de tal forma que este morre feito pó. Um pó negro, tão pesado, tão cheio de más intenções que nem o vento nem a própria terra o quer.

E quando achamos que Astrid não tem saída e Walter parece condenado a enfrentar aquilo que sempre quis evitar, aparece Bell. Um homem diferente daquele que conhecemos antes, um homem com um complexo de Deus, um homem que procura curar o mundo de todos os seus males.

William Bell: God made us in His image. If that is so, if we are capable of being gods, then it is our destiny to do so.

Palavras de um homem, claramente, demente. Palavras que chegam até nós como um balde de água fria e que nós recusamos aceitar e que nos arrepiam por, o nosso íntimo saber que, bem lá no fundo, talvez isto seja verdade.

E mais uma vez, Olivia entra em cena. Mas desta vez reconhece as verdadeiras intenções de Jessica e luta para salvar o Observer que, uma vez, lhe disse que teria de morrer. Ela salva-o e finalmente entendemos o porquê de o Observer ter surgido, à sua frente, no início da temporada, a sangrar. Finalmente entendemos que esta história está a chegar ao fim, algo que nunca ousámos tentar perceber quanto mais imaginar.

Olivia deu mais um passo no seu processo de activação tanto que do barco onde estava William Bell e Walter se viu um céu e uma esfera astral cair sobre si própria num espectacular espectáculo de relâmpagos e trovoada. E nesta corrida contra o tempo, Peter e Olivia são obrigados a saltar para o desconhecido, a saltar para o mundo alternativo que sempre conhecemos como vermelho.

William Bell: Well, this is unexpected. You know I was not planning on having any humans. What a troublesome species we can be after all.

E, chegados que estamos ao seu gabinete, William Bell refere a importância de Olivia em tudo isto.

William Bell: I can not turn it off. There’s no escaping the inevitable. The chain reaction has begun. Olivia is a living uncertainty engine. Every breath she takes brings us closer to Nirvana. Every beat of her heart tears the world from its hinges. She is the redeemer.

William Bell: I will not be the first God to be martyred for creation.

E aqui ouvimos o som de um disparo. Algo que tinha de acontecer. Algo que me deixou de boca aberta, apesar de tudo. E tudo aquilo que estava a acontecer termina e Bell, que não previu isto, toca o sino e começa a desaparecer entre a energia que compõe o mundo azul e, aparentemente, o faz vivo.

E quando pensávamos que nada disto tinha solução, Walter retira a bala da cabeça desta nova Eva e espera que o Cortexiphan a cure. Num momento de apertar o coração, Olivia volta a viver como se nada se tivesse passado e é levada para o hospital para, no fim, descobrirmos que ela está grávida de Peter. Tudo se alinha como era suposto. Todo o Passado, Presente e Futuro mudaram com isto em vista. Até que…

September: We have to warn the others. They are coming.

E nós, a partir de agora, temos uma ideia daquilo que se passará. De facto, o episódio 19 fez a ponte para um Futuro que acontecerá realmente mas estava já in medias res. Que se passou antes? Porque é que os Observers decidiram tomar o mundo como deles? Qual o papel da equipa Fringe em tudo isto? Voltaremos a ouvir notícias do mundo Vermelho? Será que eles também o dominarão? E William Bell, como voltou ao nosso mundo e como ficou ele aprisionado no âmbar? Decidiu abandonar as suas más intenções? Decidiu voltar a ser aquele homem bom e inteligente e sempre com o bem maior espelhado na cara?

O final da quarta temporada de “Fringe” pareceu-me mais como um series finale. Afinal, o episódio 19 que parecia estar vazio e perdido no meio desta história tinha uma finalidade e apesar de tudo, os últimos 30 segundos, fecharam o ciclo de uma história que ousou maravilhar e transcender os limites da imaginação e da ficção científica. A quinta temporada começará já em Setembro e teremos o final de uma das grandes séries da actualidade e que me apaixonou desde o primeiro minuto.

“Fringe”, para muitos, é um peso morto, uma série vazia sem ponta por onde se lhe pegue e com algo tão complexo que chateia acompanhar. E apesar de uma das jornadas mais alucinantes, mais loucas e mais interessantes da televisão está a chegar ao fim e é triste pensar que algo assim termina, apesar de bem, e não mais que 3 milhões e uns outros tantos espalhados pelo mundo a querem acompanhar até ao minuto final. “Fringe” estará de volta com mais 13 episódios. Não há tempo para fillers. Não há tempo para histórias vazias e que não têm o fim de se ligar ao final. Só há tempo de fazer da quinta temporada, a melhor que alguma vez uma série teve. E é algures aqui que as saudades surgirão.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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