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Especial, Game of Thrones

“Game of Thrones”, a Magia Perdida


Os dragões fazem parte de uma mitologia que nós teimamos, muitas vezes, em admitir como real em diversos produtos televisivos. Não queremos admitir porque faz parte de um imaginário cujo objectivo é existir porque é melhor, porque é um mundo que nós ansiamos alcançar, porque é algo sem limites e que nós ousamos atingir por, em algum ponto da nossa consciência, nos dar paz, virtude e calma.

Não pode o leitor, nem eu mesmo afirmar, que não pensei já num mundo alternativo, num pequeno grande planeta onde existo com uma vida diferente porque as escolhas que fiz são diferentes. E talvez, esse pequeno mundo que idealizo, terá algo do meu imaginário que, segundo as leis da Física, da Biologia ou mesmo da Selecção Natural, existiu porque assim se ditou a sua existência.

A magia é, certamente, algo imaginário mas, ao mesmo tempo, real. É esta “coisa” que nos permite imaginar, sonhar e querer atingir algo que, racionalmente, é utópico. Mas é essa mesma magia que faz girar esta Terra, que nos faz “girar” a nós próprios, que nos faz tomar atitudes, muitas vezes, incompreendidas por aqueles que amamos mas que têm um fundo, algo tão comum quanto o chão que pisamos, de tal forma que há razões para eu pensar desta ou daquela forma, imaginar esta ou aquela coisa, sonhar com esta ou aquela meta.

“Game of Thrones”, além de ser uma série excelente como referi no pequeno texto anterior, leva-nos a experimentar o verdadeiro mundo da imaginação onde o mundo tal como o conhecemos é diferente, estando presos naquilo que se assemelha ao período negro da história da Humanidade, a Idade Média. Período esse que levou muitos à morte, que permitiu a ascensão da Igreja como poder último, que fez de nós autênticos burros sem buscar o conhecimento e sem despertar em nós aquele sentimento de insaciedade intelectual.

Em “Game of Thrones”, a sede é de poder. Sede de sangue. Sede por um trono de ferro que muitos de nós ousámos imaginar ser nosso. Na série, a sede pelo conhecimento está presa em certas personagens porque o que realmente as move é o poder último que querem alcançar ou mesmo manter junto de si. É um poder que lhes pode levar a sítios nunca antes vistos, um poder que pode tomar o ser humano de assalto e torná-lo na grande besta que Joffrey é. E não podemos negar a imponência que teve, em “Valar Morghulis”, o vitral vermelho por detrás do trono de ferro; é como se, depois do excelente “Blackwater”, tudo aquilo que vimos culminou para aquele ponto.

Esta tão grande série elevou o conceito da imaginação e da magia que ressuscitou com o nascimento de 3 pequenas criaturas capazes de matar e incendiar tudo aquilo que encontram à frente, ao som da palavra “Dracarys”, para proteger a sua mãe. E foi o seu nascimento que, tal como uma onda de choque, mostrou que a magia, apesar de escondida (e, aparentemente, inexistente) surge quando as condições são favoráveis.

O mesmo acontece connosco e com a vida rotineira e atribulada que levamos todos os dias. Tal é a pressão em que nos colocamos que negamos ver a magia que está mesmo ao nosso lado; e quando nos apercebemos que ela existe, já é tarde demais. Por vezes, basta uma palavra, uma acção ou até um simples abrir de olhos para vermos muito mais além destes corpos de terra, destas paredes de cimento, destas tecnologias. Por vezes, basta apenas relaxar e deixar a magia entrar e o caro leitor não poderá imaginar o quão bem ela faz e o quão nos rejuvenesce.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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