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Azimute

Planeta Vivo #3 – The Lost Lagoon


Há pouco mais de um mês, o Azimute mostrou, ao excelentíssimo leitor que nos acompanha, a forma como a Natureza reavê aquilo que perdeu e se adapta às novas condições. Esta semana, levamo-lo numa viagem espectacular pelo documentário “The Lost Lagoon”, exibido no canal britânico Eden, que mostra um pouco da vida de um ecossistema, perto de Moçambique, que, a pouco e pouco, vai sendo assolado pelas acções do homem.

É do conhecimento geral que a Lua influencia as marés e, com a sua posterior variação entre maré baixa e maré alta, os ecossistemas vivem e respiram como se nada fosse.

But water is its life’s blood and the tides are its pulse.

De facto, e como o documentário mostra de forma bastante clara e atractiva, todo aquele ecossistema está interligado não vivendo uns sem os outros. Todas as espécies de peixe, de moluscos, de cristáceos vivem em relações ora de mutualismo/simbiose, cujo benefício é mútuo entre, geralmente, duas espécies, ora de predação, onde a presa perde, claramente, para o seu predador. Todas estas formas de vida espectaculares co-existem e mantém vivo um local que ouso dizer ser um dos poucos que ainda se mantém inalterado pela mão humana.

Talvez por ter tido uma pequena tartaruga durante os anos da minha infância, rejubilei quando nos foi mostrado o seu ciclo de vida, neste ecossistema específico. Além disso, tivemos a oportunidade de observar a luta incessante das crias acabadas de nascer que se esforçam para atravessar toda uma extensão de praia até ao mar que, ele próprio, as empurra e não as deixa entrar no seu leito. E apesar de, muitas vezes, destruirmos ecossistemas tão belos e tão ricos por pura crueldade, não posso deixar de comparar esta luta incessante das crias no início da sua vida com a luta que todos nós experimentamos, no nosso dia a dia. Apesar de ser tarde na vida, nós penamos por um deserto quando a vida assim nos impõe e, por mais difícil que seja o caminho, e tal como as crias de tartaruga, alguns conseguem vencer para mais tarde sorrir porque aquele obstáculo foi ultrapassado.

E se em terra as tartarugas iniciam a sua vida, no mar os chocos cujo os olhos, sendo os mais bem desenvolvidos do Reino Animalia, e os seus tentáculos frontais, tornam-no num dos melhores predadores do meio. Com uma saliva carregada de toxinas e uma técnica de caça muito peculiar, conseguem ter uma vida que aterroriza muitas outras espécies que vivem naquela zona. Contudo, a altura do seu acasalamento, que não deixa de ser um belo espectáculo de padrões e cores e danças graciosas, é uma altura em que tanto pai como mãe morrem após a fêmea desovar e nunca, nem por um segundo, o macho a deixa sozinha. Depois de tudo isto e após terem vivido para gerar vida, morrem, calmamente, nas areias do fundo do oceano porque já fizeram tudo aquilo que podiam.

Com uma música muito interessante conjugada com os sons da Natureza, o documentário mostra-nos um ecossistema que vive e respira e que tenta manter-se intocável. No entanto, senão fosse o Homem um dos grandes “assassinos” de diversos ecossistemas espalhados pelo nosso mundo, ele está a tentar domar uma vida indomável através de redes e pesca intensiva. Pelo que foi mostrado, a mão do Homem ainda não tinha tanta influência como muitos gostariam que tivesse e ainda bem. Espécies que sobreviveram anos e sofreram com a evolução, espécies que desenvolveram mecanismos para se esconderem dos predadores mas que vivem em harmonia, estão prestes a partir para um desequilíbrio que, mais tarde ou mais cedo, alterará um dos mais belos ecossistemas que já vi filmados e comentados.

É com muita pena que vejo que o Homem ainda não se apercebeu do mal que pode fazer e das coisas nocivas e cruéis que pode realizar no nosso pequeno mundo. Apesar de moldarmos muito do “barro” que faz do Planeta Terra o nosso Planeta, deveríamos ter mais cuidado com os limites que ousamos transpôr porque, de facto, o que nós tiramos à Natureza ela, naturalmente, reavê aquilo que foi roubado quando menos esperamos. Quereremos pisar o risco por muito mais tempo?

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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One thought on “Planeta Vivo #3 – The Lost Lagoon

  1. O que não pode continuar é a degradação dos costumes no Ocidente, que está pondo em risco toda a Terra. Risco esse que está afetando moradores que vivem em paz ao lado da Terra e que estão preocupados com nossas atitudes hostis. Não nos esqueçamos de que toda regra de boa conduta dita que “vizinho precisa respeitar vizinho”.

    Posted by Panama | June 8, 2012, 3:49 AM

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