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Análise de Episódios, Fringe

Sobre Fringe 4×20 – Worlds Apart


Ter, ao nosso lado, um novo mundo cheio de maravilhas é algo, certamente, espectacular. Uma nova possibilidade de viver, uma nova maneira de viver, algo novo para descobrir. E apesar de aquela passagem ser restrita a muito poucos de nós, não deixo de imaginar uma vida alternativa minha, onde fiz outras opções, onde conheci as mesmas pessoas com personalidades diferentes e, sobretudo, um mundo tecnológico, certamente, mais avançado que este. E se há série que soube abordar bem toda esta temática de vidas alternativas, foi “Fringe”.

Este episódio 20, que faz a ponte para o final épico de duas partes que tem início já para a semana, leva-nos a explorar uma nova maneira de fazer justiça e a olhar o outro mundo como nunca olhámos antes.

No episódio 18, o Broyles alternativo tinha sido preso bem como Nina Sharp. Os dois, agora afastados de David Robert Jones, deixam incompleto um trabalho cujo objectivo é criar um mundo novo e testemunhar o seu nascimento. Possivelmente coroado rei, Robert Jones tem vindo a construir uma nova raça de seres, a apressar a evolução de uma espécie que, por si só, já condenou o planeta.

Robert Jones, que vê a máquina ainda intacta, prepara o seu plano B envolvendo todas as crianças que, em 1985, participaram nos testes com Cortexiphan. Através da ponte, Jones consegue ligar, psicologicamente, todos aqueles que sofreram com Bell e Walter e que anseiam fazer parte de algo novo, do renascer de uma Era.

Os mundos, como já havia sido explicado, vibram a frequências totalmente distintas correspondendo estas a notas musicais de uma escala harmónica. As crianças, agora adultos, encaminham-se para um local e eles próprios tentam convergir os dois mundos a partir da sintonização destes numa frequência única resultando todos aqueles tremores de Terra que, se realizados de maneira correcta e nos sítios certos, são capazes de colapsar os nossos dois mundos.

Não havendo alternativas viavéis, as equipas Fringe são obrigadas a desligar a máquina e, por isso, a cortar um dos laços mais interessantes e mais controversos alguma vez visto na história da diplomacia. Apesar de tudo aquilo que se passou, desde 1985 até aos dias de hoje, Walter e a nossa equipa (e eu!) conseguimos achar piada ao outro mundo, às pessoas, às personalidades, às tecnologias, enfim, uma miríade de coisas que nos fez (e faz) ficar descontentes com o nosso mundo.

Ouso dizer que, de todos os episódios que já vi, o momento em que a máquina é desligada e o outro lado desaparece arrepiou-me. Ao mesmo tempo, fez-me apertar as mãos contra a minha cara e desejar que aquilo não tivesse acontecido. Agora vejo que era inevitável.

E Lincoln, de todos, foi o mais sortudo. Ele próprio pôde escolher o universo em que ficava.

Lincoln: Remember how you said “Home is where the heart is”? This might be crazy but… I think I’ve found mine.

E hoje, no nosso mundo, onde temos uma boa atmosfera e um bom ar para respirar e podemos ver um arco-íris quando chove, alguém como Altivia, que havia nascido, presumivelmente, e ainda Walter estava a preparar a sua passagem, se lembra de há 25 anos atrás observar tal fenómeno e, de súbito, aquela alegria e maravilha desaparecer? O que é certo é que a ponte permitiu que o mundo vermelho se curasse, deu um novo ar, um novo ânimo a todos aqueles que, por 25 anos, se esqueceram do que era viver bem. E apesar da ponte ter sido destruída, parte do mundo foi salva e o âmbar pôde, finalmente, ser esquecido em algumas zonas da cidade. E por mais que não queiramos admitir, se isto se verificasse, nós iríamos escolher o mundo vermelho, no matter what.

Hoje, “Fringe” diz-nos que um capítulo está terminar. Os próximos dois episódios serão o epílogo de uma história que apesar de não ter sido levada a sério e não tenha surpreendido tanto como a temporada antecessora, nos proporcionou uma nova visão das coisas e, volto a dizer, por mais difícil que seja admitir, “Fringe” voltou a marcar pontos nesta quarta temporada. A quinta temporada está a caminho e, com ela, o fim de uma das histórias mais aliciantes e que mais me envolveu em toda a história da televisão.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

Discussion

One thought on “Sobre Fringe 4×20 – Worlds Apart

  1. Impressive article post on the blog, I share the same views. I wonder why this particular country totally does not think like me and additionally the web publication master🙂

    Posted by ip camera | August 29, 2012, 5:34 PM

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