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Análise de Episódios, Fringe

Sobre Fringe 4×14 – The End of All Things


Como o leitor atento se deve recordar, na review ao episódio 11 da corrente temporada, desabafei convosco sobre o peso das escolhas no curso de toda a nossa existência e que o Futuro que hoje experimentamos é resultado de um Passado que já foi Presente e cujas nossas escolhas o definiram claramente.

The End of All Things volta a entrar, profundamente, nesta temática apresentando-nos um dos melhores episódios de toda a temporada. Ora, se há quatro anos, quando os Observers começaram a aparecer na narrativa e nos perguntávamos quem é que eles eram e o porque de lá estarem e, acima de tudo, porque fazem eles o que fazem, este episódio 14 veio dar resposta a algumas questões que têm vindo a fervilhar na nossa cabeça.

Antes de passarmos para o que realmente interessa, se o leitor se lembra, Olivia foi raptada nos minutos finais do episódio passado e levada para aquilo que se assemelha a um hospital em muito mau estado e que, segundo o pensamento de David Robert Jones, deve ter um exactamente igual e em perfeito funcionamento do lado de lá. E se há coisa que me deixa fascinado (e a tremer que nem varas verdes) é o terror televisivo bem feito. Esta semana, o prémio vai para o berbequim no braço biónico de Nina Sharp… Por mais vezes que reveja a cena, não conseguirei não tremer ao ouvir os berros de dor e o berbequim a furar toda aquela ultra-estrutura.

E se o objectivo era activar Olivia, o facto de fazerem mal a Nina não faria nada dado que Olivia já não é a Olivia que encontrámos no início desta temporada. Ela é alguém diferente, com as memórias de uma outra rapariga loura cujo pensamento está cheio de Peter e é só por ele que ela tem medo, é só ele que a afecta daquela forma e que lhe dá aquele friozinho na barriga. E, de facto, quando este é ameaçado de morte Olivia consegue, telepaticamente, acender umas pequenas luzes e ainda iniciar um belo de um freak-show de luzes que acabam por esturricar o braço direito de Jones. E quando se pensava que tudo aquilo iria acabar ali, o inimigo consegue fugir com uma bala no pescoço. E aqui pergunto-me, enquanto ele atravessava, Olivia não poderia ter dado um tiro numa das engenhocas que permitem aqueles saltos entre mundos e ter cortado Jones ao meio?

Passando para o que realmente interessa, muito antes de toda a situação vivida por Olivia, Astrid, Walter, Lee e Peter recebem a visita de September e, com ele, uma das maiores revelações em toda a história da série. Este Observer, que havia sido ferido com uma pistola, desmaia e leva Peter a entrar na sua mente e descobrir quem ou o que é que ele realmente é.

September é, juntamente com os restantes senhores, um grupo de cientistas de uma geração muito após o ano de 2012, que usaram a sua tecnologia para os transportar através do espaço-tempo e eles poderem observar os seus antepassados desde o choque entre duas partículas até ao ponto em que eles saíram do seu tempo. A sua função é, como o nome indica, de observar os acontecimentos de toda a História… No entanto, September fez mais do que observar levando-o a alterar todo um futuro desde o ano de 1985 quando interrompeu Walternate na busca por uma cura para o seu filho. Invariavelmente, a sua vontade de restituir ao mundo o seu destino e o seu Futuro correctos, levou que Peter fosse salvo e que permanecesse no mundo azul mas que cometesse um erro ao engravidar Altivia e todo o curso da História, daí para a frente, fosse irremediavelmente alterado.

NOTA

Se o leitor vir, de novo, o episódio 16 da terceira temporada (“Bloodline”) vai notar duas coisas.

  • Os glyphs codificam a palavra FATED. Segundo a história que nos foi contada esta semana, tudo aquilo que se passou estava para acontecer e não havia maneira de contornar o Destino. Era este que, acima de todas as coisas, dizia como é que o Mundo deveria continuar a existir e como o Futuro se iria desenrolar.
  • Um dos Observers aparece, no fim do episódio, a dizer: “It is happening.”. Está a acontecer aquilo que os Observers (excluo September) queriam que não acontecesse.

Aquele Henry, nascido de uma relação impura, alteraria o curso da História de uma maneira irreparável. E a solução? Fazer desaparecer Peter pois sem pai não há criança. E embora todos estes acontecimentos precisassem de suceder para que Peter soubesse de tudo, faz-me perguntar duas coisas:

  • Se não houve um Henry, como é que a máquina do outro lado começou a funcionar permitindo assim que se descobrisse as habilidades telepáticas de Olivia e se desse a simbiose de Peter com a máquina?
  • Se os Observers são de um tempo muito adiantado ao nosso, de um Futuro de imensas tecnologias, não poderão ser eles os First People ao invés daquilo que nos fizeram crer no Season Finale passado?

De facto, e como vimos no episódio, o poder nas nossas escolhas nas decisões mais importantes da nossa vida pode definir quem seremos daqui a 5 anos e, mais ainda, como viveremos e com quem nos relacionaremos daqui a 5 anos.

Embora este episódio nos tenha dado respostas a algumas questões que borbulhavam na nossa cabeça, o mesmo garantiu que regressaríamos daí a 4 semanas, a 23 de Março, para os novos (e últimos) 8 episódios desta temporada que já nos levou além do imaginado e nos deixou a pensar em assuntos e temas e teorias como nunca havíamos pensado antes. Provavelmente não sendo amado por muitos, este episódio deu a sensação de querer começar a atar as pontas soltas de 4 anos de existência para, em Maio, o Season Finale ser épico e que os fãs digam, a plenos pulmões, estarem satisfeitos com a resolução de uma história espectacular e deveras interessante.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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