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Análise de Episódios, Fringe

Sobre Fringe 4×10 – Forced Perspective


Caro leitor, não entre em pânico. Sou só eu, o Jorge Pontes, que decide aparecer pela primeira vez em 2012 a falar de “Fringe”. Muito trabalho passou pelas minhas mãos. Um mês de Janeiro impossível. Já sentia falta de partilhar convosco alguns dos meus pensamentos sobre esta série tão complexa e, ao mesmo tempo, tão interessante.

Chegando ao décimo episódio da temporada, Forced Perspective leva-nos a explorar o mundo das previsões do futuro e, mais ainda, leva-nos a entender a mente de uma pequena rapariga que não pediu este dom mas que o aceitou apesar de todos os problemas que este lhe causou.

Já alguma vez, o caro leitor pensou porque não sabemos o dia ou mesmo a situação em que vamos morrer? De facto, a vida e a morte são assuntos que preocupam muito a nossa mente durante toda a nossa existência. Como dizia uma grande amiga minha no outro dia, temos medo daquilo que não vemos… Os nossos olhos são, claramente, uma arma e algo benéfico mas são, ao mesmo tempo, são a nossa fraqueza.

Mais uma vez, “Fringe” leva-nos a pensar sobre a nossa existência enquanto seres humanos frágeis, susceptíveis às mãos da Morte que, na hora, sem dar qualquer aviso, nos leva daqui para fora sem nunca termos conseguido fazer, na e da vida, o que sempre ambicionámos. Esta menina, que podia ser um de nós, tinha o dom de sentir as ondas que ditavam a morte de alguém. Ela desenhava os cenários que via e entregava-os aos ditos. Segundo ela, os desenhos serviam para, nem que seja por uns segundos, a pessoa envolvida dissesse “I Love You” por uma última vez ou mesmo até partilhar um simples olhar que, sem palavras, já diz tanto.

Tenha ou não sido coincidência, Olivia, que recebera uma profecia de September, pergunta a esta menina se ela via alguma coisa sobre o seu futuro. A momentos de sabermos se Olivia morreria mesmo e de que forma aconteceria, porque sentimos aquela onda que chegava, somos mandados para trás, ficando completamente às escuras sobre o assunto. Será que a Olivia se tornará num híbrido? Será que ela será responsável por algo que vai acontecer no mundo? Será que o facto de ela se tornar um híbrido, se é que vai acontecer, vai afectar em alguma coisa a máquina ou mesmo o regresso de Peter a casa?

Infelizmente, a menina, que realizou o seu propósito neste mundo (o de avisar a Fringe Division sobre uma explosão que ocorreria num tribunal e que mataria imensas pessoas) e acabou por morrer pois o seu cérebro não aguentou.

Peter: So, the very thing that gave her, her ability…

Olivia: …also killed her.

Todos temos um propósito neste mundo. Muitos descobrem-no e conseguem realizá-lo. Outros permanecem na ignorância como se de nada deles dependesse. E enquanto muitos morrem infelizes a tentar, outros morrem felizes por não saber. É a vida crua que temos. Um dom que muitas vezes se pode tornar numa maldição e que muitos, todos os dias, sonham em jamais ter nascido.

“Fringe” consegue, mais uma vez, puxar este meu lado mais sentimental, mais catastrofista, e faz-me pensar, realmente, que enquanto humanos somos pequenas peças de xadrez prontas a ser derrubadas por alguém maior, alguém cujo controle foge aos nossos planos, cujos imprevistos ditam a irregularidade do nosso pensar, do nosso agir, do nosso fazer do dia-a-dia.

“E quanto ao arco, Jorge?”, pergunta o caro leitor. Se reparou, este episódio foi um filler que em nada juntou à problemática principal. No entanto, Olivia tinha de se questionar sobre se ela queria viver na ilusão de que iria morrer no momento seguinte ou se preferia deixar isso de parte e viver até ao momento. E talvez seja por isso que não sabemos o dia e a hora e o local exactos… viveríamos sabendo que esse dia chegaria e os dias não seriam tão bons quanto se não soubéssemos. E mesmo que fosse amanhã, a nossa predisposição a viver seria totalmente a viver.

Como disse Olivia,

A candle that burns twice as bright, burns half as long.

Por isso, caro leitor, faça o favor de brilhar tanto quanto puder. Nunca se desiludirá.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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