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Análise de Episódios, Fringe

Sobre Fringe 4×06 – And Those We’ve Left Behind


A sabedoria é das armas mais potentes que o ser humano tem à sua disposição. E o leitor, com certeza, não poderá negar que quem tem informação, mais poder tem sobre outrem. Aliás, costuma-se dizer que para destruir uma pessoa basta uma palavra ou uma acção que a comprometa face aos outros e toda a sua reputação e a vida que construiu venha rio abaixo. E é baseado nesta premissa moral que “Fringe” constrói o melhor episódio da temporada até à data.

Raymond Green, um homem que trabalha arduamente no campo do espaço-tempo, procura encontrar a solução para as míticas viagens no tempo que têm preenchido os filmes de ficção científica desde muito cedo. Junto dele, temos a sua mulher que actualmente está doente e esquecida de si própria mas que, há quatro anos atrás, era um grande crânio e estava prestes a descobrir a parte teórica de tudo aquilo que envolve as viagens no tempo. No entanto, por experiências baseadas nos cálculos dela, Raymond nunca conseguiu fazer funcionar a máquina que construiu para o efeito… até ao dia em que Peter apareceu e tudo, misteriosamente, pareceu funcionar. Bolhas temporais que recuavam o tempo daquela casa e de outro espaço na cidade, mais propriamente 4 anos, e que Raymond aproveitava para falar com a sua mulher e esta desenvolver um pouco mais a equação que mudaria a sua vida. E quantas mais vezes ele tentava, mais tempo Raymon conseguia manter a bolha activa e mais tempo havia para descobrir a solução. Os motivos eram, certamente, pouco éticos mas, no fundo, Raymond só queria estar com a mulher que ele sempre conheceu o que o levou a fazer esta loucura. De facto, quando a sua mulher se apercebeu do que o seu marido havia feito, fez questão de levar o seu caderno de apontamentos sem ele suspeitar, para a linha temporal correcta e aquele segredo, aparentemente, perdeu-se na energia do campo do espaço-tempo.

De facto, o caso espelha de forma magistral o que a sabedoria pode fazer ao Homem. Esta representa poder sobre os outros, representa o ópio do Mundo, representa algo de Deus que nunca deverá ser mexido. O tempo, para todos nós, é uma linha recta que não tem desvios nem pedras. Só o Futuro é que apresenta tudo isto. O tempo não. Tal como o espaço, são duas variáveis que (hoje) não podemos mudar porque não conseguimos nem estamos capacitados para o fazer. E por mais que estas nos façam pensar sobre alternativas à resolução de muitos erros do nosso passado, estes aconteceram porque tinham de acontecer e não poderemos, nunca, mexer com tal.

De forma igualmente subtil, o casal representado podia nem sequer ter nomes porque podíamos ser nós na sua pele e estar perante o dilema que é tão difícil resolver.

Fringe termina o episódio mostrando-nos a imagem de Peter na sua “nova” casa e aliado à palavra escondida nos glyphs LIVING, é só isso que ele pode fazer neste momento: viver. Viver em busca da máquina, viver em busca de algo que o leve ao seu mundo antigo, de algo que o leve de volta a casa. E tal como ele, todos nós devemos viver o Presente e não o Futuro; por alguma razão, não sabemos o dia e a hora da nossa morte ou de outra situação que mudará a nossa vida pois viveríamos em função disso não aproveitando, até ao máximo, aquilo que o agora tem para nos oferecer. Sabedoria foi, é e continuará a ser uma arma de imenso poder e, sem os devidos cuidados, poderemos acabar perdidos no meio de tanto conceito, de tanta arrogância e acabamos nas trevas da nossa ignorância sem nunca termos descoberto algo que nos completasse realmente.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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