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Análise de Episódios, Fringe

Sobre Fringe 4×02 – One Night in October


As nossas memórias são aquilo que nos torna o que somos no presente. São essas memórias que nos dizem que, em certo momento da nossa vida, precisamos de ir por um caminho em vez do outro porque, naquela altura, é aquela escolha que nos deixará felizes ou, simplesmente, conformados com algo efémero, na esperança que, no futuro, essa escolha não regresse para nos assombrar. Tal como no episódio, também nós temos “aquela noite” ou “aquele dia” ou até mesmo “aquela tarde” em que, por força do Destino, nós mudámos. E mudar para bem ou para mal cabe, somente, a nós.

Hoje, “Fringe”, leva-nos pelo mesmo caminho que a semana passada. Mas, caro leitor, “Fringe” não é feito só da mitologia, nem é feito só de casos. “Fringe” é a simbiose perfeita entre estes dois. “Fring”e é a simbiose perfeita entre os dois mundos que hoje se unem para travar um homem que, naquela noite, em Outubro, não fugiu.

Escondido atrás de um vagão, um rapaz esconde-se do seu pai porque ele havia descoberto algo impensável. Escondido atrás de um vagão, esse mesmo rapaz reza para que ele não descubra. No lado de cá, ele foge. No lado de lá, é encontrado.

No lado de cá, ele encontra uma senhora muito especial, Marjorie, que o ensina a viver livre daquilo que ele denomina, the darkness. No lado de lá, e durante 3 dias seguidos, o seu pai espanca-o até, segundo ele, conseguir tirar aquela escuridão de dentro de si e voltar a ser o mesmo miúdo inocente que gosta de ir à feira.

Hoje, ele é professor universitário de psicologia forense, no nosso mundo. Hoje, ele é um serial killer, no outro mundo. Ao professor é-lhe pedido uma ajuda para encontrar aquele seu eu que enveredou por outro caminho. Ao professor é-lhe pedido aquilo que a Olivia, no início do episódio, lhe foi pedido: trabalhar consigo mesmo, numa aventura de descoberta de si próprio. Quando ele se vê, frente a frente, com as duas Olivias, toda a verdade é-lhe confidenciada e, numa busca por fazer o bem, o professor parte à procura de si mesmo.

Entretanto, o outro procurava momentos felizes. Procurava tudo aquilo que, em pequenos, nos é dado e aos quais nos prendemos com tanta força quando estamos mais em baixo porque, de forma simples, ele nunca teve isso. E quando se vê, frente a frente, consigo mesmo, com um eu mais feliz que ele por causa de uma senhora, ele tinha de ter aquela memória e sentir-se bem. Tira-a ao outro. Coloca-a em si. Mas ao acontecer tudo isto, as suas emoções começam a tomar conta de si e coloca-se a pensar no porquê de ter morto todas aquelas pessoas. E suicida-se. Já o professor, é trazido para cá e embora não se lembre de alguma vez ter atravessado para o outro lado ou mesmo de ter visto as duas Olivias, nunca se esqueceu do que Marjorie lhe ensinou. Nunca se esqueceu que, perdida neste mundo está uma pessoa capaz de nos marcar de forma tão intensa que nunca esqueceremos aquilo que ela nos ensinou. O seu poder de decisão, naquela noite, em Outubro, fez com que, hoje, ele fosse feliz.

E, caro leitor, repare nas similaridades com a história das duas Olivias. Hoje, elas são duas senhoras completamente diferentes: embora agentes, Fauxlivia é feliz, Olivia não. As decisões que tomaram ao longo da sua vida determinaram quem elas são, hoje, e basta verem isso quando Olivia se vira para Fauxlivia e diz que ela própria matou o seu padrasto. Aquele olhar gélido fez com que Fauxlivia parasse um pouco. E por mais que esta diga que conhece Olivia e que viveu a sua vida, está muito longe de conhecer a verdadeira personalidade do seu outro eu.

E reparem ainda num outro pormenor: o coronel Broyles do outro lado está vivo. Se assim é, alguém morreu quando a Fauxlivia regressou ao seu mundo? Se assim é, o que é que realmente aconteceu aquando da troca de Olivias? Se assim é, como é que a nossa Olivia fugiu, se é que fugiu?

NOTA

A palavra do episódio de hoje foi LIMBUS. Segundo um dicionário online, a palavra é usada para nomear uma fronteira bem definida. Que é que isto quererá dizer? Será que, por mais que Fauxlivia diga que viveu a vida Olivia, as duas são bastante diferentes e incomparáveis? Será que, por mais escolhas que façamos, é uma só escolha que determina a nossa vida, num determinado ponto desta?

A review já vai longa é certo e termino sem dizer metade daquilo que tinha pensado dizer. “Fringe” é isto mesmo, desafiante. Não consigo sequer dizer qual a velocidade que o meu pensamento adquire quando está a ver um episódio destes porque, de facto, é tanto pormenor e tanta coisa que salta à vista que é impossível apanhar tudo. E por mais caso da semana que este episódio possa ter sido, o seu significado é muito grande quando vemos quem foi e que é Olivia.

E Peter, que de nada físico teve nestes dois episódios, continua a querer sair da membrana do espaço tempo para se encontrar, finalmente, com Olivia que diz ter um tipo de homem que Lee não preenche. Que vai acontecer a partir daqui? Que vão os observadores decidir quanto a este assunto? Que venha a próxima sexta porque, talvez, num outro mundo paralelo, “Fringe” não tem esta história ou até dá duas vezes por semana e já tem carradas de episódios e uma história bastante bem desenvolvida… E lá eu me perco, outra vez, em possibilidades impossíveis.

QUOTE

Broyles: At the risk of sounding sentimental, I’ve always thought there were people who leave an indelible mark on your soul… an imprint that can never be erased.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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