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Análise de Episódios, Fringe

Sobre Fringe 4×01 – Neither Here Nor There


Em Matemática, quando abordamos o tema das Probabilidades, falamos (quase) sempre do Diagrama de Venn. Ora, quando estamos perante dois acontecimentos (A e B) que, de alguma forma, se intersectam, existe, nesse diagrama, uma zona comum aos dois acontecimentos.

Extrapolando a “Fringe”, o leitor verá que esta maneira simplista de quantificar probabilidades tem semelhanças com aquilo que se tem vindo a passar com “Fringe”.

De um lado (A), temos o nosso mundo, o azul. De um outro lado (B), temos o mundo vermelho. E mesmo ali no centro, uma zona comum aos dois mundos. Uma zona em comum que foi possível graças a Peter. E se, no final da temporada passada, aquela viagem ao Futuro e a morte de Olivia parecia que não fazia qualquer sentido, tudo isto afectou grandemente Peter tanto que, aquando do seu regresso à realidade, não quis que o outro mundo fosse destruído mas sim que os dois se entendessem. Aquele lugar onde se encontra a máquina é um portal. Aquele lugar onde se encontra a máquina é a passagem entre os dois mundos, inimigos desde 1985.

Peter desapareceu e disso não podemos ter dúvida. Desapareceu no tempo, desapareceu no espaço, desapareceu da dimensão dos Observers. Hoje temos uma Olivia que me fez lembrar a Olivia da primeira temporada. Ela sente um vazio na sua vida desde que John morreu. Ela sente que existe para si e só para si. Ela sente-se sozinha. Mas, hoje, também temos uma Fauxlivia como a mostrada na temporada passada, com uma vida bem melhor que a da nossa Olivia. No fundo, elas são a mesma pessoa. No fundo, bem lá no fundo, elas partilham algo em comum mas porque a vida assim o decidiu, viveram em mundos diferentes sujeitas a diferentes escolhas que acabaram por determinar quem elas são hoje.

Já Walter, que hoje me pareceu ainda mais maníaco, é o same-old Walter da era pós-Bell, da era após a remoção daquelas pequenas três partes do seu cérebro. Passou os mesmo 17 anos naquela instituição e foi retirado de lá por Olivia.

Também Astrid está diferente-ish. Por mais que cuide de Walter, ela tem uma presença constante nas análises forenses e, claro, tem maior protagonismo.

O leitor, decerto, se pergunta: “Jorge, quando falas do caso?”

O caso, é verdade. Já “Fringe” nos habituou a esta fórmula e talvez, nesta estreia, tenha sido necessária para introduzir uma nova raça de criaturas que prometem dar muito trabalho a todas as personagens no decorrer desta nova temporada. E se, anteriormente, tínhamos visto Shapeshifters que, no seu sistema circulatório, corria mercúrio (Hg), actualmente temos Shapeshifters que, no seu sistema circulatório, circula sangue, tal como nos humanos. E se há coisa que pude perceber é que, após cada transformação, necessitam de um “carregamento” de metais pesados para que toda a sua pele possa rejuvenescer e assim “nascer” uma nova pessoa.

Ao mesmo tempo que decorria o caso, vivemos um pouco da realidade dos Observers que agora precisam de apagar tudo aquilo que, do espaço-tempo, possa causar qualquer lembrança da pessoa de Peter. É September, causador da viragem de acontecimentos na década de 80, que agora se vê na situação mais complicada que alguma vez pensou estar. É ele que, com um simples instrumento, tem de apagar todos os vestígios de Peter da timeline. É ele que tem de colocar a história onde ela devia estar. Mas, infelizmente, September desiste de tal e só esta acção já criou mais 10 cenários alternativos que seriam impossíveis de escrever.

NOTAS

  • A música que nos acompanhou durante os 42 minutos que não falhou na intenção das várias situações que as personagens viviam.
  • A nível de cores, o amarelo esteve sempre presente, sinal desta fusão entre os dois mundos. Mas, ligado a ele, esteve sempre o azul. Que significará esta dualidade de cores? Será que para a semana teremos um conjunto de amarelo e vermelho? Afinal, estamos a passos do outro mundo…

Antes de terminar esta review, que já vai extensa, falo-vos da palavra do episódio que não poderia vir nas minhas notas, mais acima.

Durante todo o episódio, tivemos a presença constante de Peter. Desengane-se todo o leitor que não acha que é ele. Logo no início podemos observar, de raspão, a sua figura surgir no véu que separa (mas que também une) o espaço e o tempo. E mais no fim, na televisão, a cara de Peter a olhar Walter. O seu pai, é certo, ficou bastante perturbado porque, se ele desapareceu, não há razão nenhuma para Walter o conhecer. Será que Peter está a fazer isto porque quer viver outra vez? Ou será mais um plano dos Observers em fazer com que Peter apareça de vez em quando e obrigar September a premir aquele botão?

Muitas são as questões que assolam esta nova temporada de “Fringe”. Não nego que o facto de Peter ter desaparecido tenha criado imensos paradoxos. Não nego que quero, de novo, conhecer as histórias que vivi durante as três temporadas passadas sem Peter. Não nego que esta temporada cause, na minha cabeça, uma enorme confusão.

Mas, por outro lado, também sei que este episódio é só mais uma peça do grande puzzle que é “Fringe” e que envolve esta nova temporada. Sei que, nalgum ponto, irei ter as respostas que anseio com grande nervosismo e curiosidade. Sei que, depois do reset da temporada passada, re-escrever uma história é complicado e leva tempo. E também sei que gostei bastante deste episódio porque para além da porta que abriu para o outro mundo, abriu muitas janelas para o desenvolvimento das nossas personagens que agora terão de conviver sem Peter, o motor que deixava Walter mais calmo e menos aluado.

QUOTES

Olivia: He just never had anything to tether him to the world.

Walter: I don’t think there’s anything sadder than when two people are meant to be together and something intervenes.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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