//
you're reading...
Holofotes

Holofotes 3×05 – Originalidade


As televisões em Portugal, mais a TVI que a SIC, sempre apostaram num tipo único de programas para o horário pós-jantar: as novelas. Ora, tal escolha leva a que certos públicos sejam postos em primeiro lugar, mais propriamente, a comunidade mais velha do país. O leitor sabe disto e se tem vindo a acompanhar-me já desde 2009, sabe que sempre que podia, dava o meu parecer parcial sobre a exagerada quantidade de novelas que por cá existem.

Podia ser (mais uma vez) a temática das novelas que me trazia, hoje, ao palco dos Holofotes. Mas não. Hoje incido sobre as séries portuguesas, isto é, a categoria televisiva que mais fama tem para o lado da América e para os lados britânicos mas que se encontra quase extinta nos canais privados portugueses.

O leitor sabe, igualmente, que sempre que há uma série nova com uma premissa que, embora cliché, nos dá episódios razoavelmente bons que cumprem a sua função de entreter, eu fico feliz porque vejo uma certa evolução nos canais, muito embora esta seja sol de pouca dura. Contudo, não deixo de ficar preocupado (e um pouco chateado, mas isso não conta) com o facto de algumas (senão a 90% das séries) serem adaptações de modelos estrangeiros.

Este tema surgiu muito por causa de um artigo, no blog 42 minutos, que falava sobre a nova série da SIC, “A Família Mata”.

Em primeiro lugar, deixem-me dizer que, para mim, a série vale muito pouco. Ou sou eu que não estou habituado ao género feito em Portugal ou então não sabia que podíamos criar algo tão…desapontante. Para já, se é uma comédia, a série tem de cativar com um texto, isto é, o argumento tem de ser forte e não basta termos actores e actrizes de renome se o argumento for uma nulidade. Depois, a série baseia-se muito nas expressões exageradas dos actores e actrizes e que me faz uma tremenda confusão e não falemos das melodias que, a cada cena, preenchem o espaço entre falas.

Se por um lado tenho estes factores, por outro, vejo que a série é uma adaptação de um formato espanhol. Pergunto: não temos argumentistas criativos em Portugal? Não temos pessoas capazes de idealizar séries em Portugal? Não temos gentes capazes de dizer ‘Quero esta série original no ar’ e fazer por isso? Porque é que temos de ir buscar formatos aos outros? Ou somos só independentes dos outros a nível de novelas?

Não é mau termos séries em horário nobre mas se as mesmas não são bem produzidas e só servem para dizer ‘Nós fizémos isto’ ou ‘Nós exibimos aquilo’, mais vale estar tudo quieto e deixar a televisão seguir o seu (lento) percurso.

Até “Conta-me como Foi” é uma adaptação de um original espanhol mas, lá está, este género de séries tem uma estrutura muito específica e não se pode mudar muito. Seja adaptação, a RTP conseguiu fazer mais do que isso e arranjar uma história com os típicos modos portugueses parecendo, exactamente, uma original nascida e criada no nosso Portugal.

Por mais a favor das séries que seja, há factores que me deixam muito preocupado porque só mostra uma certa fragilidade numa das áreas em que devíamos ter uma atitude forte e vanguardista: a Cultura. Se a perdemos, se a deixamos sem identidade, que razão teremos nós para evoluirmos enquanto cidadãos, enquanto pessoas dependentes do entretenimento exibido por uma simples caixa mágica?

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

Discussion

No comments yet.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Biblioteca

Calendário

March 2011
S M T W T F S
« Feb   Apr »
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  
%d bloggers like this: