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Análise de Episódios, Fringe

Sobre Fringe 3×17 – Stowaway


Bell regressou à acção de “Fringe”. Bell voltou para solucionar a problemática da guerra dos mundos. Bell voltou para rejuvenescer um arco que possivelmente teria um apogeu no final da temporada que deixaria os fãs chocados com o impossível e o imprevisível que nos iria ser mostrado.

Se por um lado, a semana passada, “Fringe” mostrou-nos o que está a acontecer às leis da Física no nosso mundo, esta semana viajamos para um local um pouco mais subjectivo e abstracto: a morte. É-nos contada a história de uma mulher que, simplesmente, não podia morrer. Que é não morrer? Que é a imortalidade? “Fringe” volta, então, a pegar numa das temáticas que sempre preocupou os alquimistas (e, convenhamos, os seres humanos) que sempre procuraram a solução final para a Pedra Filosofal sem nunca a terem encontrado. “Fringe” volta a pegar na temática do episódio 13, Immortality, mas dá-lhe o outro sentido, o sentido literal da palavra.

Uma mulher, que podia ser uma de vós leitoras, quer morrer, quer dizer adeus a mundo que já não lhe pertence, que já não é dela. Quer abraçar um outro mundo, quer abraçar a sua família que já está do outro lado, que já ultrapassou “a luz”, seja lá o que isso for. Mas, simplesmente, os seus átomos não se querem largar, não se querem dissociar.

Que éramos nós sem átomos? Esta questão é muito pertinente porque me faz recordar uma das muitas míticas conversas com o António Guerra em que, mais ele do que eu, filosofámos sobre o átomo. Filosofámos pois sem átomos existe o nada, seja lá o que isso for. Somos feitos de átomos, analisamos os átomos, medimos átomos com átomos e vivemos e morremos sem nunca perceber como é que algo tão perfeito faz parte de criaturas tão imperfeitas.

“Fringe” volta-nos, pois, a surpreender mas não na perspectiva que desejávamos. O episódio foi muito mais que isso. Escondia algo que à primeira vista não tem sentido.

Talvez tenha sido essa a razão que levou os argumentistas a justificar todo o caso como sendo devido ao Destino. Talvez por não terem encontrado um fenómeno físico perfeitamente capaz para explicar tudo isto. Talvez porque o Destino parecia a melhor justificação. Porque também “Fringe” tem coisas que não se explicam. Porque “Fringe”, uma série “imperfeita” criada por seres imperfeitos, também deve ter as suas dúvidas. Podíamos explicar com a razão de que o mundo se está destruir? Podíamos mas assim, em todo aquele santo dia, ninguém morria e foi o que acabou por acontecer.

Stowaway marcou a temporada de uma forma diferente. Fez/Faz o espectador pensar sobre o ser humano. Talvez pensemos que a imortalidade é muito fixe porque vivemos mais tempo e tal… Mas esta mulher queria morrer. Mas esta mulher não queria a imortalidade. Mas esta mulher queria ser pó. Será que, estando nós, na mesma situação não pensaríamos o mesmo? Será que nós estamos tão desertos para saber o que é a imortalidade e quando tivermos, “face a face”, com ela não desejaremos nunca a ter conhecido por ser doloroso demais? “Fringe” põe-nos a questionar, mais uma vez, sobre um dos mistérios da Humanidade, um dos mistérios mais velhos da História, um dos mistérios que, possivelmente, nunca será desvendado.

Como não podia deixar de ser, “Fringe” deixa-nos a salivar com mais um final interessantíssimo. Depois de nos ter mostrado uma Olivia com uma química impressionante com Walter (e com Astrid, a nível do engate) e de o episódio nos ter transportado para um outro nível de dinâmica e momentos de humor que há muito não víamos na série, a alma de Olivia, se é isto que lhe posso chamar, acorda e isto é algo que eu não estava à espera. Afinal, a passagem de Bell pelo mundo feminino está a chegar a um fim… Mas também aqui levanto uma questão: onde arranjaríamos nós um fenómeno físico para explicar, realmente, a necessidade de Bell em encontrar um corpo e ter-lhe sido dado, de mão beijada, uma mulher que não morria? Onde arranjaríamos nós uma explicação plausível para explicar toda esta Impossibilidade dos Soul Magnets?

Tal como disse anteriormente, até “Fringe” tem coisas que não consegue explicar. E é isso que torna a série tão interessante.

Bell/Olivia: I think that I may have been wrong… This maybe be a little more complicated than I first thought…

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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