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Análise de Episódios, Fringe

Sobre Fringe 3×09 – Marionette


Depois da tempestade vem a bonança, diz a sabedoria popular. Num tempo, digamos, “pós-apocalíptico”, Olivia está já em casa e pronta a ter a sua vida de volta, pronta a entrar de cabeça no seu trabalho, pronta a ser normal. Mas eu pergunto: a estabilidade que ela tanto queria foi conseguida?

Tal como uma reacção química precisa do seu equilíbrio, também Olivia precisa do seu. Agora que tudo voltou ao normal, a protagonista precisa de se mentalizar que tudo aquilo que vivera foi um pesadelo, o qual será, eternamente, enterrado na sua mente, no seu ser. Olivia precisa de viver a sua vida, precisa de se restabelecer. E nada melhor que um caso aterrador para o fazer.

Se o leitor esteve atento a este episódio de “Fringe”, é de notar que a história voltou aos moldes iniciais: os casos da semana. Não vale a pena estrebuchar por isso. Esta mudança era necessária. Esta mudança é precisa. Esta mudança é como que um gelado, num jantar gourmet, que separa a entrada chique do prato principal maravilhoso. É uma fronteira. Se vimos um arco, nesta primeira parte, fantástico, o caminho tem de ser talhado para o segundo arco que “Fringe” nos apresentará. Precisamos de algo que corte o sabor para que não os confudamos. Este episódio 9 serviu para isso.

O caso da semana prendeu-se a um senhor louco que queria fazer renascer dos mortos, a sua alma gémea, aquela pessoa que o fazia completo. Contudo, essa mulher, quando morrera, tinha doado os seus órgãos. E aí surge-me a pergunta: como faria este senhor para a ressuscitar se não tinha metade dos órgãos?!

Numa quest para os encontrar, o homem começa por avaliar todos aqueles que possuem órgãos da sua amada e, um por um, fecha-os numa sala e opera-os, ainda vivos, retirando tudo aquilo que não lhes pertence.

Regressa ao seu laboratório e cose a sua amada. Mesmo antes de proceder à ressuscitação, e tendo a sua amada uma enorme paixão por bailado, este homem dá-nos a visão mais assustadora, mais tenebrosa que “Fringe” alguma vez mostrou. Colocando a sua amada amarrada a certas cordas que, por sua vez, estavam ligadas a alavancas, bastou que a música enchesse o ar para que o homem a fizesse dançar, como uma marioneta.

Aquelas lágrimas de alegria, de beleza, de maravilha deram-lhe a força necessária para, finalmente, a ressuscitar. Por breves instantes, ela viveu mas fê-lo, para dizer adeus ao mundo, o adeus que estava em falta antes de morrer pela primeira vez.

Esta foi uma história de amor tão ternurenta mas, ao mesmo tempo, tenebrosa o que nos leva à segunda história de amor: a de Olivia e Peter.

Olivia, claramente, é a vítima nesta história pois Altivia tomou conta da sua vida, vestindo todas as suas roupas, calçando todos os seus sapatos e beijando aquele que para Olivia era o “tal”. Por mais que Peter lhe dissesse, que Altivia era igual a Olivia, ela não acreditava. Tinha de haver uma diferença, mas Peter estava cego pelo amor que tinha por Olivia. Num discurso brilhante que marcou o final de “Fringe”, Peter balbucia um “I’m sorry.”, segundos depois de ter sido abandonado. Aquela expressão de medo, aquela expressão de pura tristeza revelou, unicamente, que Peter estava arrependido. Ele mesmo precisava que “ressuscitar” a sua cara metade. O seu bailado tinha acabado da pior forma.

Mas há mais. Quando pensávamos que tudo estava resolvido, esclarecido e estável, aparece-nos o Observer August. “He is still alive”, diz ele. E é esta a rampa de lançamento para o arco que polvilhará a segunda parte da terceira temporada de Fringe. Que poderemos esperar deste novo arco?

NOTAS

  • A palavra desta semana foi ADAPT. Olivia voltou do outro mundo. Precisa de se re-adaptar à sua antiga vida. Mas conseguirá ela fazê-lo? Será que tudo o que deixara para trás se encontra na mesma? Será que a sua vida, daqui para a frente, será a mesma?
  • Outro pormenor interessante foi o transplante de olhos que foi referido no episódio, quando o homem andava à procura dos órgãos da sua amada. Não só, actualmente, esta operação é impossível por causa do nervo da retina bem como é o sinal de que “Fringe” está lá para nos abrilhantar com impossibilidades.
  • Se foi o episódio mais fraco da temporada? Foi. Se era dispensável? Sim. Mas não esqueçamos que, por ser um episódio de transição há que preparar o caminho para os restantes episódios. E foi isso que fez, unicamente.

E é com o episódio 9 que “Fringe” diz adeus, pelo menos, por agora. Voltará na sexta, dia 21 de Janeiro, com um episódio intitulado “The Firefly”. Até lá, fomentemos as nossas teorias. “Fringe” está fantástico. “Fringe” ainda nos vai surpreender este ano.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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