//
you're reading...
Análise de Episódios, Fringe

Sobre Fringe 3×08 – Entrada


Admito: estou viciado em “Fringe”. Estou-o e, francamente, nunca o deixei de ser deste o fim da primeira temporada… Falo, pois, daquela visão do outro mundo, daquele outro lado, daquelas hipóteses infindáveis… É, sem dúvida alguma, neste episódio que se dá o fim do primeiro arco de uma das séries que tem revelado ser a melhor que por lá passa, na América.

Para já, devo dizer-vos que, mesmo antes de passar o genérico e mesmo antes de ver o episódio em si, eu previa que iria andar a saltar entre os dois mundos, entre duas linhas de história que, no fim, acabam por chegar a um clímax de enorme tensão e suspense.

Para começar bem, olhemos para o título “Entrada”. Para quem é português, é interessante ver uma palavra do nosso vocabulário expressa num episódio de uma série americana. Mas esse não é o significado e não remete, de todo, para a simbologia de “Fringe”. Pois bem, “Entrada” é, no seu sentido mais comum, a zona junto à porta principal de um edifício em geral. Mas, no sentido mais abstracto, mais formal, mais eloquente, é um acesso, uma porta, uma ocasião. E é deste último significado que Fringe pega para explicar tudo o que se iria passar nestes 45 minutos: a fuga por ocasião.

Com uma sequência inicial bastante interessante onde foi feito um resumo de tudo aquilo que se passou até agora nos dois mundos, “Fringe” deixa-nos cair no nosso mundo, mais precisamente, no quarto onde estão Olivia e Peter deitados. Depois daquela chamada que deixou Peter perplexo, este sai da cama e começa a vasculhar as coisas de Altivia à procura de pistas que corroborem a afirmação da senhora da limpeza. Nervoso e cheio de adrenalina evita as questões de Altivia e promove-lhe um teste, o qual não recebe qualquer aprovação. Altivia vai-se embora para o quarto, sem antes pegar na arma. Revela-se, finalmente, e ordena que Peter se paralise. Todo aquele momento, toda aquela cena, carregada de medo, de pânico, de nervosismo, de intenso suspense. Medo de ter sido descoberta, medo e pânico por não saber o que se iria passar a seguir, medo de se sentir sem qualquer saída.

A partir daí, começou tudo a desmoronar-se. Tudo aquilo que Altivia tinha construído, tudo o que Altivia tinha atingido caiu por Terra. Estava na hora da extracção. Rapidamente, contacta o outro lado e tudo é arranjado. Afinal, tudo aquilo para que ela havia sido precisa, já tinha sido concluído. A peça para a máquina da destruição estava em seu poder e Altivia não podia deixar que tal caísse nas mãos de Peter. Correu contra o tempo como nunca o havia feito, protegeu-se como nunca o tinha feito mas foi apanhada. Mas era tarde demais… Estava já equipada para regressar. Estava a postos para ter a sua vida de volta.

[transição para o outro mundo]

“Onde estou eu?” – pergunta o leitor.

“Na ilha da liberdade.” – respondo eu.

Sim, estamos na Ilha da Liberdade, no mundo Alternativo. Parece que o leitor e eu temos Cortexiphan no nosso cérebro que nos permite viajar entre mundos…

Pois bem, Olivia está presa depois da sua tentativa de fuga. Olivia está em pleno desespero porque sabe que a vão matar, sabe que vão retirar todo o seu cérebro para futuros estudos, sabe que a sua vida está pelo fio da navalha.

O único a quem pode pedir ajuda é Broyles. O único que a pode salvar daquele tormento, daquele calvário e o único que a poderá ajudar a carregar a cruz do destino do mundo. Mas, não… Abandona Olivia sem qualquer pingo de piedade.

Olivia, depois de anestesiada, é levada para um laboratório onde, posta sobre uma maca de plástico, amarrada e paralisada para que dali não possa fugir, é virada de barriga para baixo para assim o médico proceder ao corte de toda a sua coluna vertebral e, consequentemente, do seu cérebro. Quando tudo parecia perdido, Broyles aparece para a salvar, como que um super-herói. Mata os dois médicos e com ela foge até à sala do tanque para assim Olivia poder fugir. Contudo, o tanque esta vazio, sem água, sem esperança. Soa o alarme. Olivia não desiste. Pega no Cortexiphan e segue para o laboratório de Walter na Harvard University. Enche o tanque de água e de sal e injecta-se com uma quantidade considerável de Cortexiphan.

-Os guardas estão próximos.-

Só há tempo de dizer algumas palavras. Tempo de prometer que os dois mundos permanecerão intactos. Tempo de dizer que ela será a heroína. Tempo de dizer adeus.

Entra no tanque. Este é fechado. Broyles é apanhado. Olivia deixa de ouvir, de sentir, de cheirar, de ver. Olivia…

[transição para o nosso mundo]

“Leitor, voltámos.” – digo eu.

“De certeza?” – pergunta.

“Por breves instantes. Como Olivia, a semana passada. Apenas voltámos para transmitir uma mensagem.” – respondo eu.

É verdade. Voltámos para ver Altivia desaparecer. Pois bem, foi apanhada e posta no carro blindado. 16h mostra-nos o relógio. 16h é a hora. As palmas das mãos de Altivia e a zona final da sua coluna começam a emitir uma luz vermelha cada vez mais rápida, cada vez mais incessante, cada vez mais forte. Altivia é transferida. Em seu lugar…

[transição para o outro mundo]

Olivia privou-se sensorialmente. Privou-se do mundo alternativo. Privou-se de sua mãe.

[transição para o nosso mundo]

No laboratório de Walter, ouvem certos barulhos num tanque esquecido a um canto. Depois de aberto e, para surpresa de Astrid, Olivia sai de lá com um sorriso mas rapidamente cai ao chão com uma convulsão. É levada para o hospital. Peter, feliz por a ver, sentou-se ao seu lado. Olivia acorda, feliz por estar de novo em casa.

Trocam olhares.

Trocam sorrisos.

Trocam momentos.

Trocam sentimentos.

Mas não trocam de mundo porque o deles é único, sem volta, sem segundas oportunidades. É o amor.

“Estamos bem?” – pergunta o leitor.

“É desta que assentamos. Estamos estáveis no nosso mundo. As nossas moléculas não mais se mexerão daqui (pelo menos até à próxima semana se tal o permitir).” – respondo eu.

“É possível ainda viajarmos para o outro lado?” – pergunta o leitor.

“São infinitas as impossibilidades, caro leitor.” – concluo eu.

Mas Olivia está longe de saber as consequências que esta experiência causou no seu ser, na sua personalidade, no seu amor por Peter. Tudo, agora, parece perfeito e está longe de acabar mas todas as repercussões estão perto, à espera de uma ocasião para atacarem e de deitarem Olivia por terra.

NOTAS

  • A palavra deste episódio foi “Cross”. Atravessar de um mundo para outro. Atravessar para a antiga vida. Atravessar, de novo, uma linha que nunca devia ter sido atravessada.
  • Se o leitor reparar bem, foram 4 as vezes que o genérico alternou entre a cor vermelha e a cor azulada. 4, na cultura japonesa, significa morte e tal não é esquecido neste episódio quando, por Altivia, é substituído o Broyles alternativo.
  • Será preciso dizer o quão brilhante, o quão fantástica, o quão excelente Anna Torv esteve neste episódio? Acho que não é necessário.

About Jorge Pontes

Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

Discussion

No comments yet.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

Biblioteca

Calendário

January 2011
S M T W T F S
« Dec   Feb »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  
%d bloggers like this: