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Azimute

Nós no Mundo #1 – “Bom dia, em que posso ser útil?”


Todos nós, por Natureza, somos seres comunicantes. Somos animais racionais tendo desenvolvido esta capacidade única de nos expressarmos por palavras tenham elas o significado que tiverem. Por mais ásperas que elas sejam, por mais carinhosas ou amorosas que possam parecer, o falar, para nós, tornou-se uma necessidade pelo facto de sermos seres civilizacionais.

De uma maneira ou de outra, crescemos segundo certos valores, certas directrizes que determinaram (e continuam a determinar) a pessoa que somos hoje e quem seremos no dia de amanhã. E muito inerente à condição humana (que é frágil) está uma coisa, se é assim que se lhe pode chamar, que é a ambição.

A meu ver, esta capacidade de atingir os postos mais altos durante toda a nossa existência, é movida por algo ainda mais poderoso, a força de vontade. E por mais que não queiramos admitir, o mundo está hoje como está porque nós, humanos, em algum ponto da História, tivemos essa força de vontade, essa ambição, de querermos ter algo e ser algo que era impossível. De tal modo impossível, que, actualmente, muitos estão perdidos e sufocados pelas cartas das várias entidades a exigir dinheiro e a querer algo que as pessoas, simplesmente, não podem pagar.

No entanto, no meio de toda esta escuridão, há uma luz que muita gente tema em reconhecer como um trabalho: os Call Centers. De facto, quantos de nós (eu inclusivé) já revirou os olhos quando recebe uma chamada de um call center seja ele de que empresa for? Quantos de nós já inventaram uma desculpa qualquer para impedir que quem está do outro lado da linha fale? Quantos de nós atenderam e puseram o telefone logo em baixo só para não ter que ouvir mais um “chato”?

Tendo apanhado este documentário por acidente, e tendo este me cativado logo nos primeiros minutos, as primeiras imagens e as primeiras linhas do argumento deixaram-me com uma opinião totalmente diferente daqueles senhores e senhoras que, todos os dias, se levantam a uma determinada hora e enveredam pelos caminhos da comunicação para poderem, ao fim do mês, contar com um salário. Estando, independentemente de tudo, com contratos semanais, mensais ou de termo incerto, aquelas pessoas, que não viram alternativa, estão ali, a prestar um serviço.

Sabe, caro leitor… Pergunto-me porque é que num país que tanto reclama de tudo e mais alguma coisa, vê, num serviço como um Call Center, algo que não é um trabalho. E veja bem, caro leitor, muitos dos serviços que os Call Center fornecem, além das habituais vendas de produtos, são serviços de ajuda ao cliente, para que o mesmo possa ficar mais satisfeito com este ou aquele produto e, de alguma forma, deixá-lo mais descansado.

Somos um país que reclama, disso não há dúvida. Somos um país que importa mais do que exporta quando tem capacidade para fazer o contrário. Somos um país que pode utilizar os seus recursos humanos para o tornar em algo melhor, em aumentar a competitividade dos mercados, em sair deste canto da Europa. De facto, temos capacidade para muito mais até porque este serviço dos Call Centers e, como referido no programa, é um dos 10 trabalhos que mais carreira dá.

E desengane-se o leitor que acha que é um trabalho para aqueles sem habilitações porque, naquele lugar, encontramos pessoas de todas as idades, com diferentes percursos de vida e, consequentemente, habilitações, com personalidades muito diversas e, sobretudo, com vontade de trabalhar que é isso que falta no nosso país. Quem está lá, trabalha por gosto. Quem está lá trabalha por objectivos que é uma das grandes falhas do nosso mercado de trabalho.

E além de todos os bons momentos que as equipas têm entre si, porque há momentos para descontrair, se ao final do dia os objectivos foram cumpridos, então, o dia está ganho. Pode parecer utópico, mas se todos nós colocarmos um objectivo a alcançar em todos os nossos trabalhos, de certeza que tudo isto iria mudar para melhor.

Àquilo que muitos de nós considera não ser um trabalho, é a salvação de muitos num País cada vez mais assolado pela precariedade, pelo desemprego crescente e pela vontade de quer fazer alguma coisa e não pode. São trabalhos que, por mais difíceis que possam ser, são acarinhados por uns e por outros que crescem a cada dia que passa. E nenhum deles se arrepende disso.

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Viajar é nascer e morrer a todo o instante, até porque é fácil apagar as pegadas. Difícil, porém, é caminhar sem pisar o chão.

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